Enquanto o processo de retirada gradual continua a avançar, a Força Aérea dos EUA está a reforçar a sua presença no Médio Oriente com o envio de mais aviões de ataque A-10C Thunderbolt II. Estas aeronaves têm vindo a demonstrar utilidade em missões de natureza distinta contra vários tipos de alvos iranianos no âmbito da Operação Epic Fury. Este movimento não foi anunciado oficialmente; foi, isso sim, identificado através de sítios que permitem rastrear aeronaves em voo, onde se tornou visível tanto a deslocação para bases britânicas como a preparação de potenciais unidades adicionais para atravessar o Atlântico a partir dos Estados Unidos rumo à Europa.
Reforço no Médio Oriente com A-10C Thunderbolt II: voos observados para o Reino Unido
Ao detalhar o que foi observado, importa referir que, ao longo do dia de ontem, cerca de doze A-10C Thunderbolt II foram vistos a chegar à RAF Lakenheath, em Inglaterra. Com os indicativos TABOR 71 a 76 e TABOR 81 a 86, os aviões efectuaram a viagem a partir da Pease Air National Guard Base, no estado de New Hampshire, tendo descolado em dois grupos distintos de seis aeronaves.
Durante a travessia, os dois grupos contaram com apoio de reabastecimento em voo prestado por um total de oito aviões-cisterna KC-135 Stratotanker: quatro provenientes de uma base norte-americana e quatro de uma base britânica, que assumiram a missão a meio do trajecto para os substituir.
Mais seis A-10C Thunderbolt II em prontidão na Pease Air National Guard Base
Para além dos aparelhos que já chegaram ao Reino Unido, analistas detectaram que a Força Aérea dos EUA mantém outro grupo de seis A-10C Thunderbolt II estacionado na referida Pease Air National Guard Base, preparado para iniciar a transferência para o Reino Unido a qualquer momento.
Não é claro se estes seis serão destacados nos próximos dias ou se, pelo contrário, aguardam a chegada de mais seis aeronaves adicionais para constituírem um conjunto idêntico ao anteriormente descrito.
Operação Epic Fury: presença confirmada desde meados de Março
Na ausência de novos desenvolvimentos, é útil recordar que os A-10C participam na Operação Epic Fury desde, pelo menos, 15 de Março, data em que a Força Aérea dos EUA divulgou as primeiras imagens oficiais que evidenciavam a sua presença operacional no Médio Oriente.
Tal como já foi noticiado, este avião de ataque - hoje considerado lendário - começou por actuar em combate contra forças irregulares pró-Irão, mostrando, sem grandes dificuldades, a sua elevada potência de fogo e a capacidade de permanecer no ar por períodos prolongados.
Uma nota adicional de enquadramento ajuda a perceber este aparente contraste entre “retirada” e “reforço”: apesar de existirem planos de redução progressiva da frota, a plataforma continua a ser valorizada em cenários em que a persistência sobre a área de operações e o apoio aéreo aproximado são determinantes, sobretudo quando se pretende uma resposta flexível e sustentada.
Do ponto de vista operacional, a utilização de bases no Reino Unido como ponto de passagem também se enquadra numa lógica de escalonamento e projecção: permite reagrupar aeronaves, ajustar equipas e preparar o emprego subsequente, ao mesmo tempo que se optimizam os perfis de reabastecimento em voo necessários para cruzar o Atlântico com segurança.
Intercepção de drones iranianos e configurações de armamento observadas
Os A-10C também foram vistos a cumprir missões de intercepção de drones iranianos, que, em conjunto com mísseis, se tornaram um dos principais meios de resposta de Teerão a ataques dos EUA e de Israel, incluindo contra diversos alvos dentro do território de países árabes vizinhos do regime.
Para este tipo de operações, foram empregues configurações de armamento compostas por:
- 2× mísseis ar-solo AGM-65 Maverick
- 2× mísseis ar-ar de curto alcance AIM-9M Sidewinder
- 1× lançador de rockets LAU-131 com rockets guiados AGR-20F (APKWS II)
- 1× pod AN/AAQ-28(V)4 LITENING
Como complemento final, estas capacidades são reforçadas pelo canhão Gatling GAU-8/A Avenger de 30 mm, integrado na própria aeronave.
Ataques no Estreito de Ormuz e a referência do General Dan Caine
Além disso, conforme indicado no início, os A-10C têm estado envolvidos em missões de ataque contra diferentes meios navais iranianos no Estreito de Ormuz, uma zona estratégica no conflito por constituir uma rota marítima central para o comércio de petróleo.
Em concreto, o General Dan Caine, Presidente do Estado-Maior Conjunto (Chairman of the Joint Chiefs of Staff), afirmou há pouco mais de uma semana:
“O A-10 Warthog já está a participar em combate no flanco sul (nota do editor: do Irão) e está a caçar e a destruir barcos de ataque rápido no Estreito de Ormuz (…) Continuamos a perseguir e a destruir meios navais, incluindo mais de 120 embarcações e 44 lançadores de minas.”
Imagens utilizadas para fins meramente ilustrativos.
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