O Bigster marca vários “primeiros” na história da Dacia: é o automóvel de maiores dimensões alguma vez lançado pela marca romena, é a estreia no segmento C e foi, ainda, o modelo escolhido para estrear o novo sistema híbrido do Grupo Renault.
Apesar dessa ambição, há algo que se mantém fiel ao ADN da marca: o posicionamento de preço. O Bigster apresenta um verdadeiro valor de ataque, com preços a partir de 24 550 euros. Mesmo no topo da gama, com motorização híbrida, este SUV continua abaixo da fasquia dos 30 mil euros.
Foi precisamente essa versão híbrida que conduzimos recentemente no maior Dacia de sempre - e o resultado deixou-nos surpreendidos pela proposta global do modelo. O ensaio em vídeo pode ser visto (ou revisto) no nosso teste.
Com tantos argumentos, não admira que o arranque comercial do Bigster na Europa esteja a decorrer de forma positiva. O que é menos conhecido é que este mesmo produto vai chegar a outras regiões com outra identidade: em vez de Dacia, terá logótipo da Renault.
Renault Boreal: o Bigster com imagem mais sofisticada
O Renault Boreal é, na prática, uma interpretação mais “arrumada” e elegante do Dacia Bigster. A dianteira ganha um desenho mais trabalhado, a assinatura luminosa é mais contemporânea e o habitáculo aposta num nível de acabamento superior, com iluminação ambiente e um sistema de infoentretenimento baseado em serviços da Google.
Ainda assim, há elementos que transitam sem rodeios: mantém-se o tejadilho panorâmico, as jantes de 19”, as proteções plásticas à volta da carroçaria e uma consola central volumosa, tal como no Bigster. A diferença está sobretudo na “roupagem” - por dentro e por fora - que aqui se sente menos aventureira e mais moderna.
Esta estratégia de dupla identidade não é nova no universo do Grupo Renault: adaptar design, equipamentos e posicionamento conforme o mercado permite aproveitar uma base técnica comum e, ao mesmo tempo, responder a preferências locais (desde a perceção de estatuto da marca até às exigências de equipamento e conectividade).
Também é expectável que, em mercados onde a Renault tem uma rede mais extensa e um peso comercial superior, o Boreal beneficie de uma integração mais natural na oferta, tanto ao nível da assistência como na forma como é comunicado face à concorrência no segmento C.
Apenas uma motorização, para já
As diferenças mais relevantes surgem, contudo, nas motorizações. Ao contrário do Bigster, aqui não há sistemas híbridos - pelo menos nesta fase. O Renault Boreal é proposto apenas com um motor 1.3 turbo, associado a uma caixa automática de seis velocidades, com potência ajustada consoante o mercado.
No Brasil, por exemplo, este bloco pode debitar 156 cv ou 163 cv, quando funciona com combustível flexível, capaz de combinar gasolina e etanol. Já na Turquia, o mesmo motor fica-se pelos 138 cv.
Ainda assim, a própria Renault deixa em aberto a hipótese de, mais à frente, disponibilizar este modelo com outras soluções mecânicas noutros destinos. Para já, não são conhecidas variantes adicionais do Boreal, que será produzido precisamente no Brasil e na Turquia.
Calendário de lançamento e mercados
A estreia comercial do Renault Boreal acontece primeiro no Brasil, mais perto do final do ano. Quanto aos restantes mercados, a marca aponta a expansão para 2026.
No total, este SUV deverá ser comercializado em 17 países sul-americanos e em 54 mercados do leste da Europa e Médio Oriente.
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