Saltar para o conteúdo

José Luís Carneiro diz ser difícil acordo sobre legislação laboral se Governo insistir, diz ao primeiro-ministro Luís Montenegro

Homem em fato azul fala em conferência sobre reforma laboral com microfones e documento na mão.

José Luís Carneiro e a legislação laboral

José Luís Carneiro, líder do PS, admitiu hoje que um entendimento em torno da legislação laboral poderá tornar-se complicado caso o Governo mantenha "a insensibilidade e desumanidade" associadas à reforma, sublinhando que "desde a primeira hora" os socialistas se opuseram à iniciativa.

À margem de uma deslocação a uma escola, em Lisboa, integrada na Rota pelo Ensino e Formação Profissional, Carneiro foi confrontado pelos jornalistas com a reunião marcada para esta tarde com o primeiro-ministro, Luís Montenegro. Entre os assuntos previstos está a legislação laboral, num dia em que a proposta de lei deverá ser aprovada em Conselho de Ministros.

Na leitura do secretário-geral do PS, algumas das ideias avançadas pelo executivo ultrapassam limites e acabam por abrir "a selva às relações laborais".

Interrogado sobre a possibilidade de o PS vir a apoiar PSD e CDS-PP nesta reforma, respondeu que "não é difícil" - desde que o primeiro-ministro aceite "cair todos estes pilares fundamentais".

"Agora se o Governo insistir, se teimar, se for insensível, se continuar com esta insensibilidade, com esta desumanidade que trouxe para estas leis laborais... Veja, eu não estou a proteger-me a mim próprio, estou a proteger as pessoas, os meus semelhantes, que é o meu dever enquanto secretário-geral de um partido cujos fundamentos é precisamente os trabalhadores", afirmou.

Carneiro reiterou que o PS se colocou "contra a reforma laboral do Governo" "desde a primeira hora", recordando a posição assumida em 03 de agosto de 2025.

"Eu sou uma pessoa de esperança, como todos bem sabem, e tenho muita confiança no futuro do país e daqueles que constroem a nossa sociedade. Agora, vamos aguardar pela conversa que tenho com senhor primeiro-ministro, tenho o dever de respeitar essa conversa, de respeitar a convocatória que fez para podermos dialogar sobre esse e sobre outros temas", declarou.

Apesar de considerar que há boa-fé no processo, o dirigente socialista defendeu que os partidos que sustentam o Governo "estão errados nessa visão".

"Nós temos uma visão alternativa e vou apresentá-la, naturalmente, no debate político que vamos ter no parlamento com os nossos deputados e também no diálogo que terei com o primeiro-ministro", acrescentou.

Carneiro disse ainda que irá "transmitir ao primeiro-ministro que a proposta que o Governo apresentou não responde às necessidades da economia do país".

"Os trabalhadores e os jovens, as mulheres, as pessoas que fazem a sua vida, e que a querem fazer com dignidade, sabem que têm no PS um parceiro de confiança. Nós não dizemos uma coisa hoje e outra amanhã. É inaceitável que o Governo queira aumentar a precariedade laboral", frisou.

Linhas vermelhas do PS na reforma laboral

O líder socialista reforçou que o PS não viabilizará medidas "que se procure retirar direitos, nomeadamente, às mulheres trabalhadoras e aos trabalhadores na sua compatibilização da vida profissional com a vida familiar".

Também deixou avisos quanto a matérias concretas: "Nunca aceitaremos que se procure desvalorizar ou mitigar o regime sancionatório para o trabalho não declarado, porque trabalho não declarado é economia informal (...) Para nós é absolutamente inaceitável que se faça despedimento sem justa causa e que mesmo com decisão judicial as entidades empregadoras não sejam obrigadas a reintegrar os trabalhadores", assinalou.

Buscas da Polícia Judiciária e concursos para incêndios rurais

Questionado sobre a informação, divulgada pelo Now e confirmada à Lusa por fonte ligada ao processo, de que a Polícia Judiciária estará a realizar novas buscas por suspeitas de corrupção associadas a concursos públicos para o combate aos incêndios rurais - e que envolvem Ricardo Leitão Machado, cunhado do ministro António Leitão Amaro - Carneiro afirmou não ter conhecimento do tema.

"Mas se é um assunto dessa natureza, é um assunto da justiça, não é da vida política, naturalmente pode vir a ser da vida política, mas, para já, por aquilo que me está a dizer, será um assunto de natureza investigatória das autoridades judiciárias", disse, recusando-se a comentar.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário