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Federação Russa torna obrigatória a formação básica em UAS nas universidades a partir de 1º de setembro de 2026

Jovens numa aula prática a montar drones com auxílio de instrutores num ambiente escolar iluminado.

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Formação obrigatória em UAS no ensino superior da Federação Russa

A partir de 1º de setembro de 2026, a Federação Russa passará a exigir, de forma obrigatória, formação básica em sistemas aéreos não tripulados (UAS) em mais de uma centena de universidades de transportes e outras instituições de ensino superior espalhadas pelo país. A medida deverá abranger mais de 250 mil estudantes e reflecte o peso crescente que Moscovo atribui aos drones, em grande parte moldado pelas lições recolhidas na guerra entre Rússia e Ucrânia.

“Militarização do ensino superior” e recrutamento para unidades de drones

Segundo o Center for Countering Disinformation da Ucrânia, esta iniciativa constitui mais um passo no que Kiev descreve como a “militarização do ensino superior”. O plano será aplicado em 19 universidades especializadas e 86 unidades afiliadas, passando os estudantes a ter de cumprir, obrigatoriamente, um curso orientado para sistemas não tripulados. Em paralelo, continuam a decorrer programas de recrutamento com o objectivo de integrar universitários nas unidades militares de drones das Forças Armadas russas.

Unmanned Systems Forces (USF) e reforço da capacidade de drones

Esta alteração no ensino ocorre em simultâneo com a formalização, por parte da Rússia, das Unmanned Systems Forces (USF) como uma estrutura própria dentro das suas Forças Armadas. A nova organização assume a centralização da produção, dos testes, da operação e do desenvolvimento doutrinário de sistemas não tripulados aéreos, terrestres e de superfície, seguindo um modelo semelhante ao das USF ucranianas, criadas no início de 2024. Além disso, a indústria de defesa russa trabalha em coordenação com os militares para aumentar a disponibilidade operacional dos UAVs e reforçar as suas capacidades de guerra electrónica.

Drones na guerra Rússia–Ucrânia e limitações apontadas

Desde o início da guerra, em fevereiro de 2022, os drones ganharam um papel determinante nas operações militares russas. Têm sido usados enxames de aeronaves não tripuladas para romper linhas defensivas ucranianas, executar missões de reconhecimento e efectuar ataques de precisão. Entre os principais sistemas em utilização contam-se o Forpost-R, o Shahed-238 e vários drones First-Person View (FPV).

Do lado ucraniano, uma parte significativa da estratégia militar também foi organizada em torno da tecnologia FPV, recorrendo a drones ligeiros de ataque capazes de transportar cargas explosivas com elevado grau de precisão. A combinação de baixo custo, grande manobrabilidade e flexibilidade operacional consolidou estes sistemas como um dos recursos mais relevantes no conflito.

A disseminação acelerada de sistemas não tripulados, bem como de outras tecnologias de uso dual, alterou de forma profunda o planeamento táctico e estratégico das forças envolvidas. Embora ambos os lados continuem a aumentar o investimento na produção de drones e no aperfeiçoamento das suas capacidades operacionais, especialistas assinalam que subsistem limitações técnicas e organizacionais que dificultam uma integração plena.

O investigador Samuel Bendett, do Center for Naval Analyses, afirmou que: “Atualmente, não existem normas oficiais para grande parte do desenvolvimento tático e uso de drones nas forças armadas russas”, referindo ainda que as Forças Armadas russas têm dificuldades em formar um número suficiente de operadores qualificados. Neste enquadramento, a obrigatoriedade do ensino sobre UAVs evidencia o esforço de Moscovo para aproximar o sistema de ensino superior das necessidades operacionais das suas Forças Armadas, sobretudo na preparação de especialistas para os actuais cenários de guerra multidomínio.

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