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Fuzil Jaguar da INDUMIL: desenvolvimento, testes e planos de produção na Colômbia

Militar em treino de tiro ao alvo ao ar livre, com farda camuflada e espingarda apontada para alvos.
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A apostar na autonomia e em afirmar-se como um sector robusto no domínio da defesa, a indústria militar colombiana tem vindo a avançar em tecnologia e inovação. Nos últimos anos, esse esforço materializou-se em equipamentos destinados a apoiar missões de segurança, vigilância e controlo do território por via aérea, terrestre e marítima. A Corporación de la Industria Aeronáutica Colombiana (CIAC S.A.), por exemplo, desenvolveu e produziu o drone DRAGOM, um sistema de ataque e vigilância concebido na Colômbia. Em paralelo, a Corporación de Ciencia y Tecnología para el Desarrollo de la Industria Naval, Marítima y Fluvial (COTECMAR) está, pela primeira vez, a montar uma fragata designada Plataforma Estratégica de Superficie (PES) em conjunto com a DAMEN, tratando-se do maior navio construído no país. Já a INDUMIL (Industria Militar Colombiana) apresentou o fuzil JAGUAR, o primeiro fuzil de assalto desenhado e fabricado por engenheiros e técnicos colombianos.

Da base Galil ACE ao protótipo Miranda

O caminho até este novo fuzil começou com uma adaptação do Galil ACE, combinando componentes produzidos na Colômbia com outras peças fabricadas em Israel, num conjunto que, numa fase inicial, foi baptizado de Miranda. A necessidade de ajustar esta nova configuração ganhou urgência após o corte de relações que, em maio de 2024, ocorreu por decisão do presidente Petro, na sequência do início da guerra em Gaza. A troca de declarações agravou a crise diplomática e acabou por conduzir ao cancelamento de compras e negócios - militares e civis - com o Estado hebraico.

Foi neste enquadramento que o Miranda foi mostrado em junho de 2025, embora seja importante sublinhar que este protótipo ainda integrava um cano e um ferrolho de origem israelita. O nome do fuzil foi sugerido pelo presidente Petro “em honra do general venezuelano e prócer da independência Francisco de Miranda”.

Apresentação do fuzil Jaguar pela INDUMIL e objectivos políticos

Em maio deste ano, num evento organizado pela Presidência da República e pela INDUMIL, com a presença do ministro da Defesa, Pedro Arnulfo Sánchez Suárez, e de representantes das Forças Militares e da Polícia Nacional, o fuzil Jaguar foi apresentado na Fábrica de Armas e Munições “General José María Córdova”, em Soacha, Cundinamarca. Na ocasião, o presidente da República declarou: “…desenvolver a indústria militar colombiana tem dois grandes propósitos: um, que o país tenha a capacidade de defender-se fazendo as suas próprias armas; um país que não faz as suas armas e depende de armas de outros países tem uma fraqueza manifesta, uma espécie de vulnerabilidade. Dois, que já não dependemos de tecnologias estrangeiras, atadas a escalas tecnológicas suportadas num software alheio”.

O desenvolvimento do fuzil foi estruturado em três fases. A primeira concentrou-se na investigação e no acompanhamento da tecnologia. A segunda fase correspondeu ao desenho e ao desenvolvimento, período em que foram construídos dez protótipos, mais tarde avaliados pelas Forças Armadas a partir de outubro de 2025. A terceira fase abrangeu a engenharia de processos e produção, na qual foram definidas as linhas de montagem e a produção em massa, inicialmente prevista para o segundo semestre de 2026.

Características do Jaguar, custos e metas do Projeto Jaguar

Este fuzil é composto em 65 % por um polímero de elevada durabilidade e apresenta um conjunto de vantagens face a modelos comparáveis. O seu peso é 15 % inferior ao do Galil ACE, que é constituído por 70 % de aço e 30 % de polímero. Acresce que oferece melhor ergonomia, maior flexibilidade e mais capacidade para suportar condições exigentes, uma vez que foi concebido para se ajustar à geografia diversa da Colômbia. Estima-se ainda que o seu preço fique entre 15 % e 25 % abaixo do de outras armas disponíveis no mercado. Entre outras características do fuzil Jaguar, incluem-se:

  • Fuzil análogo, mais leve, que permite maior manobrabilidade em operações de combate próximo e de elevada mobilidade.
  • Desenvolvido segundo padrões OTAN, no calibre 5,56 x 45 milímetros.
  • Design de 8 polegadas: 3,4 kg; 13 polegadas: 3,5 kg; 18 polegadas: 3,6 kg.
  • Arquitectura modular e pinos de remoção rápida, facilitando a limpeza e a manutenção.
  • Preparado para ambientes como selva, mar e deserto, com elevada resistência à corrosão.
  • Integração de acessórios através de um trilho Picatinny, possibilitando acoplar miras ópticas, dispositivos nocturnos e acessórios tácticos de forma segura e rápida.

O presidente da República, através da sua conta no X, afirmou: “Serão fabricados cem mil fuzis colombianos com marca Jaguar, engenharia colombiana e industrialização na Indumil em Soacha para a defesa da Nação e do seu povo”. Com o Projeto Jaguar - considerado um dos esforços de engenharia militar mais ambiciosos do país nas últimas décadas - pretende-se substituir, de forma gradual, o fuzil Galil nas Forças Armadas, iniciando a transição para o Jaguar. Este processo está planeado para decorrer ao longo de aproximadamente cinco anos, apontando para uma meta anual de 80.000 unidades, com vista a substituir 400.000 fuzis.

Ensaios no CENAE, falhas registadas e respostas oficiais

Depois da apresentação oficial do fuzil Jaguar, entre 14 e 16 de maio realizaram-se exercícios destinados a confirmar a sua validade técnica e operacional no Centro Nacional de Treino (CENAE), localizado no Forte Militar de Tolemaida. As actividades foram conduzidas pela INDUMIL, com apoio de pessoal técnico especializado, envolvendo um total de doze elementos do Exército Nacional, da Armada Nacional, da Força Aeroespacial, da Polícia Nacional e equipas interdisciplinares da própria INDUMIL.

Ao longo destes testes, foi verificado o desempenho funcional do equipamento e recolhida informação técnica. Dois dos fuzis apresentaram falhas, o que levou um técnico e um sargento a necessitarem de assistência médica no posto de saúde da unidade, onde lhes foram realizados procedimentos de assepsia.

Sobre o incidente, a INDUMIL divulgou um comunicado em 19 de maio, no qual informou: “Durante o desenvolvimento dos testes, em dois dos fuzis avaliados ocorreu uma libertação não controlada de gases associada a condições de fecho mecânico não óptimas”. A empresa acrescentou ainda: “A análise técnica realizada pela Indumil permite concluir que os eventos registados estão associados a ajustes do sistema de fecho e de fixação do cano, aspectos inerentes à fase de validação e de reforço técnico de um desenvolvimento desta natureza”.

Estas ocorrências alimentaram desconfiança em alguns círculos especializados, ainda que sejam, em certa medida, expectáveis no desenvolvimento de tecnologia militar. Importa salientar que, precisamente, os componentes que constituíam a parte israelita do Miranda - isto é, o cano e o ferrolho - foram os que, ao que tudo indica, terão evidenciado problemas técnicos. Também é relevante esclarecer que os fuzis não explodiram, como foi exageradamente noticiado por meios não especializados, e que as lesões sofridas pelos militares foram ligeiras, exigindo apenas limpeza e tratamentos básicos.

Perante o sucedido, o ministro da Defesa assumiu a comunicação pública e garantiu que militares e polícias terão um fuzil 100 % fiável para a defesa da soberania, procurando alcançar independência estratégica. Informou igualmente que haverá alterações no calendário de testes e entregas, com o objectivo de assegurar a segurança e disponibilizar um produto final. Do mesmo modo, defendeu o processo, comparando-o com outros desenvolvimentos tecnológicos e sublinhando que é precisamente a fase de ensaios que permite corrigir falhas que exigem ajustes.

Para este autor, episódios como o que ocorreu inserem-se num ciclo de desenvolvimento e aprendizagem, no qual é natural que surjam atrasos e contratempos - algo comum a qualquer invenção tecnológica, sobretudo no sector da defesa. Isto tendo em conta a complexidade da integração de sistemas e a exigência de inovação disruptiva, que recorre a tecnologias de ponta e a desenvolvimentos que, com frequência, enfrentam problemas técnicos imprevistos que exigem investigação e correcção. Resta desejar que este processo chegue a bom porto, em benefício dos homens e das mulheres que compõem as Forças Militares e da defesa da vida, da honra e dos bens de todos os cidadãos.

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