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Renault Symbioz recebeu o motor estreado na Dacia: ficou melhor?

Carro Renault Symbioz 160 verde escuro com detalhes laranja, estacionado em piso molhado à noite.

Até agora, o Renault Symbioz tinha de convencer sobretudo pelo espaço extra face ao Captur. Com esta atualização, passa a ter mais um argumento para entrar na conversa.

À primeira vista, o Symbioz continua a parecer um modelo algo preso no meio da gama: é demasiado caro para ser apenas uma alternativa ao Captur, mas também não chega para desafiar de frente o Austral, apesar de existir ainda o Arkana pelo caminho.

Mesmo assim, há uma ideia que se impõe depressa: o Symbioz tem um trunfo claro, e esse trunfo chama-se espaço. A bagageira mais generosa e os bancos traseiros deslizantes, com mais folga para quem viaja atrás, afastam-no do Captur e transformam-no numa solução bem mais convincente para famílias.

Agora, soma-se mais um motivo para o considerar. A Renault deu-lhe o sistema híbrido estreado no Dacia Bigster, com o motor 1.8, que já tínhamos testado recentemente em vídeo.

Por isso, não vou perder tempo com as dimensões e cotas de habitabilidade deste SUV, tema que o Miguel Dias já tratou quando passou uns dias a sós com o Symbioz. Vale a pena ler - ou reler - o seu ensaio.

Neste primeiro contacto, em Mortefontaine, em França, foquei-me sobretudo na nova motorização full hybrid que vive debaixo do capô, até porque este é o primeiro modelo da Renault a utilizá-la.

Quais as diferenças?

Por fora, nada denuncia que estamos perante um Symbioz com uma nova motorização. Mas, como já referi, as principais diferenças não estão à vista… a menos que se levante o capô. Vamos aos números.

Face à antiga motorização híbrida, baseada num motor 1.6, o Symbioz passa agora a usar o novo bloco 1.8, estreado recentemente pelo Grupo Renault no Dacia Bigster.

Para além da cilindrada maior, o motor de combustão atmosférico recebeu mais 15 cv de potência, passando para 109 cv, e mais 22 Nm de binário, chegando aos 172 Nm. No conjunto, o sistema híbrido evolui dos 145 cv para 160 cv de potência combinada - mais 5 cv do que no SUV romeno.

O que se mantém inalterado são os dois motores elétricos montados à frente: um tem funções de tração e debita 36 kW (49 cv); o outro funciona como motor-gerador e disponibiliza 15 kW (20 cv).

Outra novidade está na bateria, que agora tem 1,4 kWh de capacidade, contra os anteriores 1,2 kWh, permitindo ao Symbioz circular grande parte do tempo em cidade em modo 100% elétrico. E, claro, os consumos beneficiam disso: a Renault anuncia 4,4 l/100 km (WLTP) e 99 g/km de CO2 - menos 0,2 l/100 km e menos 7 g/km de CO2 do que no anterior 1.6.

Mas, deixando a ficha técnica de lado, a sensação logo ao volante é de um sistema mais disponível e mais “solto”.

Como é conduzi-lo?

Em estrada, e apesar de o contacto ter sido curto, bastaram poucos quilómetros ao volante do Renault Symbioz E-Tech 160 para ficar bastante impressionado com a evolução do sistema full-hybrid. Mostra-se sempre progressivo e com muita disponibilidade desde baixas rotações.

Outro ponto que evoluiu foi a caixa Multimodo, que na versão anterior do sistema híbrido por vezes parecia hesitante e pouco refinada.

A Renault ouviu as nossas críticas e trabalhou nesse aspeto. E ainda bem: o resultado foi no sentido certo. As mudanças de relação estão mais suaves e rápidas, o que torna a condução bem mais agradável.

Em acelerações mais fortes, como seria de esperar, o motor a gasolina continua a fazer-se ouvir, mas a rapidez de resposta da caixa e a forma como baixa o regime são dignas de nota, sobretudo quando comparadas com o que acontecia antes. Mesmo em autoestrada, o ruído nunca chega a ser incómodo.

No que diz respeito à experiência de condução, há pouco a apontar. Graças a uma boa gestão do sistema híbrido - tudo automático, sem intervenção do condutor - damos por nós a circular em modo 100% elétrico mais vezes do que esperaríamos.

Até o tato do pedal do travão, que nos híbridos tende muitas vezes a ser difícil de interpretar, não merece críticas: mostrou-se sempre progressivo e intuitivo.

Quando aceleramos o ritmo, percebe-se rapidamente que o acerto dinâmico foi sacrificado em favor do conforto, mesmo nesta versão Esprit Alpine - a única disponível em Portugal - que traz jantes de 19″.

O Symbioz nunca se torna desconfortável, mesmo em pisos degradados. E, apesar de os plásticos dominarem o habitáculo, a montagem revelou-se sólida, sem ruídos parasitas a registar.

Consumos de Diesel

O que também surpreendeu foram os consumos, que ficaram facilmente abaixo dos valores anunciados pela marca: no trajeto que fiz, em diferentes tipos de estrada, consegui uma média de 4,2 l/100 km.

As boas notícias não ficam por aqui. Com um depósito de 48 litros, podemos contar com autonomias acima dos 1100 quilómetros, algo que nenhum 100% elétrico ainda consegue prometer.

É verdade que só um teste mais prolongado em solo nacional permitirá avaliar melhor a eficiência deste sistema.

Ainda assim, se olharmos para os números recentemente obtidos no Bigster, que é maior e mais pesado do que o Symbioz, a conclusão mais natural é que os consumos deste primeiro contacto serão facilmente replicáveis.

Como ficam os preços?

O novo Renault Symbioz E-Tech 160 começa nos 37 800 euros e, ao contrário da versão de 145 cv, está disponível apenas numa variante: a Esprit Alpine, que é também a mais equipada.

Apesar de trazer uma lista de equipamento de série extensa e mais apelativa, se quisermos acrescentar extras como o teto panorâmico ou o pacote adicional de assistências à condução, o valor final do SUV francês pode facilmente ultrapassar a barreira dos 40 mil euros.

Fazendo as contas, e muito por causa da fiscalidade portuguesa, torna-se difícil justificar a diferença face a um Captur equivalente que, em breve, também vai receber esta nova motorização.

Só faz sentido pagar mais quem precisa mesmo de espaço adicional para a bagagem. Mas mesmo nesse cenário, o Renault Austral com a motorização híbrida E-Tech 200 custa apenas mais cerca de 2000 euros. Vale a pena pensar no salto. No fundo, é um modelo superior em praticamente tudo.

Se a escolha da motorização full-hybrid não for obrigatória, há boas notícias. O Renault Symbioz passou também a estar disponível com motorização mild-hybrid, com preços bem mais simpáticos - a partir de 29 300 euros. Conheça a gama completa neste artigo:

Veredito

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