Negociações indiretas Israel-Líbano em Washington
Representantes de Israel e do Líbano voltaram a reunir-se esta quinta-feira, em Washington, para uma nova ronda de negociações indiretas, a poucos dias do término do cessar-fogo entre as partes, num contexto em que persistem ataques israelitas ao longo da fronteira.
A reunião, com mediação dos Estados Unidos e calendarizada para dois dias, realiza-se no Departamento de Estado norte-americano e corresponde à terceira ronda de conversações entre dois países que continuam sem manter relações diplomáticas.
Escalada na fronteira e balanço de vítimas
As conversações tiveram início um dia depois de novos bombardeamentos israelitas no sul do Líbano que, segundo Beirute, causaram 22 mortos. Já hoje, o Exército israelita anunciou mais ataques contra posições do Hezbollah, depois de ter ordenado a evacuação de oito aldeias na zona fronteiriça.
A Agência Nacional de Notícias do Líbano deu conta de novos bombardeamentos no sul do país. Do lado israelita, no norte de Israel, um ataque com drone atribuído ao Hezbollah feriu vários civis, de acordo com as autoridades do país.
O cessar-fogo, inicialmente acordado em abril e prolongado até domingo, não travou a continuidade da ofensiva israelita contra o Hezbollah, o movimento xiita apoiado pelo Irão.
Desde a entrada em vigor da trégua, em 17 de abril, mais de 400 pessoas morreram em ataques israelitas no Líbano, segundo uma contagem da agência France Presse (AFP) baseada em dados oficiais.
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, voltou a sublinhar na semana passada que Israel manterá os ataques contra o Hezbollah.
"Qualquer pessoa que ameace o Estado de Israel morrerá pelos seus atos", advertiu Netanyahu, após a morte de um alto comandante militar do grupo num ataque em Beirute.
Em Washington, o Governo libanês tenta assegurar "uma consolidação do cessar-fogo", conforme indicou um alto responsável libanês.
Ainda segundo as autoridades libanesas, mais de 2800 pessoas morreram no país desde o início do conflito, no começo de março, incluindo pelo menos 200 crianças.
Israel continua a concentrar as operações nos subúrbios do sul de Beirute, considerados um bastião do Hezbollah, e também no sul do Líbano, onde o Exército israelita ocupou durante anos uma faixa na região fronteiriça.
Posições sobre o Hezbollah e o papel dos Estados Unidos
O Hezbollah reafirmou esta quinta-feira a sua oposição às negociações em Washington.
Em paralelo, Teerão defende, nas negociações indiretas com Washington, que qualquer entendimento regional abranja igualmente o Líbano e obrigue Israel a pôr fim aos ataques contra o Hezbollah.
Os Estados Unidos, por sua vez, continuam a insistir no desarmamento do movimento xiita e no reforço da autoridade do Estado libanês.
"O desarmamento total do Hezbollah é essencial para a restauração plena da soberania do Líbano", declarou o Departamento de Estado norte-americano, em comunicado.
Washington entende ainda que as negociações devem traduzir "uma rutura completa" com a estratégia seguida nas últimas duas décadas, acusando o Hezbollah de ter fragilizado o Estado libanês e de ter ameaçado a segurança da fronteira norte de Israel.
Ao contrário do que aconteceu nas rondas anteriores, nem o Presidente norte-americano, Donald Trump, nem o secretário de Estado, Marco Rubio, participam nestas negociações, devido à visita oficial que ambos estão a realizar à China.
A mediação norte-americana está a cargo dos embaixadores dos EUA em Israel e no Líbano, Mike Huckabee e Michel Issa, respetivamente.
O Líbano faz-se representar pelo diplomata e advogado Simon Karam, enquanto Israel participa através do embaixador Yechiel Leiter, aliado próximo de Netanyahu.
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