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Zelensky acusa a Rússia de usar míssil Orechnik contra a Ucrânia durante ataques a Kiev

Bombeiro ajuda mulher a levantar-se em área urbana destruída, com prédio danificado e drone no chão.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou este domingo que a Rússia recorreu a um míssil de alcance intermédio Orechnik, com capacidade nuclear, contra a Ucrânia, no contexto de bombardeamentos noturnos descritos como massivos e mortíferos. Do lado russo, Moscovo sustenta que a ofensiva foi uma retaliação após um ataque em Lugansk.

Zelensky acusa a Rússia de lançar o míssil Orechnik

"Três mísseis russos contra uma infraestrutura de abastecimento de água, um mercado incendiado, dezenas de edifícios residenciais danificados, várias escolas regulares, e ele [presidente russo, Vladimir Putin] lançou o seu Orechnik contra Bila Tserkva. Eles estão mesmo loucos", declarou Zelensky numa mensagem no Telegram.

Mais tarde, o Ministério da Defesa da Rússia corroborou a informação, referindo, em comunicado, ter utilizado mísseis Orechnik, com capacidade nuclear.

De acordo com o que foi avançado, esta terá sido a terceira ocasião em que este míssil - capaz de transportar ogivas nucleares ou convencionais - foi empregado na Ucrânia.

Entretanto, bombardeamentos russos de grande intensidade atingiram Kiev e a respetiva região durante a última noite, causando quatro mortos e mais de cem feridos, segundo as autoridades locais.

Balanço em Kiev e resposta dos serviços de emergência

Kiev foi "duramente atingida" pelos ataques noturnos, com dois mortos e 56 feridos, indicou no Telegram o presidente da Câmara, Vitali Klitschko.

Já na região da capital, morreram mais duas pessoas e registaram-se nove feridos - entre os quais uma criança com menos de um ano -, informou Mykola Kalachnyk, chefe da administração regional.

Segundo Vitali Klitschko, "as equipas de resgate continuam a remover os escombros" e "os centros de saúde de Kiev funcionam normalmente e prestam assistência total aos habitantes da capital".

Mais de 600 drones e mísseis contra Kiev

A Força Aérea da Ucrânia comunicou que, neste ataque, a Rússia recorreu a mais de 600 drones e mísseis de diferentes tipos, incluindo 54 mísseis de cruzeiro e mais de 30 mísseis balísticos.

A mesma fonte adiantou que foram abatidos 549 drones inimigos e intercetados 55 mísseis russos, num ataque cujo "alvo principal Kiev".

"De acordo com dados provisórios, registaram-se impactos de 16 mísseis e de 51 drones em 54 pontos do país, bem como restos de drones abatidos em 54 locais", refere o comunicado da Força Aérea.

Retaliação a ataque em Lugansk

O vice-chefe do Conselho de Segurança da Rússia e antigo presidente do país, Dmitri Medvedev, afirmou que os bombardeamentos noturnos na Ucrânia foram uma resposta ao "ataque mortal" de Kiev contra uma residência de estudantes em Lugansk.

Na mensagem publicada no Telegram, Medvedev escreveu que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e a sua equipa "provocaram uma resposta dura da Rússia com os seus ataques terroristas contra crianças".

"Ao que parece, foi intencional. Precisavam que fossem lançados bombardeamentos aéreos massivos contra as estruturas de Kiev", afirmou, acrescentando que assim "é mais fácil pedir dinheiro e armas" aos parceiros estrangeiros da Ucrânia.

Em Lugansk, região anexada por Moscovo, um ataque ucraniano na noite de quinta-feira para sexta-feira provocou 21 mortos e mais de 40 feridos. As autoridades russas dizem que foi atingida uma residência universitária e dormitório de estudantes, algo que Kiev recusou, defendendo que as suas forças bombardearam um "quartel-general" de uma unidade militar russa.

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