Projeto-piloto de pontos de água em Freixo de Espada à Cinta
O município de Freixo de Espada à Cinta está a pôr no terreno um projeto-piloto para assinalar e identificar pontos de água que possam servir de apoio ao abastecimento das viaturas dos bombeiros durante o combate aos incêndios. Em troca, a autarquia compromete-se a assegurar a limpeza dos terrenos onde esses pontos se encontram.
À margem do IV Encontro Transfronteiriço de Fogos Rurais - realizado este sábado na vila, no distrito de Bragança, e organizado pela Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Freixo de Espada à Cinta - o presidente da Câmara, Nuno Ferreira, explicou que o levantamento está a avançar com apoio da população. "Nesta altura já foram identificados três e vão ser alocados mais, através do voluntariado por parte dos munícipes, em colaboração com a autarquia e a Proteção Civil", referiu.
Incêndio de 15 de agosto de 2025 e indemnizações
No concelho, o grande incêndio que começou a 15 de agosto de 2025 continua presente na memória coletiva. Ao longo de vários dias, as chamas destruíram cerca de 17 mil hectares de mato e floresta, provocando um impacto agrícola avaliado em mais de quatro milhões de euros.
Segundo Nuno Ferreira, parte dos apoios já foi paga pelo Estado. "Já foram pagos, através do Governo, cerca de 1,8 milhões de euros, tendo sido submetidas mais de 300 candidaturas de pessoas com prejuízos até dez mil euros, embora haja agricultores com danos muito superiores, só colmeias foram mais de 1200 colmeias que arderam", detalhou.
Para o autarca, a fase seguinte depende agora do Governo, uma vez concluídos os procedimentos locais de identificação e verificação. O resto dos prejuízos "é da responsabilidade do Governo, porque nós fizemos a identificação [prejuízos] e tudo o que havia para inspecionar já o foi. As candidaturas foram submetidas dentro do prazo e agora compete ao Governo fazer os pagamentos, até porque urge que sejam feitos", afirmou, acrescentando que continua por liquidar "cerca de três milhões de euros, porque a paisagem natural perdeu-se e está localizada no Parque do Douro Internacional".
Bombeiros não têm camião-cisterna
A Associação Humanitária dos Bombeiros de Freixo de Espada à Cinta alertou para a falta de um camião-cisterna. De acordo com o presidente da associação, Edgar Gata, a corporação tem recorrido a uma antiga viatura usada para transporte de leite, "mas já não está em condições e tem de ir para abate".
Em 2023, no âmbito do Programa de Recuperação e Resiliência (PRR), foram entregues camiões-cisterna a várias corporações do país, mas os bombeiros freixenistas não foram incluídos. A situação foi apresentada ao secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha, presente no Encontro sobre Fogos Rurais, que disse não conhecer a razão dessa exclusão. "É anterior ao meu mandato no Governo. Estamos a fazer o levantamento das necessidades que detetamos. Carreamos para o PRR as necessidades que detetamos nos bombeiros em várias áreas. Precisaríamos cerca de 550 milhões de euros para quartéis, viaturas, centros de meios aéreos e bases de apoio logístico", indicou, sublinhando a intenção de avançar com um plano de reequipamento dos bombeiros com horizonte de dez anos.
Apoio municipal: limpeza de terrenos e requalificação do quartel
Para além do trabalho articulado com as comissões de fogos rurais, o município tem reforçado a prevenção, apostando "na limpeza constante de terrenos durante o ano". Nuno Ferreira acrescentou ainda que a autarquia reforçou o apoio financeiro e material à corporação: "aumentou para 50 mil euros por ano a verba que atribuiu aos bombeiros, que com os acordos todos ultrapassa os 150 mil euros anuais, foi adquirida mais uma viatura para o comando, bem como equipamentos para os operacionais".
Está também prevista a requalificação do quartel dos Bombeiros de Freixo de Espada à Cinta. A obra tem um orçamento de 600 mil euros e deverá arrancar em agosto, com um prazo de execução de um ano.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário