Depois de ter renovado o Golf GTI e o GTI Clubsport, a Volkswagen voltou-se para o Golf R e decidiu transformá-lo no Golf de produção em série mais potente de sempre - descontando as séries especiais 20 Years Edition e R 333.
Este é o principal argumento do novo Volkswagen Golf R (Mk. 8.5), agora apresentado oficialmente, embora já o tenhamos conhecido há algumas semanas no Lausitzring, nos arredores de Berlim (Alemanha).
Não estamos perante uma geração totalmente nova, mas sim uma atualização. E, como é habitual, a Volkswagen tende a não mexer demasiado em receitas que já funcionam. Ainda assim, isso não impediu a introdução de várias alterações.
Sem vos tirar o fator surpresa - dentro de poucos dias poderão ver um primeiro contacto em vídeo ao volante deste modelo no canal de YouTube da Razão Automóvel - posso desde já admitir que o Golf R voltou a evoluir e ficou ainda mais afinado.
«R» de sucesso
A presença da letra «R» na história da Volkswagen começou a ganhar forma em 2002, com a estreia do já lendário Golf R32, que o Guilherme Costa experimentou há alguns meses:
Desde então, foram entregues mais de 250 000 unidades com assinatura Volkswagen R, marca que já assumiu que, a partir de 2030, terá apenas modelos 100% elétricos.
Mas essa é uma discussão para o fim da década. Para já, o foco continua a ser a combustão interna - mais concretamente o EA888 LK3 evo4, um quatro cilindros turbo de 2,0 litros que eleva este Golf R para novos níveis de potência.
Mais potência
A razão é simples: o Golf R (e o Golf R Variant, de cariz mais familiar) passa de 320 para 333 cv - um valor que, até agora, estava reservado ao Golf R 20 Years Edition e ao Golf R 333, duas versões especiais e comemorativas.
A partir de agora, esta fasquia passa a estar disponível em toda a gama. O binário máximo mantém-se nos 420 Nm, embora disponível ao longo de uma faixa de rotações ligeiramente mais abrangente.
Há ainda outra novidade: o Golf R consegue manter a pressão do turbo mesmo quando estamos parados num semáforo, solução que ajuda a tornar a resposta ao arranque mais imediata.
A gestão fica a cargo de uma caixa automática DSG de sete relações, combinada com um sistema de tração integral. Com este conjunto, o Volkswagen Golf R cumpre os 0 aos 100 km/h em 4,6s (antes precisava de 4,7s), menos 0,2s do que o tempo anunciado para o Golf R Variant.
A velocidade máxima permanece limitada eletronicamente a 250 km/h, mas com o Pack de Desempenho (opcional) é possível elevar esse limite para 270 km/h.
E já que falamos do Pack de Desempenho, importa referir que este inclui também jantes forjadas de 19 polegadas (com apenas 8 kg cada). Pela primeira vez, estas jantes exibem o “R” ao centro, em vez do habitual “VW”.
As versões com este pacote distinguem-se ainda por integrarem um escape em titânio da Akrapovic, acompanhado por uma sonoridade mais incisiva.
Trunfos importantes
Com uma suspensão 15 mm mais baixa do que a do Golf GTI Clubsport, o Golf R continua a evidenciar-se pelo sistema de vetorização de binário R, capaz de enviar até 100% do binário para a roda traseira exterior.
Além disso, através de controlo eletrónico, o sistema consegue travar uma das rodas dianteiras, com o objetivo de melhorar a tração em curva e reforçar a agilidade do conjunto.
Outra mudança relevante é o facto de o controlo adaptativo do chassis (DCC), anteriormente opcional, passar a fazer parte do equipamento de série.
Em conjunto com os vários modos de condução - Eco, Conforto, Desporto, Corrida e Individual - e com os modos Especiais (otimizado para o Nürburgring) e Derrapagem, exclusivos do Pack de Desempenho, o DCC continua a ajustar o comportamento do Golf R ao piso e ao contexto de condução.
Imagem retocada
Como seria de esperar, o Golf R também recebeu uma atualização visual em linha com as mudanças já aplicadas às restantes versões do Golf.
Na dianteira, o desenho foi revisto e passaram a existir novos faróis, de aspeto mais agressivo, novas entradas de ar no para-choques e um logótipo iluminado - uma estreia na gama Golf R.
De perfil, tirando as jantes, há poucas novidades a assinalar. O mesmo acontece na traseira, que continua a destacar-se pelo aerofólio de grandes dimensões, pelas quatro ponteiras de escape e por um difusor bem marcado.
Talvez a maior novidade seja a disponibilidade de uma versão R Edição Negra, que adiciona múltiplos detalhes escurecidos para uma imagem mais diferenciada e mais ameaçadora.
No habitáculo, a principal nota vai para o novo ecrã central de 12,9’’, com um sistema de infoentretenimento revisto, mais rápido e com grafismos atualizados. Há ainda novos comandos físicos no volante e novos acabamentos no tablier (incluindo uma opção em carbono) e nos bancos desportivos.
Como seria de esperar, mantém-se o painel de instrumentos totalmente digital de 10,2’’, que coloca o conta-rotações no topo do ecrã e que, apenas com o Pack de Desempenho opcional, disponibiliza um cronómetro de voltas com base em GPS e um medidor de forças G.
Quando chega?
As encomendas na Europa vão abrir ainda durante o mês de junho, coincidindo com a celebração dos 50 anos do Golf.
Apesar disso, não há, para já, qualquer informação sobre quando chegarão as primeiras unidades a Portugal, nem sobre os preços no nosso mercado.
Ainda assim, e a título de referência, a Volkswagen já confirmou que, na Alemanha, o Golf R ficará ligeiramente mais acessível do que antes. Falta perceber se o mesmo acontecerá por cá: antes de desaparecer do configurador da Volkswagen em Portugal, o Golf R anterior custava 63 316 euros.
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