O setor automóvel continua a apontar para um amanhã (quase) totalmente elétrico, mas esse destino pode estar mais longe do que muitos antecipavam.
Sinais de travagem na procura de automóveis elétricos na Europa
Nas últimas semanas, multiplicaram-se os avisos vindos tanto de construtores - como a Ford ou o Grupo Volkswagen - como de fornecedores de baterias, entre os quais a LG Energy Solutions, todos a reportarem uma quebra acentuada na procura por automóveis elétricos.
Este abrandamento surge apesar de, na Europa, as vendas de automóveis elétricos terem crescido 47% nos primeiros nove meses (janeiro-setembro) do ano. Ainda assim, a indústria não vê razões para festejar: vários fabricantes já começaram a rever metas comerciais e a reajustar os seus calendários de eletrificação.
Projetos de baterias adiados e investimentos em pausa
O Grupo Volkswagen, por exemplo, optou por adiar a construção de uma das suas fábricas de baterias na Europa, sem avançar com uma nova data. Já a Ford, em conjunto com os parceiros Koc Holding e LG Energy Solutions, decidiu também não avançar com a fábrica de baterias prevista para a Turquia.
Para já, a descida da procura está a tornar mais lento o ritmo de crescimento das vendas de elétricos, cenário que pode resultar numa estagnação em 2024.
Que razões para esta desaceleração?
Têm sido apontadas várias explicações para esta tendência. Entre elas, um dos fatores mais relevantes é, curiosamente, o próprio… «futuro». Muitos consumidores poderão estar a adiar a decisão de compra à espera da próxima geração de elétricos - maioritariamente prevista para 2025 em diante -, que promete melhorias e, ao mesmo tempo, preços mais acessíveis.
Esta expectativa também coloca desafios à indústria automóvel europeia, porque quando essa nova vaga de modelos chegar ao mercado terá de enfrentar concorrência adicional: novas propostas de marcas chinesas, que se apresentam com preços muito competitivos.
Importa ainda reconhecer que uma parte significativa dos consumidores, embora demonstre interesse em adquirir um veículo elétrico - de acordo com as sondagens de mercado da The Langston Co -, não dispõe de capacidade financeira para concretizar a compra.
A isto junta-se a incerteza económica, bem como as dúvidas de alguns condutores quanto à capacidade dos elétricos responderem às suas necessidades atuais, sobretudo em termos de segurança e autonomia (utilização).
Por fim, a evolução tecnológica rápida nos automóveis elétricos alimenta receios sobre os valores residuais dos modelos atuais, o que leva muitos consumidores a hesitarem em mudar já para um elétrico.
E agora?
A Cox Automotive, empresa que presta serviços na área do comércio automóvel, descreve o período que se aproxima (2024-2027) como o «vale da morte», por resultar da combinação entre uma oferta elevada de modelos, valores residuais baixos e procura fraca.
Na prática, este contexto pode traduzir-se num crescimento estagnado das vendas de automóveis elétricos na Europa, ajudando também a explicar porque foram suspensos (por agora) alguns dos investimentos planeados pelo setor.
Fonte: Automotive News
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