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Danos nos KC-135 Stratotanker e plano de recuperação da USAF
Depois de ter contabilizado danos em, pelo menos, seis aeronaves durante as hostilidades recentes com o Irão - e com dois aparelhos destruídos -, a Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) indicou que já está a recuperar os seus aviões de reabastecimento KC-135 Stratotanker, procurando restabelecer e estabilizar as capacidades da frota. A informação foi avançada pelo actual Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, o general Kenneth S. Wilsbach, ao referir que, segundo o planeamento em vigor, a USAF deverá voltar a ter todos os exemplares disponíveis num horizonte de um a dois anos, enquanto os aparelhos com danos menos significativos já terão regressado a operações de voo.
Perante o subcomité de Dotações para a Defesa do Senado dos EUA, Wilsbach não especificou quais os KC-135 incluídos no grupo que já se encontra novamente operacional, limitando-se a indicar que a maioria conseguiu, pelo menos, efectuar um voo desde os ataques atribuídos ao Irão. Nas suas palavras: “De facto, a maioria já está a voar. Alguns fizeram um único voo para reparações adicionais, mas outros já voltaram ao serviço. Os que têm danos mais importantes vão demorar um a dois anos a ser reparados.”
Ataque à Base Aérea Príncipe Sultão e deslocações para a RAF Mildenhall
É relevante recordar que a maior parte dos danos registados na frota de KC-135 destacada pela Força Aérea dos EUA no Médio Oriente ocorreu após um ataque iraniano à Base Aérea Príncipe Sultão, onde foi reportado que cinco aeronaves deste tipo foram atingidas por mísseis. A informação foi rapidamente confirmada pelo próprio presidente norte-americano, Donald Trump, que, ainda assim, procurou desvalorizar o sucedido, afirmando que os aviões “não sofreram praticamente nenhum dano”.
No conjunto agora referido, observadores locais e analistas especializados assinalaram que, pelo menos, dois aparelhos voaram para a Base Aérea RAF Mildenhall, em território britânico. Foi possível notar que tinham recebido trabalhos de reparação provisória, com o objectivo de permitir o reposicionamento para um local considerado seguro. Ainda assim, tratava-se de KC-135 que aparentavam ter sofrido danos relativamente ligeiros, provocados por estilhaços, e não impactos directos de um projéctil iraniano.
O sexto KC-135, o acidente em voo e a recuperação a partir do AMARG
Quanto ao sexto KC-135 danificado durante a Operação Epic Fury, os relatos apontam para uma aeronave ligada a um acidente aéreo trágico, no qual colidiu no ar com outro KC-135. O incidente causou a morte dos seis militares que integravam a tripulação deste último e a perda do avião. Cerca de três semanas depois, esta situação levou a Força Aérea dos EUA a optar por recuperar um dos aviões de reabastecimento enviados para o 309.º Grupo de Manutenção e Regeneração Aeroespacial (AMARG), também conhecido como o “Cemitério”.
Modernização da frota, preocupações no Senado e impacto no KC-46 da Boeing
Entretanto, tendo em conta que a USAF já estava a conduzir um processo de modernização da sua frota de reabastecedores, o referido subcomité de Dotações para a Defesa do Senado dos EUA manifestou preocupações quanto à eventual necessidade de canalizar verbas adicionais para a recuperação dos KC-135. Foi igualmente colocada a hipótese de vir a ser necessário adquirir mais KC-46 do que o inicialmente previsto, de forma a colmatar lacunas de capacidade. Sem detalhar em profundidade, o secretário da Força Aérea, Troy Meink, afirmou que o cenário descrito até ao momento terá peso quando for decidido quais as bases que serão equipadas com o novo modelo da Boeing.
No mesmo contexto, importa recordar que a Força Aérea dos EUA e a Boeing passaram os últimos meses a trabalhar em medidas destinadas a acelerar os calendários de entrega dos novos reabastecedores KC-46, o que, por si só, já implicou um reforço de financiamento por parte de Washington. Em particular, o problema que afectou a evolução do programa não esteve relacionado com as operações no Médio Oriente, sendo atribuído a uma greve de trabalhadores na unidade da Boeing em St. Louis; uma situação que atrasou de forma considerável os planos da própria Força Aérea norte-americana e de clientes estrangeiros.
Imagens usadas a título ilustrativo
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