À medida que a União Europeia aperta as regras relativas às emissões, os fabricantes automóveis são obrigados a acelerar a eletrificação das suas gamas - e a Dacia está claramente incluída nesse movimento.
Neste momento, a marca romena tem apenas um veículo totalmente elétrico à venda: o Dacia Spring. Ainda assim, a oferta “a bateria” vai crescer de forma significativa nos próximos anos. A indicação foi dada por Denis Le Vot, diretor-executivo da Dacia, numa conversa com a Autocar, onde deixou claro que a marca se prepara para uma nova etapa com muita eletrificação, cujos contornos deverão ser apresentados em novembro.
Entre as novidades já adiantadas pelo próprio, destaca-se uma confirmação importante: vai existir um Duster 100% elétrico.
Dacia Duster 100% elétrico: impacto e interesse para empresas em Portugal
A chegada de um Dacia Duster 100% elétrico tende a aumentar ainda mais a atratividade do modelo junto do mercado profissional em Portugal. Isto porque a fiscalidade portuguesa, sobretudo para as empresas, é muito favorável aos carros 100% elétricos: possibilidade de dedução integral do IVA, tributação autónoma mais vantajosa (com isenção até 62.500 € + IVA) e isenção de IUC.
Do ponto de vista do custo total de utilização, a versão elétrica também pode trazer ganhos relevantes em frotas com utilização previsível (por exemplo, percursos pendulares e entregas urbanas), sobretudo quando existe carregamento no local de trabalho. Nesses cenários, o controlo do custo por quilómetro e a simplificação de manutenção (em comparação com motorizações a combustão) são fatores que podem pesar na decisão.
Calendário: ainda sem data, mas “virá a tempo”
Denis Le Vot não avançou com um prazo concreto para o lançamento, limitando-se a dizer que o modelo “virá a tempo”. Em paralelo, importa enquadrar a estratégia da marca: a geração atual do Duster tem margem para continuar no mercado durante vários anos e, por isso, a versão elétrica deverá funcionar como reforço de gama, e não como substituição imediata das motorizações existentes.
Na prática, é expectável que o Duster elétrico seja disponibilizado ao lado das opções a gasolina, bifuel e híbrida, permitindo ao cliente escolher a solução mais adequada ao seu perfil de utilização e orçamento.
O que já se sabe sobre a base técnica?
Tudo indica que o Dacia Duster elétrico vai recorrer a uma plataforma já existente dentro do Grupo Renault: a Ampr Small (designação atual da CMF-BEV), a mesma arquitetura usada pelo Renault 5 e pelo Renault 4.
Esta base tem raízes na CMF-B, plataforma que, atualmente, sustenta praticamente todos os modelos Dacia (com exceção do Spring). Esse parentesco técnico pode facilitar economias de escala e reduzir custos de desenvolvimento, tornando mais plausível um posicionamento competitivo.
Aliás, a Dacia tem sido consistente num dos seus pilares para manter preços contidos: maximizar sinergias entre modelos através de partilha de componentes e soluções técnicas comuns, sempre que possível.
Planos futuros: a eletrificação não se fica pelo Duster
A ofensiva elétrica da Dacia não se resume ao Duster. Já está confirmado um novo Spring, sucessor do modelo atual, com apresentação apontada a 2026 e com base no novo Renault Twingo.
Mais à frente, a próxima geração do Sandero deverá igualmente receber uma versão elétrica, com chegada ao mercado prevista para 2027. Tal como deverá acontecer com o Duster, a variante a bateria tende a coexistir com as motorizações tradicionais durante um período, sem as eliminar de imediato.
Um ponto a acompanhar: carregamento e posicionamento de mercado
Com o aumento de propostas elétricas, será determinante perceber como a Dacia vai posicionar autonomias, potências de carregamento e níveis de equipamento. Para muitos utilizadores, a decisão não depende apenas do preço de compra, mas também de aspetos como a disponibilidade de carregamento doméstico/empresarial e a facilidade de utilização em viagens mais longas.
Se a marca conseguir manter uma relação preço/espacio/robustez competitiva - algo que tem marcado o Duster -, um Duster 100% elétrico poderá tornar-se numa opção particularmente relevante para quem procura um SUV acessível, agora com emissões locais nulas e vantagens fiscais claras no contexto português.
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