Metsola sublinha o papel de Aníbal Cavaco Silva na integração europeia
A presidente do Parlamento Europeu realçou o "contributo essencial em momentos-chave da integração europeia" do antigo primeiro-ministro e antigo Presidente da República Aníbal Cavaco Silva, um dos distinguidos com a recém-criada Ordem Europeia de Mérito.
Numa entrevista escrita à Lusa, a propósito da cerimónia de atribuição da Ordem a 20 laureados - a primeira distinção concedida pelas instituições da UE a pessoas singulares (e não a organizações) por "contributos excecionais para a unidade europeia, a democracia e os valores fundamentais consagrados nos Tratados da União" -, Roberta Metsola defendeu que "Aníbal Cavaco Silva construiu a Europa em vez de se limitar a acreditar nela".
"Enquanto primeiro-ministro, liderou a adesão de Portugal às Comunidades Europeias e conduziu o país durante a primeira década enquanto Estado-membro. Desempenhou um papel importante na integração democrática do país no projeto europeu. Sob a sua liderança, a primeira Presidência portuguesa do Conselho da União Europeia em 1992 teve como lema "Rumo à União Europeia", refletindo o seu compromisso com uma Europa mais forte e mais unida", sublinhou.
A líder maltesa apontou ainda o "contributo essencial" de Cavaco Silva "em momentos-chave da integração europeia", nomeadamente "na assinatura do Tratado de Maastricht, em 1992 e, mais tarde, nas negociações e na assinatura do Tratado de Lisboa, em 2007, que ajudou a moldar a União Europeia tal como a conhecemos hoje".
"Num discurso no Parlamento Europeu em 2007, Cavaco Silva afirmou que a determinação coletiva é verdadeiramente essencial para tornar a Europa mais forte e mais coesa. Eu não podia estar mais de acordo", acrescentou.
Ordem Europeia de Mérito: objetivo e significado
Sobre a nova Ordem Europeia de Mérito, instituída pelo Parlamento Europeu em maio de 2025 para assinalar os 75 anos da Declaração de Schuman, Metsola explicou à Lusa que, "num momento em que o mundo se torna cada vez mais incerto e volátil, é importante reconhecer as pessoas que ajudaram a construir a Europa com coragem, convicção e com uma crença inabalável nos nossos valores comuns: democracia, liberdade e paz".
"A Europa sempre avançou porque houve pessoas dispostas a assumir responsabilidades, a defender aquilo em que acreditavam, mesmo nos momentos mais difíceis. E é exatamente isso que a Ordem Europeia do Mérito procura homenagear. Compromisso. Compromisso com a Europa, com os nossos valores comuns e com a convicção de que a nossa União é mais forte quando estamos unidos", afirmou.
A presidente do Parlamento Europeu acrescentou que a distinção "pretende também inspirar as gerações futuras a continuarem a defender a Europa" e os seus princípios fundadores, frisando que a Europa continua a "ser construída peça a peça, através de realizações muito sólidas de muitas mulheres e homens notáveis, de todos os setores da sociedade".
Metsola admitiu igualmente que "não ficaria surpreendida" se, nas próximas edições, surgirem mais portugueses entre os homenageados.
"O Parlamento Europeu está empenhado em continuar a homenagear aqueles que tenham tido um contributo extraordinário para os valores europeus, a unidade e a integração. Portugal tem uma tradição notável de líderes que moldaram a Europa. Por isso, não ficaria surpreendida se mais portuguesas e portugueses fossem reconhecidos com a Ordem Europeia do Mérito no futuro", concluiu.
Cerimónia em Estrasburgo e primeiros 20 laureados
O Parlamento Europeu vai distinguir, na sessão plenária da próxima semana em Estrasburgo, os primeiros 20 laureados da recém-criada Ordem Europeia de Mérito, numa cerimónia marcada para terça-feira de manhã, no hemiciclo.
A 10 de março passado, a assembleia europeia anunciou os 20 primeiros homenageados da Ordem, que integra três níveis de distinção por grau crescente - membro, membro honorável e membro distinto - e, além de Cavaco Silva, distinguido com o grau de membro honorário, foram também reconhecidos, entre outros, o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, a ex-chanceler alemã Angela Merkel, o ex-presidente polaco Lech Walesa (os três primeiros enquanto "membros insignes") e o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano (membro honorável).
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