Nicolás Tivani foi o vencedor da edição passada e quer tornar-se no primeiro estrangeiro a conquistar a prova em dois anos consecutivos.
Nicolás Tivani volta a alinhar no Grande Prémio JN/Leilosoc na condição de campeão em título, determinado a voltar a marcar o seu nome na história da corrida. O argentino da Aviludo-Louletano-Loulé chega com confiança depois de, em 2024, ter envergado a camisola amarela ainda na segunda etapa e de não mais largar a liderança até ao fim. Tem consciência de que repetir será exigente, mas acredita que a equipa tem argumentos e que o percurso se adapta às suas características. Caso vença novamente, poderá ser o primeiro ciclista estrangeiro a somar duas vitórias na classificação geral desta prova.
Que impacto teve, na sua carreira, a vitória no Grande Prémio JN do ano passado?
Foi, de verdade, um momento muito especial para mim. Nunca imaginei que era capaz de ganhar tantas etapas e, acima de tudo, de vencer o Grande Prémio JN. Tenho de agradecer, sobretudo, à equipa, porque foi quem mais acreditou em mim e me fez perceber que eu podia conquistar esta corrida. Foi muito bonito terminar a época com um triunfo numa prova tão especial. Sinto que foi fechar a temporada em grande.
Sendo uma prova histórica e tão tradicional em Portugal, a vitória sabe ainda melhor?
Sim, sem dúvida que tem um sabor especial. Toda a gente que corre em Portugal quer ganhar esta corrida. Este é apenas o meu terceiro ano a competir aqui e sempre gostei muito do Grande Prémio JN. No primeiro ano consegui vencer uma ou duas etapas, mas sempre ouvi falar muito bem da competição e nunca pensei que fosse tão grande como realmente é.
Numa corrida em que, como referiu, todos querem ganhar, o peso da equipa torna-se ainda maior?
Sem dúvida. No meu caso, sem a equipa eu não teria conseguido ganhar o Grande Prémio no ano passado. É o suporte principal para um corredor fazer uma boa corrida. E não falo só dos ciclistas, mas de toda a estrutura. Isso é decisivo para quem quer lutar por um resultado importante. Além disso, um dos objetivos que assumimos todos os anos, dentro da nossa estrutura, é ter uma grande prestação no Grande Prémio JN. Por isso, queremos repetir 2025.
Este ano apresenta-se como campeão em título e com o dorsal número um. Isso dá motivação ou aumenta a pressão?
Para mim, é motivação, claro. É muito especial e também um privilégio poder usar o dorsal número um. É uma prova de que gosto muito e vamos tentar fazer o mesmo que fizemos no ano passado.
A edição deste ano terá menos dias de corrida. Isso altera algo na preparação?
Quando a prova tem menos dias, o pelotão fica muito mais agressivo. E a margem de erro diminui bastante. Se queremos ganhar, não podemos ter um dia mau. Temos de estar focados desde o primeiro dia e fazer o melhor possível em todas as etapas. É preciso uma equipa forte para controlar um pouco a corrida, mas sei que vai ser uma competição um pouco louca e temos de estar atentos a isso.
No historial de vencedores, nenhum estrangeiro ganhou duas vezes. Dá para fazer história e repetir o sucesso do ano passado?
Claro que sim, e seria muito importante para mim. Sei que é muito complicado, porque as outras equipas são muito fortes e também querem vencer, mas nesta vida nada é impossível e vamos tentar voltar a ganhar o Grande Prémio.
A época já vai com alguns meses. Como olha para a força dos adversários?
Acho que este ano as equipas arrancaram mais fortes. Há cada vez mais pressão para os corredores começarem a temporada em melhor forma e isso nota-se. Vamos ter um Grande Prémio muito competitivo e com um nível muito alto. Vê-se muita gente a fazer altitude, muita gente a treinar na montanha, e isso vai sentir-se nesta corrida.
Este ano, a corrida disputa-se antes da Volta a Portugal. Isso muda alguma coisa?
Vai ser diferente. No ano passado, correu-se depois da Volta a Portugal e muita gente acusa o desgaste, porque são muitos dias de competição e o corpo vai ao limite. Agora será diferente. Claro que, para muitas equipas, a Volta a Portugal continua a ser o principal objetivo, mas nós temos de dar importância a esta corrida. No meu caso, não vou alterar nada na preparação. Gosto de fazer uma época regular e de estar em forma durante todo o ano. Já tive bons resultados, fui campeão nacional da Argentina e estar presente nesta corrida, com a camisola de campeão, é muito importante.
A grande exposição mediática deste Grande Prémio é uma motivação extra?
Claro que sim. Num desporto com tanto sacrifício como o ciclismo, conseguir chegar a tanta gente e a tantos países é muito importante. A minha família acompanha os vídeos, as notícias e está sempre atenta. A divulgação feita pelo JN é muito importante e, no meu caso, faz-me sentir um pouco mais perto de casa.
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