“Tanto a China como os Estados Unidos têm a ganhar com a cooperação e a perder com o confronto”, disse esta quinta-feira o Presidente chinês, Xi Jinping. Do lado norte-americano, Donald Trump está em Pequim para dar seguimento ao que classificou como “uma das relações mais marcantes da história mundial”.
Segue-se um conjunto de cinco gráficos que ajudam a perceber como evolui esta relação.
Tecnologia e comércio: terras raras, balança comercial e tarifas
As terras raras são uma matéria-prima indispensável para os sectores tecnológico, automóvel e de defesa. Tratam-se de minerais estratégicos críticos para economias que pretendem afirmar-se tecnologicamente, e a China é o país com as reservas mais significativas à escala mundial. Também são fundamentais para a indústria norte-americana, que dispõe de reservas mais reduzidas - razão pela qual as limitações à exportação foram usadas por Pequim como retaliação às tarifas aplicadas pela administração Trump.
Nas conversações de outubro, na cimeira de Busan, na Coreia do Sul, foi acordado que a China faria uma pausa de um ano nos controlos de exportação de terras raras e semicondutores. Ainda assim, a Reuters avançou que o país asiático continua a restringir o envio de alguns destes minerais.
No comércio bilateral, o desequilíbrio é evidente: os EUA compram à China muito mais do que conseguem vender ao mercado chinês. Ao mesmo tempo, isso significa que as exportações chinesas para os EUA têm impacto relevante na economia liderada por Xi Jinping.
Segundo dados do WITCS, em 2023 essas exportações representavam 14,83% dos valores de exportação da China. Trump recorreu a tarifas para procurar travar a compra de produtos chineses. Em abril do ano passado, as tarifas norte-americanas sobre bens provenientes da China situavam-se em 100%. Contudo, foi acordado tréguas por um ano na Coreia do Sul, com as tarifas a fixarem-se em 47,5%.
Apesar da quebra das vendas para Washington, a China conseguiu alargar a sua carteira de clientes e fechou 2025 com o maior excedente comercial da sua história. Já Washington mantém uma balança comercial negativa, embora bastante menor quando comparada com a existente aquando da visita de Trump à China no seu primeiro mandato.
Conselho de Segurança das Nações Unidas: o peso do poder de veto
Para que o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprove resoluções, é necessário que nenhum dos cinco membros permanentes - China, EUA, França, Reino Unido e Rússia - use o poder de veto. E, enquanto a China recorreu ao veto apenas 22 vezes em toda a história da organização, os dados da ONU indicam que os EUA o utilizaram 95 vezes.
Energia e defesa: consumo, renováveis e capacidade militar
No ranking dos maiores consumidores de energia do mundo, a China surge em primeiro lugar e os EUA em segundo, mas com diferenças marcantes no tipo de energia consumida por cada um. Em 2023, o petróleo correspondia a apenas 20% do consumo energético da China - assente sobretudo no carvão (62%) -, ao passo que, nos EUA, o petróleo representava 38%.
Mesmo com o consumo de carvão ainda elevado, a China tem reforçado a aposta em energias renováveis. A Agência de Energia Internacional estima que o país tenha contribuído para 40% da expansão da capacidade global de energia renovável verificada entre 2019 e 2024. Além disso, dispõe de reservas de petróleo para responder a variações de preços, num valor superior ao dos EUA.
Os EUA e a China são ambos Estados nucleares, ainda que estas armas estejam maioritariamente concentradas nos EUA e na Rússia. O Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo, que no ano passado alertou para uma nova corrida global às armas nucleares, estimava que o inventário mundial fosse de 12.241 ogivas em janeiro de 2025: 3700 pertencentes aos EUA e 600 à China.
A comparação entre as forças dos dois países não se esgota no arsenal nuclear, estendendo-se também ao investimento em defesa - e aqui os EUA lideram. De acordo com a Al Jazeera, Washington tem vantagem no poder aéreo por dispor de mais aeronaves, enquanto Pequim conta com mais navios. Ainda assim, os EUA conservam uma superioridade qualitativa ao nível do poder de fogo, dos submarinos e dos porta-aviões.
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