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Eurosatory 2026: Patrick Houston detalha a visão da Ondas para sistemas autónomos

Homem a interagir com holograma de tecnologia militar, com veículos e drones militares ao fundo.

Entrevista com Patrick Houston na Eurosatory 2026

No seguimento da nossa cobertura especial da Eurosatory 2026, a Zona Militar teve a oportunidade de conversar com o Brigadeiro-General reformado do Exército dos EUA Patrick Houston, actualmente Chief Operating Officer (COO) e Chief Legal Officer (CLO) da empresa norte-americana Ondas. Na conversa, o responsável apresentou a visão estratégica da companhia, os principais desenvolvimentos tecnológicos e os planos de expansão internacional que estão em curso.

Houston enquadrou a Ondas como uma empresa dos Estados Unidos cotada na NASDAQ, centrada em tecnologias autónomas aplicadas ao sector da defesa. Sublinhou, ainda, que a evolução dos conflitos contemporâneos acelerou a adopção de sistemas capazes de operar a ritmos muito superiores aos dos processos militares tradicionais.

A propósito da consolidação destas capacidades no campo de batalha, Houston afirmou que “as armas autónomas são muito diferentes. São as armas que, neste momento, estão a ser escolhidas. Operam à velocidade dos dados, e os dados, literalmente, viajam à velocidade da luz”, destacando a transformação profunda que a automação, a inteligência artificial e a conectividade estão a imprimir às operações militares.

Sistemas autónomos da Ondas e integração multidomínio

Com uma aposta declaradamente ambiciosa em sistemas autónomos e na integração de capacidades multidomínio, a Ondas pretende posicionar-se como um dos principais fornecedores de soluções para ambientes operacionais modernos. A empresa desenvolve e integra sistemas orientados para vigilância, missões de ataque, robótica terrestre e defesa contra drones, reunindo inteligência artificial, comunicações e processamento de dados numa arquitectura operacional única.

Cinco pilares da estratégia da Ondas

A estratégia da Ondas assenta em cinco pilares fundamentais. O primeiro passa por identificar e incorporar tecnologias já testadas em combate, sobretudo as que demonstraram eficácia em teatros como a Ucrânia e Israel, onde uma parte significativa da inovação militar actual tem avançado a grande velocidade.

O segundo pilar consiste em integrar essas capacidades numa arquitectura unificada que combine plataformas, software, comunicações e inteligência artificial.

O terceiro elemento é a parceria com a Palantir, que Houston caracterizou como a aliança tecnológica mais importante da Ondas. O propósito é cruzar informação, inteligência e dados provenientes de múltiplos sistemas para reforçar a consciência situacional dos comandantes e melhorar, em simultâneo, a qualidade e a rapidez da decisão no campo de batalha.

A estes pilares soma-se o acesso aos mercados de capitais dos EUA, o que permite à Ondas financiar aquisições e incorporar novas capacidades tecnológicas sempre que surjam oportunidades estratégicas. Segundo Houston, o quinto pilar é o factor humano, já que uma parte relevante da força de trabalho é composta por veteranos militares habituados a operar em ambientes dinâmicos e altamente exigentes.

Portefólio: vigilância aérea, ataque e robótica terrestre

Quanto ao portefólio, a Ondas exibiu uma gama alargada de sistemas de vigilância aérea, desde drones de pequenas dimensões até balões estratosféricos. A empresa apresentou também sistemas de ataque que incluem drones FPV, veículos aéreos armados e mísseis de cruzeiro.

Em paralelo, mostrou uma família de robots terrestres com diferentes tamanhos e configurações, tanto armadas como não armadas.

Defesa anti-drone, protecção de infra-estruturas e o sistema “Iron Wave”

Um dos segmentos com crescimento mais rápido é o de sistemas contra aeronaves não tripuladas. A empresa disponibiliza soluções de neutralização suave capazes de assumir o controlo de drones hostis, neutralizá-los e forçá-los a aterrar, bem como sistemas de neutralização dura concebidos para eliminar fisicamente a ameaça através de interceptores ou de soluções especializadas baseadas em redes.

Durante a apresentação, representantes da empresa indicaram que algumas destas capacidades já estão no terreno para proteger infra-estruturas críticas e grandes eventos internacionais. Entre os exemplos referidos estiveram sistemas usados para garantir a segurança de estádios durante competições associadas ao Campeonato do Mundo FIFA 2026, assim como soluções actualmente empregues em aeroportos europeus.

Entre as inovações apresentadas na Eurosatory, o sistema “Iron Wave” suscitou particular interesse. Foi concebido como uma solução abrangente para unidades ao nível de batalhão e está alojado num contentor destacável que integra robots terrestres armados, capazes de transportar drones, capacidades anti-drone e um posto de comando e controlo totalmente equipado para dirigir operações. De acordo com a empresa, a proposta visa concentrar, num único sistema, funções de vigilância, ataque e protecção da força para unidades destacadas no terreno.

Ao descrever a filosofia da companhia, Houston explicou que “o que nós fornecemos é um sistema de sistemas”, salientando que a empresa procura disponibilizar um conjunto completo de capacidades interoperáveis. Acrescentou que “damos-lhes uma lista de opções, um menu, e eles escolhem as capacidades que querem incorporar”, evidenciando a abordagem modular e adaptável que está por detrás das soluções da Ondas.

Questionado sobre a procura crescente por sistemas anti-drone, Houston defendeu que os conflitos recentes demonstraram a importância estratégica deste tipo de capacidades. Se a guerra na Ucrânia evidenciou inicialmente o impacto dos drones na guerra moderna, entende que os acontecimentos mais recentes no Médio Oriente reforçaram ainda mais a necessidade de sistemas eficazes para os detectar, perturbar e neutralizar.

Capacidade industrial, cadeia de fornecimento e expansão internacional

No plano industrial, o executivo referiu que já existe capacidade produtiva que pode ser reconvertida para fabricar sistemas autónomos e de defesa electrónica, em particular através de instalações industriais anteriormente dedicadas ao sector automóvel. Ainda assim, reconheceu que as limitações na cadeia de abastecimento continuam a representar um desafio. Entre os factores apontados, destacou as restrições à utilização de componentes de origem chinesa, uma questão impulsionada tanto por preocupações de segurança como por exigências regulamentares cada vez mais rigorosas nos Estados Unidos e na Europa.

Por fim, Houston confirmou que a expansão internacional é um dos objectivos centrais da empresa. A Ondas já estabeleceu uma grande unidade de produção na Alemanha, desenvolvida em parceria com uma das principais empresas industriais do país e instalada numa antiga fábrica automóvel, com o propósito de apoiar os Estados-membros da NATO. Manifestou igualmente interesse em alargar a presença a novas regiões através de parcerias industriais locais, podendo isso incluir a América Latina.

“A nossa intenção é expandir por toda a Europa para apoiar os nossos aliados da NATO”, afirmou Houston. O responsável acrescentou que a empresa está também a avaliar a entrada no segmento de sistemas navais, uma área em que actualmente não dispõe de produtos próprios, mas que considera um mercado estratégico com oportunidades de crescimento significativas nos próximos anos.

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