O conflito no Irão, que se arrasta há quase três meses, continua a fazer-se sentir no mercado petrolífero internacional e isso tem-se traduzido num aumento dos preços dos combustíveis, embora com subidas menos pronunciadas nas últimas semanas.
Esta semana, o gasóleo simples voltou a encarecer, ainda que de forma quase residual. À data de publicação deste artigo, o preço médio do gasóleo simples tinha aumentado meio cêntimo por litro, ficando nos 1,957 €/l.
Também a gasolina simples registou uma nova subida, desta vez mais significativa: mais um cêntimo por litro, passando para 2,021 €/l. Desta forma, o preço médio da gasolina permanece acima da fasquia dos dois euros por litro.
Entre as principais gasolineiras, a BP e a Galp agravaram o preço do gasóleo simples num intervalo entre 0,3 cêntimos por litro e um cêntimo por litro. Já na gasolina simples, a Repsol e a BP aplicaram um aumento de 1,5 cêntimos por litro, enquanto a Galp subiu 0,7 cêntimos por litro.
Como é habitual, a referência usada para o cálculo do preço dos combustíveis são os dados publicados pela Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) - neste caso, os referentes à passada sexta-feira, dia 22 de maio.
Os valores divulgados pela DGEG já contemplam os descontos praticados pelas gasolineiras e as medidas do Governo atualmente em vigor. Ainda assim, importa sublinhar que se tratam de médias indicativas, que podem não coincidir com os preços efetivamente praticados nos postos de abastecimento.
Corte no desconto do ISP
Perante a descida do preço dos combustíveis verificada desde o início do conflito, o Governo comunicou um acerto ao desconto extraordinário aplicado ao ISP (Imposto sobre Produtos Petrolíferos e Energéticos), em vigor desde o início de março.
Segundo a Portaria n.º 229-B/2026/1, de 22 de maio, desde esta segunda-feira o desconto aplicado ao gasóleo simples passou de 6,05 cêntimos por litro para 6,35 cêntimos por litro. No caso da gasolina simples, o valor aplicável passou de 5,72 cêntimos por litro para 60,4 cêntimos por litro.
Esta redução extraordinária do ISP soma-se à que existe desde 2022, criada para mitigar o impacto da subida dos combustíveis após a invasão da Ucrânia pela Rússia. O mecanismo reduziu parcialmente o imposto cobrado à gasolina e ao gasóleo e tem vindo a ser ajustado de forma gradual, acompanhando a evolução dos preços.
O que está em jogo?
A subida do preço dos combustíveis em Portugal e no resto da Europa está diretamente associada ao agravamento das tensões no Médio Oriente, que levou ao fecho do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de escoamento do petróleo do Golfo Pérsico. Por esta via circula cerca de 20% do comércio mundial de crude.
O efeito foi imediato nos mercados: o Brent, referência na Europa, encontrava-se nos 72 dólares antes do início do conflito. Esta segunda-feira, à data de publicação deste artigo, o Brent estava nos 95 dólares, um valor bastante inferior aos 105 dólares registados no final da semana passada.
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