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Nuno Melo (XTB) alerta para os riscos de investir sem conhecimento e através das redes sociais

Pessoa a analisar documentos e gráfico financeiro, usando telemóvel e portátil numa mesa com mealheiro e caderno.

Aplicações, plataformas digitais e redes sociais vieram tornar o investimento mais acessível e imediato. No entanto, essa mesma facilidade de entrada nos mercados financeiros trouxe também riscos acrescidos, sobretudo para quem dá os primeiros passos sem preparação ou sem perceber por completo os produtos onde coloca o seu dinheiro.

Segundo Nuno Melo, diretor de vendas da corretora XTB, o maior perigo de investir sem base é “a perda de capital”, muitas vezes ligada ao desconhecimento dos instrumentos financeiros e dos riscos que lhes estão associados. Numa entrevista ao Expresso, o responsável chama ainda a atenção para o facto de muitos investidores irem buscar informação “em meios de comunicação informal como, por exemplo, as redes sociais”, ficando assim expostos a ativos “bastante mais voláteis e com um perfil de risco inadequado”.

O contexto económico que está a impulsionar o investimento

O aumento do interesse por investimentos acontece num cenário económico influenciado pela inflação, por taxas de juro elevadas nos últimos anos e por um quadro internacional instável. A escalada de tensão no Médio Oriente veio agravar a incerteza nos mercados financeiros e reavivar preocupações quanto ao rumo da inflação e dos custos de financiamento - elementos que, na prática, acabam por pesar diretamente nas escolhas de investimento.

Na análise de Nuno Melo, “a inflação vai prejudicar o poder de compra dos investidores”, o que empurra muitas pessoas para alternativas que permitam “preservar ou valorizar o património”. Em paralelo, acrescenta, as taxas de juro têm “um impacto direto nos custos de financiamento e também na atratividade relativa entre os vários tipos de investimentos”, enquanto a política monetária e o ciclo económico acabam por refletir-se nos preços praticados nos mercados.

Erros comuns ao começar a investir

Apesar de haver cada vez mais pessoas interessadas no tema, certos deslizes continuam a repetir-se, sobretudo entre quem está no início.

Falta de objetivos e de horizonte temporal

“O principal erro é a pessoa não definir um objetivo de investimento, seja para comprar casa, carro, uma viagem, ou investir para a reforma”, explica. Para o especialista, torna-se determinante clarificar se se trata de um plano de curto, médio ou longo prazo, uma vez que essa escolha condiciona tanto o tipo de produto a selecionar como o nível de risco que é razoável assumir.

Ausência de diversificação

“Outro erro muito comum é a pessoa não diversificar os investimentos. Portanto, concentrar todo o capital num ativo ou numa classe de ativos”, refere Nuno Melo. Na prática, sublinha, colocar todo o dinheiro no mesmo produto aumenta a probabilidade de perdas relevantes se esse investimento perder valor.

Decisões com base em informação pouco fiável

O responsável identifica ainda um terceiro problema: agir apoiado em informação incompleta ou de baixa credibilidade, em particular a que circula em “redes sociais”.

Recomendações de Nuno Melo (XTB) para investir com mais segurança

Para quem pretende começar, Nuno Melo defende que o ponto de partida deve ser a definição de metas objetivas e de um prazo bem delimitado - curto, médio ou longo. De acordo com o responsável da XTB, esta clarificação ajuda a identificar quais os produtos financeiros mais ajustados ao perfil e às necessidades de cada investidor.

Sustenta também que os investimentos precisam de estar alinhados com o risco que cada pessoa aceita correr, fazendo a distinção entre produtos “mais conservadores ou mais avançados”. Num período em que a instabilidade dos mercados se faz sentir com maior intensidade, alerta ainda para o risco de decisões tomadas por impulso.

Por fim, “O controlo emocional” surge como uma das recomendações centrais de Nuno Melo, que sugere recorrer a ferramentas de gestão de risco “que permitam controlar as emoções em momentos de euforia e em momentos de pânico”.

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