A BYD registou uma nova patente ligada a baterias de estado sólido, uma das tecnologias mais aguardadas para a próxima vaga de automóveis elétricos. O pedido, divulgado pela Administração Nacional de Propriedade Intelectual da China, detalha uma membrana de eletrólito sólido compósito e o respetivo processo de fabrico.
Identificada como CN121983643A, a patente inclui ainda a utilização dessa membrana em células de bateria, conjuntos (packs) de baterias e equipamentos elétricos. Este registo não quer dizer, por si só, que a BYD esteja prestes a colocar uma bateria de estado sólido à venda, mas reforça que o construtor chinês mantém o desenvolvimento ativo nesta área.
O que diz a nova patente da BYD?
Segundo a documentação publicada, a invenção descreve uma arquitetura de eletrólito assente em partículas inorgânicas de eletrólito sólido, integradas com uma rede de fibras de um eletrólito polimérico.
Nesta patente, a BYD recorre a eletrólitos à base de sulfuretos (resultantes da combinação de enxofre com um metal ou com outros elementos, como fósforo), uma via frequentemente apontada como das mais promissoras para baterias de estado sólido. O principal motivo é a elevada condutividade iónica, que pode permitir ciclos de carga e descarga mais rápidos. Contudo, a grande dificuldade tem sido a industrialização, já que estes materiais são sensíveis à humidade. Isso obriga a processos de produção altamente controlados, cuja viabilidade à escala industrial ainda precisa de ser demonstrada em termos de custo, durabilidade e fiabilidade.
Em teoria, esta abordagem pode traduzir-se em maior densidade energética, carregamentos mais rápidos e um nível de segurança superior, embora a produção em massa continue a ser tecnicamente exigente.
A promessa das baterias de estado sólido passa por colocar mais energia no mesmo volume e reduzir o tempo de paragem para carregar. Na prática, em teoria, isto pode significar elétricos com autonomias reais mais próximas dos 800 km a 1000 km ou, em alternativa, modelos com autonomias semelhantes às atuais, mas com baterias mais pequenas, mais leves e mais eficientes.
China quer produção-piloto em 2027
Este registo surge numa fase em que a indústria chinesa está a acelerar o trabalho em baterias de estado sólido. Nos últimos tempos, vários fabricantes e fornecedores têm apresentado protótipos, linhas-piloto e objetivos de produção para os próximos anos.
Em abril, Lian Yubo, cientista-chefe da BYD, indicou que o desenvolvimento das baterias de estado sólido da empresa tinha entrado numa etapa crítica de avanço, embora ainda limitado por desafios de engenharia, custos e rendimento de produção.
Entre os maiores obstáculos contam-se a estabilidade da interface sólido-sólido, a supressão de dendrites de lítio (um problema que também afeta as atuais baterias de iões de lítio) e a necessidade de desenvolver o sistema como um todo, e não apenas a célula isolada. Estas dificuldades são amplamente reconhecidas no setor e ajudam a explicar porque é que as baterias de estado sólido ainda não chegaram a automóveis de produção em larga escala.
Esta corrida não é só da BYD
A BYD não está a trabalhar sozinha. CATL, CALB, Chery, GAC, Gotion High-Tech e outros grupos chineses têm anunciado progressos em baterias de estado sólido ou semissólido. Alguns protótipos já apontam para densidades energéticas acima de 400 Wh/kg, valores muito superiores (até 3x mais) do que os das baterias de iões de lítio LFP (fosfato de ferro-lítio) atualmente usadas em grande escala.
Ainda assim, o mercado continua sem uma abordagem claramente dominante. Estão em desenvolvimento várias rotas tecnológicas - eletrólitos baseados em sulfuretos, óxidos e polímeros -, cada uma com os seus compromissos ao nível da condutividade, estabilidade, custo e facilidade de fabrico.
Quando chegam aos carros elétricos?
O setor chinês aponta para o arranque de produção-piloto a partir de 2027 e para uma fase de comercialização mais consolidada apenas perto de 2030. Até lá, é expectável que as baterias de estado sólido apareçam primeiro em séries limitadas e em modelos de segmentos mais elevados.
A BYD tornou-se uma referência global com baterias LFP, sobretudo através da Blade Battery, muito valorizada pela segurança e pelo custo. Esta nova patente sugere que o grupo chinês está a preparar o passo seguinte.
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