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Relatório do GPMB: mundo continua mal preparado para nova pandemia

Mulher médica em jaleco aponta para mapa mundial com zonas destacadas numa sala de reunião com colegas ao fundo.

O mundo continua sem estar devidamente preparado para enfrentar uma nova pandemia, conclui um relatório divulgado esta segunda-feira pelo Conselho de Monitorização da Preparação Global (GPMB), que sustenta que as reformas realizadas não acompanharam o aumento do risco pandémico.

Alertas do Conselho de Monitorização da Preparação Global (GPMB)

Para o GPMB, as “provas são claras” de que, perante a possibilidade - considerada real - de uma nova pandemia, “os impactos sanitários, económicos, sociais e políticos (...) não diminuíram e, em áreas importantes, estão a aumentar”.

O conselho foi criado há oito anos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Banco Mundial “para ajudar a garantir que o mundo nunca mais viveria uma crise devastadora como a epidemia de ébola na África Ocidental” (2013-2016).

"Uma década depois de o ébola ter exposto perigosas falhas na preparação perante surtos e seis anos depois destas terem permitido que a covid-19 se transformasse numa catástrofe global, as provas são claras: o mundo não está mais seguro perante as pandemias", garantem os especialistas, citados pela agência noticiosa espanhola EFE.

Exemplos recentes: ébola e hantavírus

Um novo surto de ébola na República Democrática do Congo levou a OMS a declarar, no passado fim de semana, uma Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional - o segundo nível mais elevado de alerta - cerca de duas semanas depois de um surto de hantavírus num cruzeiro ter gerado alarme mundial, por receios de uma nova pandemia.

Porque cresce o risco pandémico

Os especialistas recordam que os surtos de doenças infecciosas têm sido mais frequentes e mais prejudiciais, e que os seus efeitos não se ficam pela saúde, podendo também provocar impactos severos na economia.

Acresce que o investimento em preparação não tem evoluído ao ritmo do crescimento do risco pandémico e que “o facto de as boas iniciativas serem contrariadas pelas tensões geopolíticas, pela alteração do equilíbrio dos ecossistemas, pelo aumento das viagens e pelos cortes da ajuda internacional ao desenvolvimento” ajuda a explicar o ponto em que o mundo se encontra.

Três prioridades urgentes indicadas no relatório

O relatório aponta três prioridades urgentes: criar um sistema independente de vigilância do risco pandémico, assegurar financiamento robusto para a prevenção e para a resposta imediata, e avançar no acesso equitativo a vacinas, diagnósticos e tratamentos, através da conclusão do Acordo Global sobre Pandemias.

Divulgação e contexto na OMS

O documento, intitulado “Um Mundo à Beira do Abismo: Prioridades para um Futuro Resiliente a Pandemias”, foi tornado público no mesmo dia em que começou a 79.º Assembleia Mundial da Saúde, que decorre até sábado na sede da OMS, em Genebra, na Suíça.

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