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Candemil protesta pelo corte da EN15; Infraestruturas de Portugal admite reabertura só em 2027

Mulher e grupo de homens junto a estrada danificada com buraco, bloqueada por barreiras laranja numa zona rural.

A população denuncia que o corte da via está a agravar o isolamento, a aumentar os custos e a prolongar a falta de respostas. A Infraestruturas de Portugal admite que a reposição da circulação poderá acontecer apenas em 2027.

Derrocadas na EN15 agravaram o isolamento em Candemil

Quatro meses depois de as fortes intempéries de fevereiro terem provocado derrocadas que interromperam o trânsito na Estrada Nacional 15 (EN15), os moradores de Candemil, no concelho de Amarante, dizem estar no limite. O descontentamento vai agora sair para a rua, com uma manifestação marcada para este sábado e promovida pela junta de freguesia.

O problema centra-se no encerramento do troço da EN15 ao quilómetro 74,800, onde uma parte da plataforma rodoviária acabou por ceder e deslizar pela encosta. Desde esse momento, centenas de residentes passaram a depender de itinerários alternativos mais longos para chegar a serviços básicos, aos locais de trabalho, às escolas e aos cuidados de saúde.

O que, para quem está de fora, pode parecer apenas um desvio de poucos quilómetros, traduz-se no Interior em mais gastos, mais tempo desperdiçado e um acesso mais difícil a serviços essenciais.

"Fomos esquecidos"

Entre quem vive em Candemil, a crítica principal aponta para a falta de comunicação e para o arrastar do processo. "Está a lidar-se muito mal com esta situação", afirma Norberto Teixeira de Moraes, residente em Candemil. "As pessoas que precisam de ir ao centro de saúde, à farmácia ou tratar de qualquer assunto em Amarante são obrigadas a fazer voltas enormes. Onde antes se faziam seis quilómetros, agora faz-se praticamente o dobro."

A interrupção afeta não só Candemil, mas também freguesias próximas como Gondar, Ansiães, Aboadela, Várzea e Sanche, bem como as uniões de freguesia de Bustelo, Carneiro e Carvalho de Rei.

A perceção de abandono tem vindo a intensificar-se. "Não nos dizem nada. Ninguém fala connosco. Sentimo-nos esquecidos. Aqui não estamos apenas a falar de conforto. Estamos a falar de acesso a cuidados de saúde e de apoio a idosos", refere Cristina Barbosa.

A presidente da Junta de Freguesia de Candemil, Ana Sofia Briga, tem igualmente vindo a chamar a atenção para os efeitos acumulados do fecho desta ligação.

Só a partir do próximo ano

"Esta situação está a provocar constrangimentos significativos na vida das pessoas. Há um aumento dos custos de deslocação, dificuldades acrescidas para idosos, estudantes e pessoas com mobilidade reduzida, além dos prejuízos para as instituições locais", refere.

A Câmara Municipal de Amarante assegura que tem acompanhado o processo junto da Infraestruturas de Portugal (IP). O presidente da autarquia, Jorge Ricardo, diz que a empresa pública mantém em curso os estudos técnicos e os projetos necessários para avançar com a intervenção.

"O assunto não está esquecido. Sabemos perfeitamente os transtornos que esta situação está a causar às populações, mas estamos perante uma intervenção complexa", afirmou.

"Está agendada para o próximo dia 16 de junho uma nova reunião entre o município e a IP para avaliar a evolução do processo", revela o autarca.

Prazos da Infraestruturas de Portugal apontam para 2027

Em resposta ao JN, a IP indicou que "está em desenvolvimento o projeto de engenharia necessário para estabilizar a encosta e reconstruir a infraestrutura".

A empresa prevê ter o projeto concluído "até ao final de julho". Depois, seguirá o lançamento da empreitada, sendo esperado que a circulação só seja retomada nos "primeiros meses de 2027".

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