Dois cidadãos portugueses seguiam na flotilha intercetada esta segunda-feira pelas forças israelitas ao largo da costa do Chipre, em águas internacionais. O objetivo da iniciativa humanitária era tentar contornar o bloqueio imposto por Israel ao enclave palestiniano.
Confirmação do Ministério dos Negócios Estrangeiros e contacto das famílias
O JN apurou, junto de uma fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros, que dois portugueses integravam esta nova flotilha. Segundo a diplomacia portuguesa, "nenhum dos cidadãos em causa contactou o Estado português", sendo que "as famílias estabeleceram contacto com as autoridades portuguesas a fim de sinalizar a participação dos seus familiares".
A mesma fonte sublinhou ainda que "As nossas embaixadas em Telavive, Nicósia e Ancara estão preparadas para prestar todo o apoio consular aos cidadãos nacionais".
Portugueses na embarcação Tenaz da Freedom Flotilla
Com base no testemunho de um familiar e na informação disponível no site dos organizadores - a Freedom Flotilla - foi possível identificar os dois cidadãos lusos: os portuenses Maria Beatriz Barroca Bartilotti Matos e Gonçalo Dias, que seguiam na embarcação Tenaz.
Matos apresenta-se como "internacionalista, ecologista e ativista pelos direitos de pessoas migrantes com o coletivo 'Humans Before Borders'". A médica acrescenta: "Acredito na ação direta e na desobediência civil como importantes ferramentas para a mudança de sistema, rumo à utopia pela qual lutamos constantemente", afirmando também ter "trabalhado em campos de refugiados e na fronteira da Europa fortaleza".
Já Dias é descrito como um "ativista pelos direitos humanos, médico generalista e redutor de danos com experiência em busca e salvamento", trabalhando "maioritariamente na rua em equipas de intervenção comunitária" no Porto.
Contexto do bloqueio à Faixa de Gaza e reações políticas
A interceção ocorrida esta segunda-feira insere-se numa sequência de operações de Israel para travar a chegada de ajuda humanitária ao território da Faixa de Gaza, sujeito a bloqueio desde 2007. Esta flotilha, composta por cerca de 50 embarcações, partiu da Turquia na quinta-feira.
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, felicitou o comandante da operação pelo "trabalho extraordinário" ao frustrar "um plano malicioso". Por seu lado, a diplomacia de Israel acusou a iniciativa de pretender "servir ao Hamas, desviar a atenção da recusa do Hamas em desarmar-se e obstruir o progresso do plano de paz do presidente Trump".
Ancara condenou de forma veemente a interceção, classificando-a como um "novo ato de pirataria" de Israel. Já o ministro dos Negócios Estrangeiros de Itália, Antonio Tajani, apelou às autoridades israelitas para que garantam a segurança dos ativistas italianos.
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