Os temporais do início do ano deixaram danos visíveis no litoral de Ovar e o presidente da câmara reconhece que a próxima época balnear será positiva, embora diferente de outros anos, depois de várias intervenções e de alimentação artificial de areia destinadas a garantir condições.
Relatório da APA aponta Ovar como o município mais afetado
Num relatório sobre ocorrências associadas às tempestades de janeiro e fevereiro - Ingrid, Joseph, Kristin, Leonardo e Marta - a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) identificou os estragos e definiu intervenções ao longo de toda a costa com caráter urgente, além de medidas a curto e a médio prazo.
Nesse balanço, Ovar surge com 204 dos 571 danos comunicados, sendo assinalado como o concelho “mais afetado”. Entre os casos destacados está a praia da Maceda, onde se registou um recuo “na ordem dos 20 metros”, de acordo com o presidente da APA, José Pimenta Machado.
Ovar acelera intervenções para salvar a época balnear
Segundo Domingos Silva (PSD), a prioridade imediata foi avançar com uma primeira intervenção para “tentar salvar a época balnear”, seguindo-se depois a “reposição” da normalidade possível no litoral ovarense.
O autarca descreve uma operação pressionada pelos prazos: "É tudo a correr atrás do tempo. Estou convencido que vamos conseguir. Não vai ser uma época balnear igual às anteriores, mas vai ser uma boa época balnear", afirma à Lusa.
Domingos Silva acrescenta que, por não ter sido dispensado o parecer das entidades responsáveis por acompanhar este tipo de trabalhos, o “horizonte temporal” das obras acabou por se alongar. A isso somou-se a dificuldade em encontrar empresas com disponibilidade para a fase urgente, adjudicada por perto de 375 mil euros.
Sobre o andamento no terreno, refere: "As obras [de reposição de areias] estão já há cerca de duas semanas no terreno (...) Seria para o início da época balnear, que ocorre aqui na nossa zona a 13 de junho, mas admito que se prolongue, até para que as coisas fiquem o melhor possível, até ao final do mês de junho".
Reperfilamento e reparações em Maceda, Torrão do Lameiro, Esmoriz e Furadouro
No Torrão do Lameiro, indica que “vai haver reperfilamento do areal”, intervenção que também se estende a Esmoriz, onde os trabalhos já arrancaram. No Furadouro, explica que foi necessário remediar a obra que estava em execução antes dos temporais, a qual foi afetada, mas deverá ser reposta até ao final do ano.
Da lista de ações identificadas pela APA constavam, além disso, reposições de areias em cinco praias do concelho, para assegurar a possibilidade de ir a banhos, bem como a reparação de estruturas, defesas aderentes, esporões, passadiços e outras infraestruturas de apoio balnear, intervenções que decorrem atualmente.
Ainda que admita existirem “questões a afinar” e que a rapidez não tenha sido a ideal, diz nunca ter assistido a “tanta celeridade como esta” e considera que Ovar terá “praias requalificadas”, mesmo ficando a reposição sedimentar em grande escala para uma fase posterior.
Reposição de 3,5 milhões de metros cúbicos e alerta para risco ambiental
Para a praia da Maceda está prevista uma alimentação artificial “de escala muito grande, com 3,5 milhões de metros cúbicos”, que Domingos Silva espera ver iniciada “em 2028 ou 2029, o mais tardar”.
O presidente da câmara sublinha a dimensão do reforço esperado e o impacto na proteção costeira: "É muita areia, vamos ter aqui praias novas, não só pela fruição mas pela defesa do território. Aqui em Maceda, em particular, temos um aterro sanitário, selado desde os finais dos anos 1990, e está controlado. Não está em perigo "per si", mas está a 550 metros do mar. Já esteve a 700, o que significa que o mar está a ganhar terreno, e de forma muito rápida", alerta.
O autarca diz já ter colocado em cima da mesa a possibilidade de, dentro de várias décadas, Portugal enfrentar “um desastre ambiental”, defendendo que a resposta deve começar por reforçar a proteção do areal e, pelo menos nesta fase, manter “monitorização constante”.
Espinho abre a época de banhos a 1 de junho e planeia obras
Em Espinho, o impacto imediato foi menos exigente, segundo o presidente Jorge Ratola (PSD), que refere não ter existido “necessidade extraordinária de repor areia nas praias”, apesar de se tratar de um destino balnear conhecido.
A época de banhos no concelho abriu a 1 de junho, com o objetivo de “reforçar a atividade turística do concelho”. Ratola explica que o município se preparou com uma duna artificial na praia e com alguns sacos na zona dos pescadores, procurando reduzir os efeitos dos temporais dos primeiros meses do ano.
O autarca admite que o episódio meteorológico condicionou a calendarização: "Atrasou-nos o planeamento. O impacto na nossa costa não foi muito relevante, embora tenhamos perdido um mês com isso. (...) As praias estão preparadas, os equipamentos instalados para as atividades".
Segundo Jorge Ratola, a APA já está a intervir num dos esporões e, posteriormente, arrancarão mais duas ações: uma junto à capela de Paramos e outra na baía.
Estas empreitadas constam da lista de intervenções de curto prazo do relatório da APA, o que implica conclusão até ao final de 2027. O documento inclui ainda uma intervenção a médio prazo (a partir de 2028), numa estrutura aderente em Silvalde.
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