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UNESCO leva à China o projeto "Ponte... nas Ondas!" que une o Norte e a Galiza

Jovens reunidos numa ponte em ambiente rural, com rádio, laptop e um rapaz vestindo traje tradicional português.

A UNESCO vai apresentar na China o projeto "Ponte... nas Ondas!", uma iniciativa que aproxima o Norte de Portugal e a Galiza e que pretende demonstrar um "modelo" de salvaguarda do Património Cultural Imaterial.

Há cerca de 30 anos que as emissões de rádio da associação Ponte... nas Ondas! (PNO!) ligam dezenas de escolas do Norte de Portugal e da Galiza. Agora, esses programas começaram também a incluir imagem, mantendo o mesmo objetivo: animar as comunidades escolares dos dois lados da fronteira e, ao mesmo tempo, espalhar conhecimento.

Reconhecido pela UNESCO, desde 2022, como "modelo de boas práticas" na proteção do Património Cultural Imaterial, o projeto será ainda mostrado como "exemplo para o Mundo" na 21.ª sessão do Comité Intergovernamental daquela organização. O encontro realiza-se entre 30 de novembro e 5 de dezembro deste ano, em Xiamen, na China.

Entretanto, o PNO! fez, há dias, uma emissão de "rádio visual" em direto de Lugo, em Espanha, com alunos da Escola Deu la Deu Martins, em Monção - uma transmissão acompanhada pelo JN.

Cultura não se arquiva

"Hoje 'achegámo-nos' a Quiroga, e estamos na Fundação Legar, num recanto do Courel [Geoparque de Montanhas], onde a cultura não se arquiva, transmite-se", abriu o apresentador, sublinhando que "é preciso partilhar o património". Para esta emissão, foi convidado o investigador da tradição galega Xavier Blanco, que conduziu uma espécie de visita guiada por instrumentos artesanais e primitivos - de cordas, sopro e percussão -, explicando que alguns serviam tanto para fazer música como para tarefas da lavoura ou para "comunicar com o gado".

Perante o espanto de alguns alunos, exibiu cornos, búzios e outras peças fabricadas com materiais naturais, como madeira, vara de sabugueiro ou tripa de animais. Mostrou também o que designou por "instrumentos pobres": utensílios agrícolas que, além do uso no campo, eram igualmente aproveitados para produzir música.

"Gostei muito dos instrumentos de sopro. É muito fixe usarem instrumentos da agricultura para fazer música e também apreciei as músicas que cantam enquanto estão a trabalhar", afirmou Guilherme Pires, de 12 anos, porta-voz da escola de Monção na emissão. "Acho divertido isto de ler em público e saber novas culturas", acrescentou o aluno do 6.° ano, que foi elogiado. "Muita gente me tem dito que dava um bom apresentador. Na verdade, adoro jogar futebol, mas gostava muito de ser jornalista".

Alegres e sensibilizados

A professora Lucília Mochão, responsável pela disciplina de Comunicação, explica que esta "ponte" entre Portugal e a Galiza "gera bastante interesse" junto dos alunos - ao ponto de já terem desenvolvido, em conjunto, um trabalho sobre as pesqueiras do rio Minho. A docente Isabel Vilas Boas reforça que as entrevistas ligadas a esse tema "foram feitas por alunos dos dois lados da fronteira", inseridas num projeto com uma escola da localidade galega de Salvaterra do Miño, intitulado "Na mesma onda".

Esmeralda Carvalho, representante em Portugal da PNO! desde a fundação da associação, em 1995, entende que a iniciativa "tem dado muitos frutos". E realça que "o mais importante é que os alunos se divirtam e que fiquem sensibilizados para o conhecimento e preservação do seu património".

"É um projeto que muito nos orgulha. A Ponte... nas Ondas! foi escolhida agora pela UNESCO como modelo exemplar para o Mundo, para integrar uma nova plataforma interativa que eles vão apresentar em dezembro na China, onde contamos estar presentes", revelou.

Começou numa ponte e agora já tem imagens

A origem do PNO! está numa experiência de rádio entre escolas de Salvaterra de Miño e Monção, associada à inauguração da ponte que une aqueles dois concelhos. A partir daí, foi-se transformando num projeto dedicado a salvaguardar e a transmitir às gerações mais novas o património cultural imaterial na fronteira luso-galega - um trabalho reconhecido pela UNESCO e que, recentemente, passou a incluir imagem.

"No 30.º aniversário, em 2025, iniciámos um modelo para o qual inventamos a palavra 'rádio visual'. São emissões de programas de rádio com imagem", explica Santiago Veloso, presidente da PNO!, lembrando os primeiros tempos. "Aquela experiência em 1995 foi tão bem acolhida entre a comunidade educativa das duas margens e socialmente, que a participação de escolas se foi incrementando. Chegamos a ter jornadas de 24 horas de emissão, com a participação de alunos desde o infantário até à universidade". "Educação, comunicação, património e novas tecnologias, essa é a fórmula", conclui.

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