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Aconteceu. Carro chinês foi o mais vendido no Reino Unido

SUV verde metálico estacionado num espaço interior moderno com janelas grandes e chão de azulejo.

Num panorama em que modelos como o Ford Puma, o Nissan Qashqai ou o Kia Sportage se têm mantido no topo durante anos, surgiu uma novidade inesperada: pela primeira vez, um automóvel de origem chinesa liderou as vendas no Reino Unido.

O responsável por esta viragem é o Jaecoo 7, um SUV de uma marca do grupo Chery. O modelo acabou de desembarcar em Portugal e está disponível no mercado britânico desde janeiro de 2025.

Em março, o Jaecoo 7 foi proposto com motor a gasolina e também numa versão híbrida com carregamento externo (PHEV). Nesse mês, somou 10 064 unidades vendidas no Reino Unido - um volume que bastou para superar o habitual líder Ford Puma (9193 unidades), bem como o Nissan Qashqai (8718 unidades) e o Kia Sportage (7310 unidades).

Este resultado tem ainda mais impacto por ter sido alcançado no mês mais decisivo do calendário comercial britânico. Março é quando entram em vigor as novas matrículas e, por tradição, concentra o maior pico de vendas do ano.

Com o impulso de março, o Jaecoo 7 saltou para segundo lugar no acumulado do ano entre os automóveis mais vendidos no Reino Unido. À sua frente permanece apenas o Ford Puma, com uma diferença inferior a 600 unidades: 15 569 unidades para o Jaecoo 7 contra 16 128 unidades do Ford Puma.

De onde vem este sucesso do Jaecoo 7?

Apesar de a marca chinesa ainda ser pouco familiar para muitos consumidores, tornar-se o carro mais vendido do Reino Unido em tão pouco tempo assenta em vários pilares - e o preço é um dos mais óbvios. Face a rivais directos, o Jaecoo 7 pode ficar cerca de 5000 euros (ou mais) abaixo, sobretudo na versão PHEV, que é também a mais procurada. Ainda assim, chega com um nível de equipamento de série que, em muitos casos, iguala ou até supera o da concorrência.

Outro elemento relevante foi a rapidez na implantação comercial: a Jaecoo conseguiu, em pouco mais de um ano, montar uma rede de quase 130 pontos de venda, recorrendo a acordos com diferentes distribuidoras.

Há, no entanto, um factor que tem pesado bastante na decisão: o estilo. No Reino Unido, a imprensa especializada não demorou a baptizar o modelo como o “Range Rover da Temu”, expressão que ganhou tracção e ajudou a consolidar a imagem do SUV.

Essa comparação não surgiu do nada. O Jaecoo 7 apresenta linhas que evocam o Range Rover Evoque, um modelo frequentemente elogiado pela estética. A soma de uma aparência com esse tipo de inspiração e um preço mais contido tem estado a empurrar muitos clientes para os concessionários da marca.

Para lá do produto e do marketing, existe ainda um aspecto prático que começa a influenciar a adopção de novas marcas: a experiência de compra e pós-venda. Num mercado tão exigente como o britânico, a disponibilidade de assistência, prazos de manutenção e condições de garantia (sobretudo nas versões electrificadas) tende a pesar cada vez mais na decisão - e pode ser determinante para transformar curiosidade inicial em fidelização.

Também o valor futuro no mercado de usados será um teste importante. À medida que o Jaecoo 7 acumular quilómetros nas estradas e histórico de fiabilidade, a forma como se comporta na desvalorização poderá reforçar (ou travar) a subida do modelo, em especial entre clientes de frotas e particulares atentos ao custo total de utilização.

Conseguirá manter o sucesso no Reino Unido?

Fica por perceber se esta liderança foi apenas um pico momentâneo ou se marca o início de uma alteração mais profunda nas preferências do mercado. O Jaecoo 7 tem aparecido com frequência entre os 10 automóveis mais vendidos no Reino Unido nos últimos meses, mas conservar o primeiro lugar num dos maiores mercados europeus - que foi o segundo maior em 2025 - é um desafio completamente diferente.

O certo é que o contexto está a favorecer uma mudança mais ampla: tal como a Jaecoo, outras marcas chinesas têm registado subidas muito rápidas no Reino Unido. O caso mais evidente é o da BYD, cujas vendas mais do que duplicaram em março de 2026, ultrapassando construtores com maior historial no país, como a Hyundai e a Peugeot. Nesse mesmo mês, a quota de mercado conjunta das marcas chinesas atingiu 15% no Reino Unido.

No Reino Unido, as marcas chinesas deixaram claramente de estar no papel de figurantes.

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