O mês de setembro voltou a reforçar a trajetória que se tem observado em 2025: as vendas de veículos eletrificados continuam a avançar a um ritmo muito acima do mercado europeu no seu conjunto. Ainda assim, o mercado total também teve um desempenho positivo, com uma subida de 10,7% e 1 236 876 unidades vendidas face a setembro de 2024 (fonte: ACEA).
Vendas de veículos eletrificados no mercado europeu: setembro em destaque
Em setembro, o crescimento foi particularmente expressivo nas motorizações eletrificadas, com os híbridos plug-in a liderarem claramente:
- Híbridos plug-in: +62,1%, para 132 197 unidades
- Elétricos: +21,9%, para 260 256 unidades
- Híbridos convencionais (incluindo híbridos ligeiros): +15,3%, para 434 947 unidades
Este avanço mensal não surge isolado: acompanha uma tendência que se vem a consolidar ao longo do ano.
Balanço de janeiro a setembro de 2025: eletrificados disparam, mercado quase estagna
No acumulado entre janeiro e setembro de 2025, as vendas de veículos eletrificados aumentaram 20,2%, enquanto o mercado automóvel europeu cresceu apenas 1,5%, totalizando 9 928 527 unidades matriculadas.
Como resultado, as motorizações eletrificadas passaram a representar, nestes primeiros nove meses do ano, cerca de 62,2% do total de vendas no mercado europeu.
Híbridos plug-in mantêm liderança no crescimento (também no acumulado)
Nos primeiros nove meses do ano, os híbridos plug-in voltaram a destacar-se como a tecnologia com maior evolução, subindo 32%, para 918 527 unidades. Apesar desse desempenho, continuam a ficar atrás em volume de:
- Híbridos: 3 454 676 unidades (+15%)
- Elétricos: 1 796 688 unidades (+25,4%)
Uma leitura possível é que o consumidor europeu está a diversificar a escolha dentro do universo eletrificado: os elétricos ganham tração, mas os híbridos continuam a ser a opção de maior escala, e os híbridos plug-in assumem um papel de crescimento acelerado em segmentos e mercados específicos.
Além disso, a evolução das vendas está cada vez mais ligada a fatores práticos, como a disponibilidade de carregamento (em casa e na via pública), o custo total de utilização e as condições de financiamento. Estes elementos ajudam a explicar por que razão diferentes tecnologias eletrificadas avançam a velocidades distintas, mesmo quando a tendência global é claramente favorável.
Gasolina e gasóleo a caírem a pique
As motorizações exclusivamente de combustão continuam a perder peso, tanto por menor procura como por ajustamentos do lado da oferta. Entre janeiro e setembro:
- O Diesel foi o que mais caiu: -24,3%, para 798 987 unidades
- A gasolina também recuou de forma marcada: -19,2%, para 2 698 530 unidades
Atualmente, os automóveis a gasóleo representam apenas 8% das vendas na Europa, enquanto os modelos a gasolina têm uma quota de 27,2%.
A categoria “outros” - que inclui veículos a GPL, a hidrogénio, entre outras soluções - registou um aumento ligeiro de 4,8%, para 261 119 unidades, correspondendo a 2,6% do mercado.
União Europeia, metas de emissões e a pressão sobre a quota de mercado dos elétricos
Se olharmos apenas para a União Europeia, a subida dos eletrificados também se confirma - em linha com a necessidade de cumprir as metas de emissões definidas para os construtores.
No acumulado até setembro, na UE:
- Híbridos plug-in: +31,1%, para 722 914 unidades
- Elétricos: +24,1%, para 1 300 188 unidades
- Híbridos: +16,4%, para 2 793 079 unidades
No total, estas motorizações já equivalem a 59,8% de todos os automóveis vendidos no bloco.
O problema: a subida pode não chegar para cumprir as metas
Apesar do progresso, persiste uma preocupação: o crescimento pode não ser suficiente. Mesmo com a alteração introduzida pela UE na forma de cálculo das emissões - passando a considerar a média de 2025, 2026 e 2027 -, a quota de mercado dos elétricos ainda está aquém do patamar considerado necessário para cumprir os objetivos.
Entre janeiro e setembro, a quota de elétricos fixou-se em 16,1%, uma melhoria relevante face aos 12,5% no final de 2024, mas ainda longe dos 20–22% estimados como necessários para alinhar com as metas.
E mesmo alargando a análise para incluir países europeus fora da UE (como Reino Unido e Noruega), o que faz subir a quota dos elétricos para 18,1%, o resultado continua abaixo do nível desejável.
Nos próximos meses, será determinante acompanhar a capacidade do mercado em acelerar sem depender apenas de picos pontuais: a estabilidade do abastecimento, a velocidade de entrega, o posicionamento de preços e a expansão da infraestrutura de carregamento deverão influenciar diretamente se a quota dos elétricos consegue aproximar-se do intervalo exigido para as metas de emissões.
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