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Exército Brasileiro avança com a Força 40 rumo a 2040

Soldados em uniformes camuflados planeiam estratégia militar usando mesa digital interativa e dispositivos móveis.
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Contexto e objectivo da Força 40 do Exército Brasileiro

O mundo vive uma fase de mudanças aceleradas, marcada por instabilidade geopolítica, avanços tecnológicos e novas formas de conflito que deixaram de estar confinadas ao campo de batalha clássico. É neste enquadramento que o Exército Brasileiro começa a dar forma à chamada “Força 40” (Fuerza 40), uma visão de transformação que antecipa a evolução da Força Terrestre até ao horizonte de 2040.

Mais do que renovar equipamentos ou ajustar organigramas, a Força 40 traduz uma alteração mais estrutural na maneira como o Exército Brasileiro se organiza, planeia e actua. O propósito é preparar a instituição para um ambiente operacional multidomínio - mais complexo, mais interligado e significativamente mais dinâmico.

Política de Transformação do Exército Brasileiro (EB10-P-01.031)

Esta viragem ficou formalizada na Política de Transformação do Exército Brasileiro (EB10-P-01.031), aprovada pela Ordem C Ex n.º 2.662, de 9 de Abril de 2026. O documento fixa o quadro orientador da transformação e identifica quatro eixos centrais: desenho institucional, capacidades, doutrina e pessoal.

Desenho institucional e resposta modular

Na prática, o primeiro passo passa pela reorganização do desenho institucional. O Exército passa a estruturar as suas forças de forma mais modular e flexível, distribuídas por forças de emprego imediato (FEI), forças de emprego de prontidão (FEP), forças de emprego contínuo (FEC), forças de emprego multidomínio e módulos de apoio alargado. A intenção é assegurar respostas mais rápidas e ajustadas a cada tipo de crise.

Também o cenário em que estas forças irão actuar se transformou. “Hoje em dia, o conflito já não se limita ao confronto directo.” Prolonga-se pela chamada «zona cinzenta», onde ganham relevância as acções cibernéticas, a guerra electrónica, as operações de influência e a desinformação. É uma disputa persistente, muitas vezes sem fronteiras bem definidas.

Capacidades, doutrina e pessoal num campo de batalha multidomínio

Em simultâneo, o campo de batalha tornou-se multidomínio. Terra, ar, mar, espaço e o ambiente electromagnético-cibernético-cognitivo passam a funcionar de modo integrado. Sistemas autónomos, sensores avançados e inteligência artificial tornam os ciclos operacionais mais rápidos e mais interconectados, encurtando o intervalo entre detectar, decidir e actuar.

Neste contexto, o eixo das capacidades assume um papel central. O Exército Brasileiro procura incorporar tecnologias emergentes e disruptivas, reforçando sobretudo o comando e controlo, a superioridade da informação, a protecção das forças, o apoio e sistemas de armas com maior alcance e precisão.

Por sua vez, o eixo de doutrina e pessoal aborda tanto a forma de combater como as pessoas que irão operar neste novo ambiente. A doutrina progride de forma contínua, acompanhando a transformação tecnológica, enquanto o pessoal é preparado para actuar com mais autonomia, liderança e capacidade de decisão ao nível táctico, dentro do conceito de missão por propósito.

No seu conjunto, a Força 40 não é apenas uma previsão do futuro, mas uma reorganização concreta da forma como o Exército Brasileiro interpreta o combate moderno. É uma adaptação directa a um cenário em que a informação, a velocidade e a integração determinam o desfecho das operações, e em que estar preparado significa estar pronto para actuar em múltiplos domínios ao mesmo tempo.

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