A presença europeia no Indo-Pacífico está a ganhar um novo peso - e, desta vez, com aeronaves de 5.ª geração. A Força Aérea Real Neerlandesa (RNLAF) vai, pela primeira vez, destacar caças furtivos F-35A para o Japão, onde participará no exercício Kazaguruma Guardian 26, a decorrer na Base Aérea de Misawa. O treino conjunto envolve cooperação com o Japão e com a Força Aérea dos EUA (USAF), integrando aeronaves F-35A, F-35B e F-16, num passo relevante dentro dos compromissos de segurança na região.
Segundo o Ministério da Defesa dos Países Baixos, a RNLAF enviou cinco F-35A e um avião cisterna A330 para apoiar as operações aéreas. O Japão participa com aeronaves do mesmo modelo, enquanto os Estados Unidos contribuem com F-35 e F-16. De acordo com o comunicado, o objetivo do Kazaguruma Guardian é “aprender como as nações podem operar em conjunto”, sublinhando o foco na interoperabilidade entre as três forças aéreas envolvidas.
As autoridades neerlandesas destacaram ainda que Japão e Países Baixos mantêm uma relação de cooperação de longa data. Para os Países Baixos, o Japão é um parceiro-chave no Indo-Pacífico por ser uma democracia, pela sua posição estratégica e pela influência regional. O Ministério da Defesa referiu que esta atividade “demonstra que a Força Aérea Real é capaz de operar em qualquer parte do mundo”, reforçando o compromisso do país com a estabilidade regional.
O exercício chama-se Kazaguruma Guardian, traduzido como “Guardião do Moinho de Vento”. Segundo a informação oficial, o simbolismo do moinho está ligado à cultura japonesa, e as suas três pás representam os três países envolvidos no treino. A atividade prolonga-se até 3 de abril e marca a primeira vez que a força aérea neerlandesa opera a partir de território japonês.
Este destacamento soma-se a outros exercícios recentes realizados pela RNLAF, como o treino avançado de novembro de 2025 na Base Aérea de Mountain Home, em Idaho (EUA), onde doze F-35A participaram em manobras de defesa aérea e ataque ao solo no âmbito da cooperação transatlântica da NATO. Durante essas operações, os pilotos neerlandeses treinaram missões de precisão e coordenação em cenários que incluíam interferências eletrónicas e forças agressoras simuladas, reforçando a sua capacidade operacional.
No final de janeiro de 2026, quatro F-35A neerlandeses participaram também no exercício “Avatar”, orientado para operar a partir de aeroportos civis de modo a garantir a continuidade das operações aéreas em situações de conflito. As manobras decorreram no aeroporto de Schiphol e testaram a capacidade de destacamento rápido, sustentação logística reduzida e regresso a condições de combate em prazos curtos. Em conjunto, estas atividades evidenciam um processo continuado de preparação da RNLAF para cenários de alta intensidade, tanto na Europa como em teatros distantes, como o Indo-Pacífico.
Imagens a título ilustrativo.
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