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Tanka Sapkota lança “Viagem ao Nepal”: 12 jantares solidários na Casa Nepalesa até 2027

Grupo de três pessoas num restaurante indiano a ser servido com comida tradicional quente.

Viagem ao Nepal: 12 jantares solidários assinados por Tanka Sapkota

Ao assinalar 30 anos de um percurso consistente em Portugal, o chef nepalês Tanka Sapkota volta a sublinhar a ligação forte que mantém com o país que o recebeu em 1996.

Com uma carreira pautada por rigor e por distinções internacionais - entre as quais o título de Cavaleiro da Ordem das Trufas e do Vinho de Alba -, o responsável por casas como o Come Prima (recomendado no Guia Boa Cama Boa Mesa 2026), o Forno D’Oro e o Il Mercato, em Lisboa, optou por transformar esse reconhecimento num gesto público de agradecimento.

“Tenho muita gratidão para com os portugueses. O maior tesouro deste povo, tal como do nepalês, é a humildade e a forma como recebem as pessoas”, afirma o chef. Como forma de retribuição, criou o ciclo "Viagem ao Nepal": 12 jantares solidários na Casa Nepalesa (Avenida Elias Garcia 172A, Lisboa. Tel. 217979797), cujas receitas revertem integralmente, em partes iguais, para as Aldeias SOS de Portugal e do Nepal. O arranque acontece esta quarta-feira, 6 de maio, e a proposta repete-se mensalmente.

A Experiência: Gastronomia e Arte

Cada jantar propõe uma verdadeira imersão sensorial na cultura do Nepal. Para lá do momento à mesa, há actuações de música e de dança tradicional, asseguradas por artistas da comunidade nepalesa residente em Portugal. “Muitos destes talentos trabalham em restauração por falta de oportunidades na sua área. Quero que o público veja o património cultural que eles têm para partilhar”, sublinha Tanka Sapkota.

O menu (€50, com tudo incluído) presta tributo ao Nepal no seu todo, incluindo a vila de Damek, onde o chef cresceu. As receitas recorrem a especiarias moídas à mão, sem corantes artificiais, e integram ainda produtos DOP portugueses escolhidos com critério. A abertura faz-se com o cocktail “Sussurro do Himalaia”, preparado com vinho do Porto e rum nepalês envelhecido, conjugados com tónica e “a essência das especiarias selvagens da montanha”.

A sequência percorre sabores tradicionais: entram as chamuças de legumes e o incontornável “Momo”, um bolinho de massa fina de trigo, recheado com frango do campo e especiarias, servido num caldo de cabrito delicadamente aromatizado com sinki - um espinafre selvagem vindo da terra natal do chef, nas montanhas do Nepal.

Nos principais, o destaque vai para o “Guisado de lentilhas com gengibre, coentros, óleo de mostarda e especiarias”, o “Frango do campo com avelãs e rebentos de bambu biológicos da aldeia do chef”, o “Cabrito DOP de Trás-os-Montes cozinhado com osso em lume brando e envolvido em molho de caril tradicional” e o “Javali de caça de Évora”, preparado ao longo de nove horas com cogumelos frescos e espargos verdes.

Para terminar, surgem propostas doces como o tradicional “Arroz-doce Khira” e o “Triveni” (manga cremosa sobre bolacha de coco, finalizada com frutos secos e chips de banana). O fecho da experiência faz-se com um digestivo de folhas frescas de bétele, trabalhadas com cuidado e servidas com pedaços de coco, caju, amendoim e sementes de funcho, acompanhado por uma carta de gratidão de Tanka Sapkota. Na harmonização, entram os vinhos Vinha Grande branco 2022 e tinto 2021.

Agenda e continuidade do ciclo na Casa Nepalesa

Ciclo de jantares prolonga-se até 2027

Os encontros decorrem sempre na primeira quarta-feira de cada mês, às 18h30 (com pausa no verão). Para 2026, estão confirmadas as datas: 6 de maio, 3 de junho, 2 de setembro, 7 de outubro, 4 de novembro e 2 de dezembro. Já em 2027, o calendário inclui 6 de janeiro, 3 de fevereiro, 3 de março, 7 de abril e 5 de maio.

“Esta é uma iniciativa muito especial para mim e que abraço com muito carinho. Poder dar a conhecer o meu país, as tradições, a cultura, os sabores e as paisagens lindas que fazem do Nepal um país extraordinário é muito emotivo”, conclui o chef, que não pondera regressar ao Nepal e faz questão de retribuir a "bondade" do país que acolheu a sua família, através do restaurante Casa Nepalesa.

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