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Cotecmar apresenta proposta de OPV-80 e OPV-93 ao Uruguai

Dois homens sentados à mesa a discutir junto a modelo de navio militar com bandeiras do Uruguai e Colômbia.

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Quando foi anunciada a deslocação do presidente da Cotecmar, o Contra-almirante Walter Olmedo Wilches Carvajal, à República Oriental do Uruguai, este jornalista recordou uma conversa e entrevista feitas ao anterior presidente da corporação, o Vice-almirante Luis Fernando Márquez Velosa. Nessa ocasião, abordou-se o tema das necessidades da Armada uruguaia e a hipótese de o estaleiro apresentar uma proposta alinhada com as exigências desse contrato.

Visita da Cotecmar a Montevideu e reunião no Ministério da Defesa

No dia 16 de junho de 2026, o principal responsável do estaleiro colombiano COTECMAR deslocou-se a Montevideu acompanhado pelo embaixador da Colômbia, Francisco José Coy Granados, para uma reunião oficial no Ministério da Defesa do Uruguai. A comitiva foi recebida pela ministra Sandra Lazo, na presença de elementos da sua equipa, incluindo a directora de Assuntos Internacionais, Nastasia Barceló, e o assessor Daniel Marsiglia.

A deslocação enquadra-se na necessidade do Governo uruguaio de identificar um novo fornecedor de embarcações patrulheiras oceânicas (OPV).

O contrato com a Cardama e a rescisão por incumprimento

O Ministério da Defesa do Uruguai, durante a administração do ex-presidente Luis Lacalle Pou, assinou a 15 de dezembro de 2023 um contrato com a Cardama para a aquisição de dois navios de patrulha oceânica por 92 milhões de dólares. O programa naval previa dotar as embarcações com torres de armas da empresa espanhola Escribano Mechanical & Engineering, integrando um canhão Bushmaster Mk44 de 30 mm e metralhadoras de 12,7 mm; motores principais Caterpillar modelo C-280-16 de 5.060 kW; e sistemas de comando e controlo da dinamarquesa Terma.

Ainda assim, vieram a ser identificadas irregularidades no processo, entre as quais a apresentação tardia e fraudulenta de garantias, atrasos significativos na construção e a desistência/cancelamento de fornecedores. Este conjunto de factores acabou por conduzir, em fevereiro de 2026, à rescisão do contrato por incumprimentos graves.

A proposta colombiana

A Cotecmar colocou em cima da mesa dois desenhos principais: a OPV-80, baseada em planos do estaleiro alemão Fassmer, com um comprimento total de 80,6 metros, e a OPV-93, desenvolvida integralmente como Patrulheira Oceânica Colombiana. Em ambos os casos, trata-se de plataformas orientadas para missões de vigilância e protecção marítima, controlo de fronteiras, combate ao contrabando, operações de busca e salvamento e apoio a embarcações em situação de emergência.

Quanto ao historial do estaleiro, importa sublinhar que já foram construídas 3 OPV 80 para a Armada da Colômbia, plenamente operacionais: ARC 20 de Julio, ARC 7 de Agosto e ARC Victoria. Mais recentemente, foi também entregue uma OPV 93, a ARC 24 de Julio.

OPV-80 e OPV-93: capacidades, autonomia e dimensões

A Classe OPV-80 apresenta 80,6 metros de comprimento e 1.814 toneladas de deslocamento, atingindo uma velocidade máxima de 21 nós e uma autonomia até 40 dias. Dispõe de 13 metros de boca e um calado de 3,60 metros. A guarnição é composta por 64 pessoas, existindo capacidade de transporte para mais 36 pessoas. A autonomia mínima indicada é de 4.400 milhas náuticas a 18 nós e a máxima de 10.000 milhas a 12 nós.

Já a OPV 93 oferece um alcance que pode chegar às 9.000 milhas náuticas em velocidade de patrulha económica (12 nós), e a sua autonomia no mar ultrapassa os 40 dias, com uma velocidade máxima entre 21 e 25 nós. No que toca às dimensões, tem 93 metros de comprimento, 14,2 metros de boca e um calado a plena carga de 4,1 metros, com um deslocamento de aproximadamente 2.665 toneladas em missão.

No capítulo do armamento, ambos os modelos admitem uma configuração ampla e adaptável: como peça principal, um canhão único de 40 mm, uma montagem dupla do mesmo calibre, ou um canhão rapid de 76 mm. Podem ainda ser integradas estações de 30 mm ou 20 mm de vários fabricantes e estações remotas para metralhadoras .50, conforme as necessidades do cliente, oferecendo à Armada do Uruguai margem de decisão em termos de custos e poder de fogo.

Vantagens comparativas apontadas para a oferta da Cotecmar

As vantagens comparativas apresentadas para a proposta colombiana são as seguintes:

  • Experiência de mais de 20 anos do estaleiro
  • Elevada autonomia, permitindo cobrir toda a Zona Económica Exclusiva
  • Contrato governo a governo, o que protegeria o processo face à corrupção
  • Experiência na construção de embarcações iguais e em desenvolvimento contínuo
  • Flexibilidade na instalação de equipamentos de detenção, protecção e de comando e controlo
  • Trinómio de vigilância com helicóptero, navio e lanchas interceptadoras de destacamento rápido
  • Experiência operacional das unidades; a primeira unidade já soma 14 anos de utilização com excelentes resultados
  • Possibilidade de emprego como navios de investigação, tal como ocorreu nas viagens antárcticas realizadas para a ARC
  • Adequação ao orçamento estabelecido de 120 milhões de dólares
  • Navios novos, saídos de fábrica, e não embarcações usadas
  • Entrega rápida; entre os concorrentes, a Cotecmar é quem garante a entrega mais próxima à Armada uruguaia

Outras alternativas em avaliação pelo Governo do Uruguai

Entre as restantes opções apresentadas ao Governo do Uruguai encontra-se a do consórcio naval francês Naval Group e Kership, que submeteu uma proposta de construção baseada no desenho OPV 87 Classe Gowind. Esta solução prevê um navio com 87 metros de comprimento, 14 metros de boca e um deslocamento aproximado de 1.650 toneladas, sendo descrita como altamente sofisticada e com provas dadas em missões reais. Como pontos negativos, é referida a autonomia limitada a apenas 20 dias e os custos elevados de construção e de suporte tecnológico, que tendem a ser substancialmente superiores às opções asiáticas ou latino-americanas.

Existe também a proposta do gigante naval asiático Hyundai Heavy Industries (HHI), que promove a sua plataforma adaptada HDP-2200: uma plataforma oceânica robusta, acima das 2.000 toneladas de deslocamento, desenhada para elevada resiliência climática, equipada com sistemas avançados de automatização e propulsão eficiente. Acresce um forte respaldo político e estatal e um histórico de negociações anteriores bem avaliado à escala mundial. Ainda assim, são apontadas como desvantagens a grande distância geográfica, com impacto numa cadeia inicial de fornecimento de sobressalentes e peças específicas (o que pode encarecer ou atrasar a manutenção no longo prazo), e, sobretudo, o custo por unidade, que pode ultrapassar os 90 milhões de dólares.

Por fim, o Reino Unido, através da Royal Navy, apresentou uma alternativa em segunda mão e uma oferta para transferir três navios patrulha oceânicos da Classe River (Batch 1), nomeadamente: HMS Tyne, HMS Mersey e HMS Severn. Estas unidades estão em operação desde 2003 e têm baixa programada na Marinha Real Britânica para 2028. Embora reduzam o custo de aquisição, por serem navios construídos no início dos anos 2000 apresentam capacidades tecnológicas mais limitadas; além disso, a Armada uruguaia teria de assumir os custos associados à remoção de obsolescências e à manutenção de cascos com anos de serviço acumulados no Mar do Norte.

Depois de comparadas as opções e as características das diferentes ofertas, torna-se evidente que a solução apresentada pela Cotecmar surge como uma das mais qualificadas, ajustando-se aos itens e às necessidades do país oriental, restando aguardar que este navio chegue a bom porto.

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