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Norte-americano com Ébola recebe alta em Berlim com a família

Casal abraça-se emocionado à saída do hospital com médico sorridente e fotógrafos ao fundo.

Alta hospitalar em Berlim após infeção por Ébola

O norte-americano que esteve internado em Berlim, a pedido dos Estados Unidos, depois de ter contraído o vírus do Ébola na República Democrática do Congo, teve hoje alta, tal como os seus cinco familiares, estando todos "de boa saúde", informou o hospital.

De acordo com a Charité, o doente - em quem "já não foi detetado qualquer vírus" há uma semana -, a esposa e os quatro filhos, que se mantiveram assintomáticos durante o período de quarentena, "deixaram hoje os cuidados médicos da Charité em boas condições de saúde", segundo um comunicado.

As autoridades de saúde levantaram a ordem de isolamento por volta das 12:00 de hoje, uma vez que, segundo a unidade hospitalar, "desde 30 de maio, já não foi detetado qualquer vírus nos testes diários de acompanhamento".

A mulher e as crianças, que ficaram instaladas na mesma unidade especial de isolamento, não apresentaram sintomas e os testes laboratoriais não identificaram qualquer vírus. A quarentena terminou à mesma hora, "21 dias após o último contacto de alto risco".

Exposição ao vírus e internamento na Charité

Peter Stafford, médico missionário da ONG cristã norte-americana Serge, foi internado a 20 de maio numa unidade de isolamento destinada a doenças infecciosas de alto risco. A exposição ao vírus ocorreu enquanto prestava cuidados a doentes no hospital de Nyankunde, no leste da República Democrática do Congo.

O hospital refere que, numa fase inicial, o paciente se encontrava muito debilitado, mas a sua carga viral baixou de forma expressiva "graças ao tratamento antiviral e aos cuidados de suporte".

Tratamento com Remdesivir e declarações

Peter Stafford recebeu anticorpos e um antiviral, o Remdesivir, fabricado pelo grupo norte-americano Gilead Sciences.

"Recebi cuidados de excelência, incluindo terapias experimentais atualmente em fase de ensaio para este tipo de vírus", declarou o norte-americano, citado pela Charité.

"Os nossos pensamentos estão com os habitantes do Congo que não têm acesso a estes cuidados", acrescenta.

Citado no comunicado, Leif Erik Sander, diretor do departamento de doenças infecciosas, salientou o papel "indispensável" da unidade de isolamento, equipada com os "mais elevados padrões de segurança", neste "grande sucesso terapêutico".

"Perante o aumento dos riscos a nível mundial, este caso evidencia a importância crucial destas estruturas especializadas para a segurança sanitária", sublinhou o responsável.

Balanço da OMS sobre o surto de Ébola na África Central

Na África Central, foram confirmados perto de 500 casos de infeção pelo vírus do Ébola, num contexto em que cresce a apreensão quanto à dimensão que a epidemia de febre hemorrágica poderá alcançar, segundo o mais recente balanço da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgado hoje.

Na atualização diária, a OMS contabiliza 452 casos confirmados, incluindo 82 mortes, na República Democrática do Congo, onde o surto foi declarado há três semanas.

No Uganda, foram registados 19 casos confirmados, incluindo duas mortes.

O Ébola transmite-se através de contacto próximo e de fluidos corporais e causou mais de 15 mil mortes em África ao longo dos últimos 50 anos.

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