Após a concretização, a 23 de fevereiro, de um pagamento de 18 milhões de dólares ao Reino da Noruega, teve início, nos Estados Unidos, a inspecção de grande porte e a preparação técnica do terceiro avião P-3C Orión destinado ao Comando de Aviação Naval da Armada Argentina. A aeronave em causa, identificada como BuN 163298 e com número de construção C/N 3298, encontrava-se armazenada desde março de 2023 no centro AMARG (EUA). O processo de reapetrechamento e recuperação exigirá vários meses até à entrega final à Argentina, representando mais um passo no programa de cooperação com a Noruega, principal fornecedora destas plataformas de patrulhamento marítimo.
Acordo Argentina–Noruega e calendário de entregas do P-3C Orión
Este avanço enquadra-se no acordo assinado em 2023, que contempla a entrega de três P-3C para exploração e vigilância marítima, bem como de um P-3N direccionado para missões de busca e salvamento (SAR). Com o pagamento agora efectuado, foi desbloqueada a transferência do terceiro P-3C, em linha com o calendário que a Armada Argentina tinha antecipado durante a apresentação do segundo Orión, em novembro de 2025. De acordo com essa projecção, a chegada desta aeronave deverá concretizar-se ao longo de 2026, ficando a quarta unidade reservada para uma etapa posterior.
Inspecção e modernização do P-3C Orión nos EUA (Keystone / MHD-ROCKLAND)
Os trabalhos em curso nos EUA incluem uma inspecção estrutural completa, a revisão integral dos motores e dos sistemas, e ainda a modernização da aviónica e dos equipamentos de missão. Todas as actividades decorrem sob a supervisão de contratantes especializados e com a participação do próprio pessoal naval argentino, procurando assegurar que o avião atinja plena operacionalidade antes do voo ferry para a Base Aeronaval Comandante Espora.
Durante uma visita recente de uma equipa da Agência de Materiais de Defesa da Noruega (Norwegian Defence Materiel Agency – NDMA) às instalações de Keystone, a empresa MHD-ROCKLAND (responsável pela colocação a ponto) ofereceu um modelo à escala do P-3, exibindo os esquemas usados pela Real Força Aérea da Noruega e o padrão adoptado pela Armada Argentina - um gesto simbólico que sublinha a solidez do vínculo bilateral que sustenta o programa.
Impacto operacional no Comando de Aviação Naval: Atlântico Sul e ZEE
Do ponto de vista operacional, a entrada ao serviço deste terceiro P-3C Orión deverá reforçar de forma substancial as capacidades do Comando de Aviação Naval. Com duas aeronaves já operacionais (matrículas 6-P-57 e 6-P-58), a frota passará a ampliar a cobertura sobre o Atlântico Sul e a vigilância da Zona Económica Exclusiva (ZEE), funções centrais para a defesa dos interesses marítimos nacionais.
Em paralelo, a existência de mais uma célula permitirá uma gestão mais eficiente das horas de voo e dos ciclos de manutenção, aumentando a disponibilidade para missões SAR e para operações conjuntas com outras forças.
Formação, sustentação e integração operacional (aspectos adicionais)
A par do recondicionamento material, a incorporação sustentada de aeronaves desta classe costuma exigir um esforço continuado de formação e qualificação de tripulações e técnicos, bem como a consolidação de procedimentos de segurança, planeamento de missão e manutenção. A padronização de práticas entre equipas e a estabilização do fluxo de sobressalentes são factores decisivos para transformar uma entrega em capacidade efectiva, sobretudo em operações prolongadas sobre mar aberto.
Outro ponto relevante é a integração operacional com outros meios navais e a coordenação com centros de comando e controlo para missões de vigilância, identificação e acompanhamento de contactos de interesse na ZEE. Uma frota mais disponível contribui para uma presença mais regular e para uma resposta mais célere em cenários que vão desde emergências SAR até acções de monitorização e controlo no espaço marítimo.
Próximos passos até 2026
Enquanto o terceiro P-3C progride no seu processo de recuperação, a Armada Argentina mantém o objectivo de concluir o ciclo de incorporação acordado com a Noruega. Se os prazos se confirmarem conforme previsto, 2026 poderá afirmar-se como um marco na recuperação da aviação de patrulhamento marítimo do país, devolvendo ao instrumento naval uma capacidade estratégica indispensável para a vigilância, a defesa e o controlo efectivo da Zona Económica Exclusiva Argentina.
Créditos das imagens: MHD-ROCKLAND
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