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Hafþór Júlíus Björnsson e o levantamento terra: como “The Mountain” está a redefinir a força humana

Homem a fazer levantamento de peso, com treinador a observar e anotar numa prancheta numa sala de treino.

Hafþór Júlíus Björnsson - o actor que deu vida a Ser Gregor “The Mountain” Clegane na série da HBO Game of Thrones - há muito que prova, dentro e fora do ecrã, uma força que parece ultrapassar os limites normais.

Recordes de levantamento terra: de 501 kg a 510 kg

Em 2020, o strongman profissional entrou para a história ao realizar um levantamento terra de 501 kg (1.104,5 lb), superando a marca de 500 kg estabelecida pelo anterior campeão Eddie Hall em 2016.

Já em julho, Björnsson - que por vezes é tratado por “Thor” ou pelo nome de cena “the Mountain” - elevou ainda mais o seu próprio recorde mundial, acrescentando-lhe mais 4 kg.

E em setembro, voltou a superar-se.

No World Deadlift Championships, o profissional islandês levantou 510 kg (1.124 lb). Para se ter noção da escala, é aproximadamente comparável a erguer:

  • um piano de cauda de grandes dimensões; ou
  • sete barris de cerveja totalmente cheios.

O que a ciência já sabe (e ainda não sabe) sobre força extrema

Os cientistas continuam a tentar compreender como é que o corpo humano consegue atingir feitos tão extraordinários. Em 2024, um estudo analisou a constituição física do campeão de levantamento terra Eddie Hall e chegou a uma conclusão inesperada.

Os músculos que ligam os joelhos à bacia - sartório, grácil e semitendinoso - eram, no caso de Hall, até três vezes maiores do que nos homens que não treinam força.

Ao mesmo tempo, os seus quadríceps e isquiotibiais apresentavam o dobro do tamanho dos de um homem sem treino.

Apesar de existirem poucos estudos científicos dedicados à força humana em níveis extremos, os investigadores que observaram Hall suspeitam que a sua anatomia esteja muito perto do limite superior da variação natural.

Ainda assim, Björnsson parece estar a empurrar essas fronteiras mais para a frente.

Hafþór Júlíus Björnsson e o “The Mountain”: a velocidade com que os recordes caem

É a terceira vez que bato o recorde. Isto tem acontecido tão depressa. É quase irreal”, afirmou Björnsson no seu canal de YouTube na manhã do levantamento.

Muitas vezes, depois de um levantamento grande destes, o sistema nervoso pode ficar um bocado rebentado…

Pouco depois de confirmar o recorde mundial, disse ainda para a câmara: “Foi canja do c-ralho, meu. Ainda agora estou a aquecer.

O que também pesa num levantamento terra de elite: técnica, recuperação e consistência

Num levantamento terra ao mais alto nível, o resultado não depende apenas de massa muscular: contam a técnica, a eficiência do movimento e a capacidade de recuperar entre tentativas e ciclos de treino. A forma como o atleta gere o descanso, o sono e a carga semanal pode ser tão determinante quanto a força bruta para evitar que o corpo “pague a conta” a seguir.

Além disso, a progressão sustentada costuma envolver um equilíbrio delicado entre treino pesado e trabalho acessório, reforçando segmentos críticos do movimento (anca, tronco e cadeia posterior). É precisamente essa combinação - corpo fora do comum, preparação metódica e adaptação contínua - que ajuda a explicar porque é que marcas como 501 kg e 510 kg deixaram de ser apenas números impossíveis e passaram a ser metas alcançadas por Björnsson.

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