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OE 2024: IUC sobe e regressa o incentivo ao abate para carros anteriores a julho de 2007

Carro sedan elétrico vermelho 2024 em exposição dentro de concessionária moderna com janelas amplas.

Se tem um automóvel matriculado antes de julho de 2007, há novidades em duas frentes. Por um lado, volta o programa de incentivo ao abate; por outro, prepare-se para um aumento relevante no Imposto Único de Circulação (IUC).

Esta é a leitura que se retira do relatório que acompanha a proposta do Orçamento do Estado para 2024 (OE 2024), apresentada ontem, 10 de outubro, pelo Ministério das Finanças. A subida do IUC abrange todos os veículos, mas a penalização será particularmente sentida nos que têm matrícula anterior a julho de 2007, como já se antecipava.

O que está em causa?

Em julho de 2007, entrou em vigor um novo modelo de cálculo do Imposto Único de Circulação: além da componente associada à cilindrada, passou a contar também uma componente ambiental ligada às emissões de CO2. Na prática, esta alteração fez disparar o imposto nos veículos matriculados a partir de julho de 2007.

A diferença de IUC entre pré e pós-julho de 2007

O próprio Ministério das Finanças expõe a discrepância de valores (com referência a 2022). Em média, os veículos anteriores a julho de 2007 pagaram 44,21 euros de IUC, enquanto os veículos de julho de 2007 em diante (inclusive) suportaram, em média, 168,63 euros - isto é, cerca de quatro vezes mais.

A “reforma ambiental do IUC” no OE 2024

Para 2024, o Governo propõe uma “reforma ambiental do IUC”, passando a integrar uma componente ambiental no cálculo do imposto dos veículos ligeiros e motociclos com matrícula anterior a julho de 2007.

Com esta alteração, o Executivo pretende tornar a tributação mais alinhada, ajustando os «pratos da balança»: por um lado, penaliza veículos mais antigos e mais poluentes; por outro, liga esta reformulação do IUC ao incentivo ao abate de veículos antigos.

O relatório do OE 2024 reforça o argumento do desequilíbrio ao mostrar que, em 2022, foi liquidado IUC a seis milhões de veículos ligeiros de passageiros, sendo que metade (três milhões) tinha matrícula anterior a julho de 2007.

Ainda assim, dos 772,6 milhões de euros de receita bruta de IUC em 2022, apenas 21% teve origem nos veículos pré-julho de 2007. Ou seja, a maior fatia da receita é assegurada pelos veículos matriculados a partir de julho de 2007.

A convergência de tributação será, no entanto, gradual, conforme indicado no relatório: “A reforma terá um limite de 25 euros por veículo em 2024, sendo este progressivamente aumentado até que a taxa de IUC represente a totalidade da tributação relativa ao CO2 emitido por estes veículos.”

Receita recorde de IUC para 2024

Para além do agravamento dirigido aos veículos pré-julho de 2007, as taxas de IUC de todas as categorias vão ser atualizadas em 2024 de acordo com a inflação prevista.

O Governo estima que esta atualização, somada ao reforço da tributação nos veículos mais antigos, resulte num aumento da receita de IUC de 98,2 milhões de euros em 2024 (+20,1% face a 2023), atingindo 870,8 milhões (fonte: Eco) - um máximo histórico.

Evolução da receita do IUC desde 2012

Importa lembrar que a receita do Imposto Único de Circulação tem crescido de forma contínua desde 2012. Segundo a Autoridade Tributária, o IUC rendeu 409,5 milhões de euros em 2012 e aumentou, sem quebras, até 772,6 milhões de euros em 2022, o que corresponde a uma subida de 88,7% em 10 anos.

ISV também aumenta em 2024

Não é apenas o IUC a subir. O ISV (Imposto Sobre Veículos) deverá igualmente aumentar em 2024 cerca de 5%, refletindo um crescimento alinhado com a taxa de variação de salários nominais por trabalhador no setor privado. No relatório, é indicado que esta atualização se traduzirá num acréscimo de receita de 24,5 milhões de euros face a 2023.

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