Israel reconheceu este sábado que matou por engano "dois oficiais e um soldado" do exército libanês no sul do Líbano, numa ação que, segundo a sua versão, pretendia atingir o grupo xiita pró-iraniano Hezbollah.
Ataque em Tebnit: versão de Israel sobre o alvo e a ameaça
Num comunicado, as forças armadas israelitas indicaram que o objetivo foi um veículo detetado a circular "de forma suspeita" nas proximidades da localidade de Tebnit.
Israel descreveu a área como uma "zona de combate ativa", anteriormente evacuada, e sustentou que ali existiam sinais de atividade do grupo xiita libanês apoiado pelo Irão.
De acordo com o exército israelita, o ataque foi lançado após a identificação do veículo e perante uma "ameaça concreta" de disparos contra as tropas israelitas destacadas naquele setor.
No mesmo texto, a força israelita sublinhou que a operação se destinava "contra o Hezbollah e não contra o exército libanês", numa declaração citada pela agência de notícias espanhola EFE.
Israel acrescentou ainda que o sucedido está a ser alvo de investigação e que serão "extraídas as lições pertinentes".
Resposta do exército do Líbano e acusações contra Israel
Também o comando das forças armadas do Líbano emitiu um comunicado, no qual denunciou que "uma agressão israelita bárbara" provocou o "martírio de dois oficiais, com as patentes de brigadeiro-general e capitão, e de um soldado".
No texto divulgado pela agência de notícias estatal NNA, o exército libanês afirmou: "A continuação da agressão israelita brutal, deliberada e repetida contra o Líbano, o seu povo e o exército apenas reforça a nossa resolução, fé e determinação".
O comando libanês acusou ainda Israel de procurar, com os ataques, "frustrar todos os esforços para alcançar uma solução que permita a restauração da estabilidade, um cessar-fogo abrangente e a retirada israelita dos territórios libaneses ocupados".
Continuação dos bombardeamentos, cessar-fogo e balanço de vítimas
Os bombardeamentos israelitas prosseguiram durante a noite e ao longo da manhã de hoje no sul do Líbano, com ataques registados em quase todos os distritos, incluindo Nabatieh, Sídon, Tiro, Jezzine, Marjayoun e Bint Jbeil.
Apesar de não integrar a atual guerra entre Israel e o Hezbollah, o exército libanês tem sido atingido por vários ataques desde o início do conflito, há três meses.
As forças armadas do Líbano são vistas como um pilar central de qualquer entendimento negociado para o quadro atual, por serem apontadas como responsáveis por implementar um eventual desarmamento do Hezbollah e por o substituir nas zonas que controla.
Na quarta-feira, Líbano e Israel acordaram um cessar-fogo condicionado ao fim dos ataques do Hezbollah. A organização rejeitou a proposta e voltou a instar as autoridades libanesas a abandonarem as negociações.
O Hezbollah arrastou o Líbano para a guerra no início de março, ao atacar Israel para vingar a morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, em 28 de fevereiro, no arranque da ofensiva israelo-americanas contra o Irão.
Segundo o balanço mais recente das autoridades, os ataques israelitas contra o Líbano fizeram mais de 3.560 mortos desde então.
Do lado israelita, morreram no Líbano 27 soldados e um trabalhador civil contratado, de acordo com números oficiais citados pela agência de notícias France-Presse (AFP).
Teerão defende que qualquer entendimento com Washington para pôr termo à guerra deve incluir o fim das hostilidades na frente libanesa e a retirada das forças israelitas.
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