Queria mesmo experimentar o Realme 16 Pro+. Não porque a Realme seja, hoje, uma marca incontornável em França - ainda não é - mas porque a ficha técnica tem argumentos difíceis de ignorar.
O Realme 16 Pro+ combina bateria XXL, sensor de 200 megapíxeis e um visual assinado por um designer japonês reconhecido, tudo por menos de 600 €. Flagship killer? A expressão já foi usada até à exaustão, mas a ambição está lá. Depois de seis semanas de utilização diária, aqui fica a minha opinião sem filtros.
Realme 16 Pro+ ao melhor preço
Preço base: 599 €
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Design e construção do Realme 16 Pro+: impacto imediato (e assumido)
Para desenhar o equipamento, a Realme voltou a recorrer ao designer japonês Naoto Fukasawa - o mesmo que já tinha colaborado nos GT 2 Pro e GT Master Edition. A traseira é revestida por um acabamento em silicone de base biológica feito a partir de palha vegetal. Segundo a marca, é uma estreia no universo dos smartphones - e nota-se logo ao toque.
A textura é fina, ligeiramente elástica e transmite uma sensação que lembra couro natural, sem tentar imitá-lo de forma literal. No meu modelo de teste, o tom Master Gold dá-lhe um ar cuidado, quase premium, mas sem cair no exagero.
Há ainda dois benefícios práticos que se fazem sentir no dia a dia:
- Não escorrega: depois de anos a lidar com telemóveis que parecem sabonetes mal apanham humidade, isto sabe bem.
- Não marca com dedadas: a traseira mantém um aspeto limpo mesmo com uso intensivo.
O módulo de câmaras, batizado de “Metal Mirror Camera Deco”, chama a atenção pelo acabamento espelhado polido e pela plataforma quadrada que desce de forma suave até ao painel traseiro. O conjunto é bem conseguido e, acima de tudo, não parece uma cópia do que já existe no mercado.
A parte frontal aposta num ecrã com curvatura em cascata (estilo waterfall), o que suaviza os cantos e ajuda a tornar a pega mais confortável. Ainda assim, com 203 g e 8,49 mm de espessura, o 16 Pro+ não é propriamente leve nem ultrafino. Sente-se que é um smartphone grande, feito para mãos grandes - mas continua agradável no uso diário e passa uma sensação de qualidade superior ao que o preço sugere.
O ponto menos conseguido aqui é o motor háptico: a vibração ao escrever no teclado é pouco definida, quase “mole”, como a que se via em equipamentos de cerca de 200 € há alguns anos. Não chega a arruinar a experiência, mas deixa um travo de “podia ser melhor”.
Por fim, um extra raro neste segmento: certificação IP69K. Ou seja, além de resistência à imersão, há também proteção contra jatos de água a alta pressão. Pelo preço, é pouco comum - e bem-vindo.
Um ecrã pensado para sol a sério
O painel AMOLED de 6,8" (cerca de 17,3 cm) entrega uma imagem de excelente nível. A definição elevada, os contrastes profundos típicos de OLED e as margens muito finas trabalham juntos para uma sensação de imersão muito competente. Por defeito, as cores vêm um pouco “puxadas” (ligeiramente saturadas), mas basta uma passagem rápida pelas definições para obter uma calibração mais neutra.
A luminosidade é um dos destaques: mantém-se legível mesmo sob sol direto, sem aquele momento desconfortável em que se procura sombra para conseguir ler o ecrã. Para uso noturno ou em ambientes escuros, há ainda um pormenor importante: dimming de alta frequência, que ajuda a reduzir a cintilação e melhora o conforto visual - algo que nem sempre aparece nesta faixa de preço.
A Realme escolheu LTPS em vez de LTPO. Na prática, isto significa um consumo um pouco superior no modo always-on, mas nada que anule o que a bateria oferece (já lá vamos). É uma escolha coerente para controlar custos e, no uso real, a diferença tende a passar despercebida.
Desempenho sólido e bateria de 7.000 mAh: a combinação que define o Realme 16 Pro+
No dia a dia, o Realme 16 Pro+ comporta-se com fluidez e boa resposta. As apps abrem depressa, o multitarefa não causa stresses e a interface - com a realme UI 7.0 - mantém um ritmo que se espera de um modelo nesta categoria.
Para quem joga no telemóvel, há um trunfo interessante: um sistema de interpolação de fotogramas por IA, que aumenta a sensação de fluidez e ajuda a contornar a relativa limitação do GPU. Jogos mais pesados, como Genshin Impact, correm com uma fluidez convincente e sem quebras visíveis. A gestão de temperatura também está bem controlada, mesmo em sessões longas. E o detalhe do fornecimento de energia direto para a placa-mãe, quando o carregador está ligado, ajuda a evitar aquecimento extra associado à bateria.
A grande estrela, no entanto, é a bateria: 7.000 mAh com tecnologia silício-carbono. Esta química, mais moderna do que o ião de lítio tradicional, permite armazenar mais energia em menos espaço. Em utilização moderada - redes sociais, e-mail, navegação, algumas fotos e um pouco de streaming - passei com frequência dos dois dias completos sem ligar o cabo. Dois dias. É o tipo de autonomia que muda rotinas.
E mesmo num dia “a sério” - streaming à noite, fotografia durante o dia e algumas sessões de jogo - o equipamento chegava ao fim com cerca de 30%. Nesta gama de preço, é difícil pedir mais.
O carregamento rápido SuperVOOC de 80 W também cumpre: conte com cerca de 25 minutos dos 0% aos 50%, e um pouco mais de uma hora para chegar aos 100%. Tendo em conta a capacidade, é um ótimo resultado.
Sem surpresas, o carregador não vem na caixa: para um bloco compatível, prepare-se para gastar mais ou menos 50 €. Carregamento sem fios não existe aqui - o que, pelo preço, é aceitável. A Realme promete ainda que a bateria mantém mais de 80% da capacidade ao fim de seis anos de uso; não dá para validar já, mas o compromisso fica registado.
Um extra prático (e muitas vezes esquecido): como tirar mais partido desta autonomia
Com uma bateria deste tamanho, vale a pena ajustar pequenos hábitos: limitar apps em segundo plano que não usa, escolher uma taxa de atualização que faça sentido para si e, quando estiver perto de uma tomada, aproveitar o carregamento rápido para “top-ups” curtos em vez de cargas longas sem necessidade. Não muda a essência do produto - mas ajuda a manter a experiência consistente ao longo do tempo.
Software bem polido e IA em todo o lado
A realme UI 7.0, assente em Android 16, vai parecer familiar a quem já usou um Oppo: a linguagem é muito próxima do ColorOS, uma das interfaces mais maduras do mercado. É personalizável, rápida e, acima de tudo, bem organizada - com menus lógicos e opções fáceis de encontrar.
A Realme compromete-se com cinco anos de grandes atualizações do Android e seis anos de atualizações de segurança. Num smartphone de gama média, é um argumento com peso.
A IA está por todo o lado - e, muitas vezes, de forma útil. O “Génio de Edição por IA” (sim, o nome é mesmo assim) abre, na Galeria, um leque de ferramentas generativas: mudar penteados, roupa, cenário e até ajustar a iluminação num retrato. A funcionalidade é suportada pelo modelo Nano Banana da Google e, para retoques simples com um prompt básico, os resultados são surpreendentemente bons. Em segundos, um retrato banal passa a ter aspeto de estúdio. É daquelas coisas que tanto servem para redes sociais como para brincadeiras internas.
Romain, o nosso editor-chefe, tal como é (à esquerda), “vestido” para o inverno (ao centro) e para um casamento (à direita). As duas últimas imagens foram geradas a partir da primeira pela IA do Realme 16 Pro+.
O treinador de jogo por IA é mais de nicho - pensado para quem joga títulos como PUBG Mobile ou Mobile Legends. Analisa o estilo de jogo e dá dicas para melhorar o desempenho. Já a “alça inteligente por IA” (smart loop) permite enviar rapidamente um elemento no ecrã para uma app de terceiros com um gesto. E, claro, o Google Gemini também marca presença, através do assistente de voz e de aplicações como o Gmail.
Nota para quem compra em Portugal: carregador, garantia e proteção
Mesmo quando o preço é competitivo, convém contar com o custo real do ecossistema: um carregador SuperVOOC compatível (se não tiver um) e, idealmente, uma capa - sobretudo num telemóvel grande, em que uma queda tem mais impacto. Além disso, confirme as condições de garantia e assistência para Portugal, principalmente em compras importadas: pode fazer a diferença na experiência a médio prazo.
Fotografia: dois módulos fortes e um ultra grande-angular a pedir mais
Na traseira, o Realme 16 Pro+ traz três câmaras:
- Principal: 200 Mpx (1/1,56"), abertura f/1,8 com estabilização ótica (OIS)
- Teleobjetiva: 50 Mpx (1/2,75"), abertura f/2,8 com OIS, zoom ótico 3,5x
- Ultra grande-angular: 8 Mpx (1/4"), abertura f/2,2
À frente, a câmara de selfies usa:
- Frontal: 50 Mpx (1/2,88"), abertura f/2,4
Com boa luz, a câmara principal entrega fotografias muito convincentes: detalhe forte, cores fiéis (desde que ajuste o perfil por defeito, que tende a saturar um pouco) e uma gestão de alcance dinâmico bem cuidada.
O verdadeiro destaque vai para a teleobjetiva 3,5x: é nítida, estável graças ao OIS e faz um trabalho excelente. O modo retrato também está muito bem conseguido, tanto em pessoas como em objetos e naturezas-mortas. O zoom digital mantém-se utilizável até 10x - e, no limite, 20x ainda dá para desenrascar. A partir de 30x, a imagem perde detalhe a um ponto em que deixa de ser credível.
Quando a luz começa a cair, a principal e a teleobjetiva continuam a portar-se bem. O modo noturno com IA é eficaz, embora por vezes clareie demais a cena, puxando ligeiramente a exposição para parecer mais luminosa do que era na realidade. Tirando isso, o conjunto é sólido.
Já a ultra grande-angular é, sem rodeios, o elo fraco. Com apenas 8 Mpx face aos 200 e 50 dos outros sensores, a diferença nota-se assim que as condições deixam de ser ideais. De dia, ainda se aguenta; em interiores ou à noite, acusa rapidamente as limitações.
A função “Paisagem por IA” corrige automaticamente a perspetiva durante a captura.
Entre as funcionalidades que me surpreenderam pela positiva, destaco a “Paisagem por IA”, que endireita perspetivas em fotografia de arquitetura, e a assistência de composição de cena, que sugere ajustes de enquadramento em tempo real - especialmente útil para quem não tem tanta experiência a fotografar.
Veredicto: o que penso, afinal, do Realme 16 Pro+
O Realme 16 Pro+ acaba por ser uma excelente surpresa. Não é perfeito - o háptico fica aquém e a ultra grande-angular está abaixo do resto -, mas no essencial entrega com convicção.
A autonomia é o ponto mais marcante: dois dias sem carregar não é comum (e é ótimo). O ecrã é muito bom, o design é original e a fotografia é muito competente em dois dos três módulos traseiros. A realme UI está entre as melhores interfaces Android, a IA está bem integrada e, na maioria das vezes, acrescenta valor sem ser intrusiva. E o suporte de cinco anos de atualizações principais é um argumento forte.
Em França, está anunciado a 480 € na versão 8 GB/256 GB e a 550 € na 12 GB/512 GB até 31 de março (passando depois para 530 € e 600 €). Entra assim em confronto direto com rivais como o Nothing Phone (3a) ou o Motorola Edge 60 Pro. Neste contexto, os argumentos mantêm-se firmes - e só a bateria pode muito bem ser o fator decisivo.
Realme 16 Pro+ ao melhor preço (resumo)
Preço base: 599 €
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Ficha de avaliação - Realme 16 Pro+
Preço a partir de: 530 €
Pontuação global: 9,1
| Categoria | Nota |
|---|---|
| Ecrã | 9,0/10 |
| Desempenho | 8,0/10 |
| Autonomia | 10,0/10 |
| Fotografia | 9,0/10 |
| Relação qualidade/preço | 9,5/10 |
Do que gostámos
- Autonomia
- Qualidade fotográfica com boa luz
- Design e construção
- Integração de IA relevante
- Certificação IP69K
Do que gostámos menos
- Feedback háptico pouco convincente
- Ultra grande-angular limitado
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