40 anos de adesão e transformação no Norte
Assinalamos este ano quatro décadas desde a entrada de Portugal na União Europeia. No Norte, esse caminho vê-se no quotidiano: nas estradas que aproximam pessoas e lugares, nas escolas reabilitadas, nos centros de saúde, nas infraestruturas de água e saneamento, nas empresas que inovam e exportam e também nos territórios que ganharam expressão no turismo.
O efeito desta integração mede-se, porém, sobretudo nas pessoas. Entre 1991 e 2025, a percentagem da população dos 25 aos 64 anos com ensino superior aumentou de 3,9% para 29,8%, sinal de uma mudança estrutural no capital humano. A região Norte aproximou-se dos melhores indicadores, atualizou-se e reforçou a sua ligação ao exterior, demonstrando que os fundos europeus, quando sustentados por estratégia e exigência, produzem impactos consistentes e de longo prazo.
Estratégia NORTE2040 e as grandes transições
Ainda assim, o momento atual convoca a região para uma ambição maior: mais do que administrar o presente, importa escolher e construir o que vem a seguir.
É precisamente esse o propósito da sessão de lançamento da Estratégia NORTE2040 - um exercício coletivo de reflexão estratégica num tempo marcado por transições profundas.
As perguntas a responder são diretas: de que forma fortalecer a base industrial e tecnológica sem comprometer a coesão? Como captar e fixar talento? Como transformar a digitalização e a inteligência artificial em mais produtividade e melhor serviço público? Como salvaguardar os territórios perante riscos climáticos? E que contributo deve o Norte dar para a autonomia estratégica europeia?
O foco, hoje, já não se resume a crescer. Trata-se de crescer com inteligência, sustentabilidade e equilíbrio territorial.
Quadro financeiro europeu 2028-2034 e mobilização regional
Para isso, é indispensável recusar soluções uniformes e excessivamente centralizadas. O amanhã constrói-se a partir dos territórios, e o desenvolvimento regional é uma condição decisiva para o êxito do país e da Europa.
Neste enquadramento, torna-se determinante a discussão sobre o próximo quadro financeiro europeu. A integração de instrumentos pode aumentar a coerência, mas também traz perigos: recentralização, enfraquecimento da política de coesão e redução do protagonismo regional.
O Norte não pode entrar tarde neste debate. A nossa dimensão demográfica, económica, social e industrial dá-nos legitimidade para fazer valer a nossa posição. Uma estratégia forte para o Norte será, igualmente, uma estratégia positiva para Portugal.
Mas este desafio pede mais do que medidas públicas: exige envolvimento e mobilização. Universidades, empresas, autarquias, instituições e jovens têm de assumir um papel ativo neste processo.
Por isso, a 29 de maio, em Santa Maria da Feira, damos início a este percurso com uma sessão aberta aos atores regionais, na qual serão apresentadas e discutidas as principais propostas do próximo quadro de financiamento europeu 2028-2034. Convido todos a participar!
O futuro não se adia. Faz-se agora.
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