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Imagens recentes do NDM Oiapoque (G350), ex-HMS Bulwark (L15), em Devonport e a transferência para a Marinha do Brasil

Marinheiros brasileiros içam bandeira junto ao navio de guerra NDM Oiapoque G350 no cais ao pôr do sol.

Preparação em Devonport e dúvidas sobre calendário e custos

Imagens recentes do futuro NDM Oiapoque (G350), ex-HMS Bulwark (L15), captadas na Base Naval de Devonport, no Reino Unido, mostram a evolução dos trabalhos de preparação do navio para a sua futura incorporação na Marinha do Brasil. O que se observa no local tem alimentado questões sobre o calendário de transferência e sobre os custos associados à revitalização e à adaptação da plataforma para operar sob bandeira brasileira.

Durante um evento realizado a bordo da Fragata Tamandaré, a 11 de maio, fontes ouvidas pelo correspondente do Zona Militar no Brasil, Angelo Nicolaci, indicaram, porém, que os serviços actualmente em execução não acarretam despesas adicionais para a Marinha do Brasil. De acordo com essas informações, uma parcela relevante das intervenções em curso já tinha sido contratada e totalmente financiada pela Royal Navy, antes mesmo de concluída a negociação para a transferência do navio para o Brasil.

Motivos para o calendário de transferência

Segundo as mesmas fontes, o cronograma definido para a passagem do navio foi condicionado pela oportunidade de aproveitar trabalhos de manutenção, inspecção e revitalização já previstos em contratos celebrados entre o Ministério da Defesa britânico e empresas especializadas da Base Industrial de Defesa do Reino Unido. Assim, ao adiar a incorporação formal, tornou-se possível executar essas actividades sem qualquer impacto financeiro adicional para a Marinha do Brasil.

As fontes acrescentaram que uma transferência imediata poderia levar ao término antecipado de determinados compromissos contratuais, libertando as empresas responsáveis de serviços que já tinham sido pagos pela Royal Navy. Ao manter o calendário em vigor, foi possível preservar essas obrigações e garantir que o navio recebesse as intervenções planeadas antes da passagem definitiva para controlo brasileiro.

Remoção de equipamentos da Royal Navy e da OTAN

Os registos mais recentes em Devonport evidenciam a retirada de vários equipamentos ligados aos requisitos operacionais da Royal Navy e da OTAN. Entre os elementos visíveis contam-se os sistemas CIWS que estavam instalados anteriormente na proa e sobre a estrutura do Flyco, bem como antenas de comunicações via satélite e outros sistemas cuja transferência não faz parte do acordo estabelecido com o Brasil.

Este tipo de procedimento é habitual em processos internacionais de transferência de meios navais de elevada complexidade. Sistemas de missão, equipamentos de comunicações encriptadas e tecnologias sensíveis são, em regra, removidos antes da entrega ao novo operador, tanto por razões de segurança como por exigências relacionadas com o controlo de exportações e com a protecção de capacidades estratégicas.

O que o NDM Oiapoque (G350) acrescentará à Marinha do Brasil

Depois de incorporado na Marinha do Brasil, o NDM Oiapoque deverá ampliar de forma significativa as capacidades expedicionárias e anfíbias da Força. Com uma doca alagável de grandes dimensões e um amplo convoo apto a operar os diversos modelos de helicópteros utilizados pela Aviação Naval, a plataforma trará maior flexibilidade para operações anfíbias, apoio logístico, assistência humanitária, evacuação de não combatentes e missões de resposta a crises.

Do ponto de vista operacional, o processo actualmente conduzido em Devonport reflecte uma abordagem orientada para maximizar os benefícios da aquisição. Ao tirar partido de serviços já contratados e financiados pelo Reino Unido antes da transferência definitiva, a Marinha do Brasil garante a incorporação de um navio de elevado valor militar em condições mais favoráveis, poupando recursos e reforçando as suas capacidades de projecção de poder, apoio anfíbio e emprego expedicionário no Atlântico Sul.

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