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Estados Unidos activam o Multi-Domain Command-Pacific (MDC-PAC) para o Indo-Pacífico

Militares em uniformes militares rodeiam mesa digital interativa com mapa de ilhas, em sala com grandes janelas e ecrãs.

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Os Estados Unidos deram mais um passo na adaptação das suas forças para um eventual conflito de alta intensidade no Indo-Pacífico, com a activação oficial do Multi-Domain Command-Pacific (MDC-PAC). Esta nova estrutura foi desenhada para actuar em ambientes fortemente contestados e para contrariar as capacidades de antiacesso e negação de área (A2/AD) que a China vem a desenvolver e a consolidar ao longo de décadas.

Sob um único enquadramento de comando, o MDC-PAC passa a integrar a 7.ª Divisão de Infantaria e a 1.ª Força-Tarefa Multi‑Domínio (Multi-Domain Task Force) - uma unidade que, nos últimos anos, funcionou como um verdadeiro laboratório operacional para testar e maturar novos conceitos de combate orientados para o Indo-Pacífico. Uma parte significativa dessas experiências foi levada a cabo na chamada Primeira Cadeia de Ilhas, apontada como um dos eixos centrais da disputa estratégica entre Washington e Pequim.

De acordo com o major-general Bernard Harrington, comandante do MDC-PAC, a nova formação foi concebida para reunir, na mesma arquitectura operacional, sistemas tripulados e não tripulados. Entre as capacidades consideradas contam-se embarcações de superfície não tripuladas, drones de ataque, sistemas de lançamento remoto, meios avançados de informações e armamento de longo alcance, destinados a localizar, penetrar e desorganizar as redes defensivas de potenciais adversários.

Uma força concebida para operar dentro da bolha defensiva chinesa

A criação deste comando acompanha a preocupação crescente do Pentágono com a expansão do poder militar chinês. Nos últimos vinte anos, Pequim canalizou investimentos para uma rede integrada de sensores, sistemas de defesa antiaérea, capacidades de guerra electrónica e mísseis de longo alcance, desenhada para dificultar a actuação das forças norte-americanas e aliadas no Pacífico Ocidental.

Entre as ameaças que Washington destaca estão os mísseis balísticos e de cruzeiro antinavio do Exército de Libertação Popular, bem como a capacidade, cada vez maior, de a Marinha e a Força Aérea chinesas operarem a distâncias superiores do seu território continental e para lá da Primeira Cadeia de Ilhas.

Perante este enquadramento, o MDC-PAC deverá assumir um papel determinante na procura de pontos de entrada nessas malhas defensivas, fornecendo dados em tempo real e abrindo janelas de oportunidade para que forças conjuntas possam actuar em áreas consideradas de risco elevado.

Integração de meios e fogos: tripulados, não tripulados e longo alcance

Na prática, a proposta assenta em combinar plataformas tripuladas com sistemas não tripulados e capacidades de recolha e partilha de informação, de modo a apoiar a detecção, o seguimento e a neutralização de elementos-chave das defesas adversárias. O objectivo é criar condições para “localizar, penetrar e desorganizar” redes defensivas, recorrendo a sensores, lançamentos remotos e armamento de maior alcance.

A Primeira Cadeia de Ilhas no centro do planeamento estratégico

A importância do novo comando está directamente ligada ao peso crescente da Primeira Cadeia de Ilhas - um arco geográfico que vai do Japão às Filipinas, passando por Taiwan. Para os estrategas norte-americanos, esta região surge como um dos cenários mais prováveis para uma eventual crise militar envolvendo Estados Unidos e China.

Os conceitos agora incorporados no MDC-PAC foram amplamente postos à prova em exercícios realizados nos últimos anos. Um dos casos mais recentes foi o Balikatan 2026, conduzido em conjunto com as Filipinas. Durante as manobras, as forças norte-americanas utilizaram sensores distribuídos, sistemas de ataque de longo alcance e plataformas não tripuladas num ambiente preparado para simular operações dentro de uma rede de negação de área semelhante à desenvolvida pela China.

A visão do Exército dos EUA para o emprego destas forças prevê actuação avançada, com estabelecimento de presença antes do início de uma crise, para observar, acompanhar e limitar a liberdade de acção de um adversário. Esta abordagem apresenta várias semelhanças com os Marine Littoral Regiments do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos, unidades criadas especificamente para operar em arquipélagos e em áreas marítimas disputadas do Pacífico Ocidental.

Exercícios como o Balikatan 2026 e a consolidação de uma capacidade permanente

Com a activação do MDC-PAC, Washington procura converter anos de experimentação operacional numa capacidade permanente, reforçando a sua estratégia de dissuasão numa região que continua a ser tratada como prioritária na competição estratégica com a China.

Imagens usadas a título ilustrativo.

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