O ciclo "100 x Marilyn" arranca esta quinta-feira, no Batalha Centro de Cinema, no Porto, e prolonga-se até 5 de julho, assinalando os 100 anos do nascimento de Marilyn Monroe. A proposta é uma viagem cinematográfica que relê a sua filmografia para lá dos lugares-comuns que a fixaram como mito: ao longo de dez clássicos, passam por ecrã, entre outros, "Os Homens Preferem as Loiras", "Niagara", "O Pecado Mora ao Lado" e "Os Inadaptados".
Marilyn Monroe (1926-1962): antes da estrela
Antes de se impor como um dos rostos mais reconhecíveis do século XX, Norma Jeane Mortenson iniciou-se como modelo, numa progressão lenta mas contínua que a conduziu ao universo de Hollywood, onde se reinventaria como Marilyn Monroe (1926-1962).
Nos anos 1950, a atriz consolidou uma presença muito própria no ecrã: juntava a aparente leveza cómica a uma vulnerabilidade dramática pouco comum. Essa tensão torna-se evidente em filmes como "Os Homens Preferem as Loiras" ou "Quanto Mais Quente Melhor", ao passo que "Os Inadaptados" anuncia um tom mais escuro e interior. Em paralelo, tentou afirmar-se para além da persona pública, investindo na formação artística e avançando para a criação da sua própria produtora - um passo raro numa indústria rigidamente hierarquizada e marcada pelo patriarcado.
100 x Marilyn no Porto: 10 filmes no Batalha Centro de Cinema
Reunindo dez filmes, o "100 x Marilyn" atravessa diferentes fases da vida artística de Monroe e procura expor tanto o fulgor da estrela como as zonas mais íntimas de uma intérprete muitas vezes reduzida a estereótipos.
Loiras e diamantes a abrir
A programação de projeções começa esta quinta-feira com "Os Homens Preferem as Loiras", de Howard Hawks, onde Marilyn contracena com Jane Russell num musical que combina humor e espetáculo em números coreografados. A sequência "Os diamantes são os melhores amigos de uma rapariga" continua, ainda hoje, gravada no imaginário da cultura popular. O filme volta à sala a 27 de maio.
"Eva" ("Tudo Sobre Eva"), de Joseph L. Mankiewicz, vencedor do Óscar de Melhor Filme em 1951, surge aqui como curiosidade: numa fase ainda inicial do percurso, Marilyn Monroe aparece por instantes neste retrato mordaz do meio teatral da Broadway, no seio de um elenco liderado por Bette Davis e Anne Baxter. A sessão acontece a 23 de maio.
A 31 de maio, o ciclo sublinha uma mudança para um registo mais dramático com "Os Meus Lábios Queimam" ("Não Vale a Pena Bater"), de Roy Ward Baker, no qual Marilyn assume um papel psicologicamente exigente ao lado de Richard Widmark.
Já em junho, a 10, chega "Niagara", de Henry Hathaway, um filme de suspense que explora tensões conjugais num cenário tão grandioso quanto perturbador.
A 12 de junho (com nova sessão a 17), é a vez de "Como se Conquista um Milionário" ("Como Casar com um Milionário"), que junta Lauren Bacall e Betty Grable numa comédia sobre ambição e convenções sociais.
Segue-se, a 13 de junho (repetição a 19), "O Pecado Mora ao Lado" ("A Comichão dos Sete Anos"), comédia romântica de Billy Wilder em que a popularidade da atriz atinge outro patamar graças à cena hoje icónica do vestido branco a ondular sobre a grelha de ventilação do metro de Nova Iorque - imagem que se tornou uma das mais reconhecíveis de toda a história do cinema.
No dia 20 de junho, o programa do Batalha Centro de Cinema inclui "O Príncipe Encantado" ("O Príncipe e a Corista"), comédia dirigida e interpretada por Laurence Olivier. A relação criativa difícil entre os protagonistas deixou marca profunda na produção.
A 21 de junho, é exibido "Quanto Mais Quente Melhor", um clássico incontornável da comédia romântica de enganos, em que disfarces, ritmo e ambiguidade sustentam uma narrativa que continua, ainda hoje, surpreendente.
Poesia e sentimentalismo a fechar
O fecho do "100 x Marilyn" acontece a 27 de junho com "Os Inadaptados" ("Os Desajustados"), de John Huston, com reposição a 5 de julho. Escrito por Arthur Miller, este filme - que concentra poesia e sentimentalismo, rebeldia e autocomiseração - reúne Monroe com Clark Gable, Eli Wallach e Montgomery Clift, sendo atualmente visto como uma peça dramática de transição para um cinema mais moderno e desencantado.
A pensar também num público mais abrangente, o ciclo no Porto integra ainda, a 30 de maio, "A Culpa Foi do Macaco" ("Negócios de Macacos"), nova colaboração com Howard Hawks, protagonizada por Cary Grant e Ginger Rogers, numa comédia marcada pelo absurdo e pela energia física.
Com este alinhamento, o Batalha Centro de Cinema propõe não apenas revisitar uma estrela, mas reencontrar uma atriz que contrariou as expectativas do seu tempo e continua a provocar novas leituras e impulsos.
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