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O processo para integrar helicópteros UH-60 Black Hawk na Aviação do Exército Argentino poderá estar a aproximar-se da sua fase mais decisiva até agora. Com base no que a Zona Militar tem vindo a acompanhar nos últimos meses, tudo aponta para que as próximas semanas tragam desenvolvimentos concretos sobre uma aquisição que o Exército persegue há bastante tempo e que, gradualmente, foi ganhando forma.
UH-60 Black Hawk e a modernização da força
A intenção institucional foi assumida de forma inequívoca. O próprio Chefe do Estado-Maior-General do Exército Argentino, Tenente-General Oscar Santiago Zarich, referiu publicamente o Black Hawk no âmbito do 216.º aniversário do Exército Argentino, apontando-o como uma das peças-chave do processo de transformação da força. Fê-lo no mesmo discurso em que delineou uma agenda de modernização que inclui o TAM 2C-A2, os veículos Stryker e os sistemas anti-drones, deixando claro que a chegada destas aeronaves não é um desejo isolado, mas sim parte de um roteiro definido.
Da licitação pública ao Foreign Military Sales (FMS)
O percurso até aqui esteve longe de ser simples. No final de 2024, o Exército procurou avançar através de uma licitação pública para comprar três aeronaves, mas esse procedimento acabou por ser anulado. Em vez de significar um bloqueio permanente, esse episódio levou a uma alteração do rumo: em lugar de uma licitação comercial, o Exército passou a concentrar esforços no mecanismo de vendas militares estrangeiras entre governos conhecido como FMS, o Foreign Military Sales dos Estados Unidos, uma via mais directa e com maior suporte institucional por parte de Washington.
Essa mudança trouxe resultados. Em março de 2026, a Argentina e os Estados Unidos chegaram a um entendimento sobre a aquisição de helicópteros UH-60 provenientes dos stocks do Exército norte-americano, que actualmente está a reorganizar a sua própria aviação e dispõe de aeronaves em segunda mão em condições operacionais. O pacote em negociação não se restringe à compra das aeronaves, contemplando também sustentação logística, peças sobressalentes, assistência técnica e treino do pessoal - elementos indispensáveis para assegurar a operatividade da frota no longo prazo.
Trâmites nos EUA, LOA e a necessidade operacional
Ainda assim, para que a operação seja formalizada, a compra tem de cumprir as etapas burocráticas do sistema norte-americano, incluindo a autorização do Congresso dos EUA e, depois, a assinatura das Cartas de Oferta e Aceitação, o instrumento conhecido pela sigla LOA, através do qual a Argentina formalizaria a aquisição. É precisamente em torno dessas etapas que as próximas semanas poderão ser determinantes.
O enquadramento histórico acrescenta peso a esta aquisição. O Exército Argentino perdeu a sua capacidade de helicópteros médios e pesados há mais de quatro décadas. Os CH-47 Chinook ficaram nas Malvinas em 1982 e nunca foram substituídos. Desde então, a espinha dorsal da Aviação do Exército assenta nos veteranos UH-1H Huey e nas suas variantes, aeronaves com décadas de serviço que também exigem renovação. A incorporação dos UH-60 viria ainda preencher o vazio deixado pela retirada, sem substituição, dos SA-330 Puma e SA-332 Super Puma - helicópteros que, no seu tempo, deram à força capacidades que hoje já não possui.
Se o financiamento se consolidar e as diligências avançarem como previsto, as primeiras unidades poderão chegar ao país antes do final de 2026, embora, como em qualquer processo desta natureza, o factor económico continue a ser o principal condicionante. O que parece evidente é que há impulso no processo e que as próximas semanas dirão muito sobre quão perto está o Exército Argentino de voltar a voar com meios de categoria média.
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