China: automóveis elétricos crescem, mas o luxo ainda prefere combustão
As vendas de automóveis elétricos continuam a aumentar ano após ano. Ainda assim, quando o foco passa para os elétricos de luxo, a tendência não acompanha o mesmo ritmo: neste patamar, o «antigo» motor de combustão segue a ganhar terreno.
Isto é particularmente visível na China - simultaneamente o maior mercado automóvel do planeta e o maior mercado mundial para automóveis elétricos.
BMW Série 7: i7 fica muito atrás do motor de combustão
O BMW Série 7 ajuda a ilustrar esta diferença. A geração mais recente trouxe o i7, o primeiro Série 7 totalmente elétrico, mas na China apenas 245 clientes o escolheram no primeiro semestre do ano. Já o novo Série 7 a combustão registou aproximadamente 5000 unidades vendidas no mesmo período.
Oliver Zipse, diretor executivo da BMW, explica a disparidade com a oferta atual do i7: por agora, o modelo está disponível apenas como xDrive60, a versão mais dispendiosa, equipada com dois motores. Zipse acredita que, depois de ser lançada a variante i7 eDrive50 - com um motor e um posicionamento de preço mais acessível -, as vendas do Série 7 elétrico deverão aumentar de forma substancial.
V8 high tech é mais sinónimo de luxo que elétrico
Na Mercedes-Benz, a principal rival, o retrato é semelhante. Na China, as vendas do EQS (e também do EQE) têm ficado aquém do que era esperado. E o fenómeno não se limita ao mercado chinês: nos EUA, existe stock de EQS suficiente para cobrir 190 dias de procura.
Ola Källenius, diretor executivo da Mercedes-Benz, admite que a adoção de automóveis elétricos no segmento de luxo - sobretudo na China - não está a acontecer ao mesmo ritmo do que se observa nos segmentos mais acessíveis (abaixo dos 40 mil euros).
“Muitos clientes (chineses) vêm no Classe S com um V8 de alta tecnologia como a derradeira compra”.
Ola Källenius, diretor executivo da Mercedes-Benz
De acordo com a Mercedes-Benz, o crescimento dos elétricos de luxo será um processo de longo prazo. Nesse sentido, Källenius acrescenta: “decidimos aplicar alguma paciência estratégica a isto enquanto avançamos”.
O que, ao que tudo indica, não está «em cima da mesa» é avançar com (mais) cortes de preço para perseguir metas de volume. Recorde-se que, no final do ano passado, a Mercedes-Benz chegou a reduzir o preço de alguns modelos elétricos na China em 30 mil euros - uma abordagem distinta do que se tem visto com a Tesla e outros construtores chineses.
Prognóstico? Favorável
Apesar de, por agora, as vendas de elétricos no segmento de luxo não corresponderem às expectativas, no panorama global BMW e Mercedes-Benz deverão fechar o ano a vender mais elétricos do que nunca.
Números globais dos elétricos em 2023
No primeiro semestre de 2023, a BMW registou um crescimento de 94% nas vendas de elétricos, totalizando 152 936 unidades. No mesmo intervalo, a Mercedes-Benz viu as vendas de elétricos aumentar 93%, para 112 850.
Também a Audi - o terceiro elemento do trio alemão premium - reportou uma subida de 51,2% nas vendas de elétricos na primeira metade do ano, atingindo 75 647 unidades.
Fonte: Autocar, Automotive News Europe
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