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Trump em Pequim: relações com a China e conversações com Xi Jinping sobre Irão e Taiwan

Dois líderes políticos apertam as mãos numa mesa com miniatura de avião e bandeiras ao fundo.

Trump insiste que as relações EUA–China estão a melhorar

Donald Trump reafirmou esta sexta-feira, no último dia de uma visita à China, que a relação entre os dois países é positiva e está a evoluir no bom sentido, apesar de continuarem a existir divergências profundas, sobretudo em dossiês como o Irão e Taiwan.

Numa publicação nas redes sociais, o Presidente dos Estados Unidos relatou que, na reunião de quinta-feira, Xi Jinping “deu-me os parabéns por tantos sucessos tremendos”.

Trump sustentou ainda que Xi estava a aludir exclusivamente ao seu antecessor, Joe Biden, quando “se referiu, de forma muito elegante, aos Estados Unidos como talvez uma nação em declínio”.

Compras chinesas anunciadas: petróleo, soja e aviões da Boeing

Depois do encontro com Xi Jinping, em Pequim, o Presidente norte-americano disse que a China aceitou adquirir petróleo, aviões da Boeing e soja aos Estados Unidos.

Em entrevista à Fox News, Trump declarou: “Uma coisa em que penso que vamos chegar a acordo é que concordaram em comprar petróleo aos Estados Unidos”.

Na mesma entrevista - sem avançar pormenores específicos sobre os compromissos discutidos com Xi - acrescentou: “Vão para o Texas. Vamos começar a enviar navios chineses para o Texas, Louisiana e Alasca... isso é muito importante”.

O Presidente afirmou igualmente que a China vai “investir muito na soja” e que as aquisições chinesas deste grão, crucial para os agricultores do centro-oeste dos Estados Unidos, serão “maiores do que antes”.

Trump adiantou também que a China irá anunciar a compra de 200 aviões comerciais da Boeing. O líder da empresa, Kelly Ortberg, integrou a delegação empresarial norte-americana deslocada à China.

“Xi concordou em comprar 200 aviões. Isto é grande; são 200 aviões grandes. Isto vai criar muitos empregos, e a Boeing queria 150, e foram 200”, afirmou Trump, embora as expectativas de Ortberg e de analistas de mercado apontassem para 500 aviões.

Novo encontro antes da partida e o simbolismo de Zhongnanhai

Os líderes das duas maiores potências mundiais reúnem-se novamente hoje, antes de Trump sair de Pequim, durante a tarde, para regressar aos Estados Unidos.

De acordo com a agenda, o Presidente norte-americano almoça com o líder chinês por volta do meio-dia (5h em Lisboa), em Zhongnanhai, o complexo junto à Cidade Proibida que acolhe algumas das atividades da liderança chinesa.

O local, que teve Mao Zedong entre os seus residentes mais conhecidos, está historicamente ligado a encontros de alto nível entre dirigentes chineses e figuras estrangeiras.

Ainda assim, a presença de líderes estrangeiros no interior do complexo é relativamente pouco frequente e, por isso, costuma ser entendida como um sinal de proximidade política e diplomática.

Esta visita de Estado, com duração inferior a 48 horas, é a segunda de Trump à China desde a deslocação de 2017, durante o primeiro mandato presidencial do republicano, e a primeira desde o seu regresso à Casa Branca, em janeiro de 2025.

Irão e estreito de Ormuz no centro das conversações

Na quinta-feira, Trump afirmou ter recebido de Xi Jinping abertura para ajudar a reabrir o estreito de Ormuz, que se encontra sob bloqueio iraniano há seis semanas.

“O Presidente Xi gostaria de ver um acordo. Ele disse: ‘Se eu puder ajudar de alguma forma, terei todo o prazer em ajudar’”, contou Trump, também à Fox News.

A China é o principal importador de petróleo iraniano e um parceiro de Teerão, que, desde os primeiros dias da guerra lançada pelos Estados Unidos e Israel, em 28 de fevereiro, mantém o estreito de Ormuz sob ameaça militar.

Segundo a agência noticiosa iraniana Tasnim, as forças navais do Irão autorizaram, desde quarta-feira, a passagem de vários navios chineses pelo estreito de Ormuz, no próprio dia da cimeira em Pequim.

De acordo com um comunicado da Casa Branca, durante a cimeira ambos os presidentes defenderam a reabertura do estreito de Ormuz ao tráfego de hidrocarbonetos sem portagens e a necessidade de um Irão sem armas nucleares.

O mesmo comunicado referiu que Xi mostrou interesse em aumentar a compra de petróleo aos Estados Unidos, com o objetivo de diminuir a dependência chinesa das importações que atravessam o estreito de Ormuz.

Taiwan e o aviso de Xi Jinping a Washington

Também na quinta-feira, Xi Jinping alertou Trump para a possibilidade de um confronto entre os dois países caso Washington não trate devidamente a questão de Taiwan, segundo a televisão estatal chinesa.

“A questão de Taiwan é a mais importante nas relações sino-americanas. Se for bem gerida, as relações entre os dois países poderão manter-se globalmente estáveis. Se for mal gerida, os dois países irão confrontar-se, podendo mesmo entrar em conflito”, declarou Xi, recorrendo a um termo em mandarim que não implica necessariamente um conflito militar.

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