No mercado chinês, a habitabilidade interior - em especial na segunda fila - continua a pesar muito na decisão de compra de um automóvel. Daí que marcas como a Mercedes-Benz, a BMW e a Audi tenham criado variantes longas, pensadas de raiz para a China, com uma maior distância entre-eixos.
Mais do que uma questão de estilo, esta preferência nasce da junção de aspetos culturais com a forma como o carro é usado. Por um lado, o princípio da piedade filial tem um papel determinante: o respeito e a atenção aos mais velhos ocupam um lugar central na dinâmica familiar. E, no automóvel, isso traduz-se em dar prioridade ao banco traseiro - mais amplo e confortável - como sinal de consideração por quem ali viaja, sejam pais, sogros ou outros familiares.
Em paralelo, um automóvel mais comprido, com proporções próximas das de segmentos acima, continua associado a prestígio e é frequentemente encarado como um marcador de estatuto. Até porque, em muitos casos, quem compra não é necessariamente quem conduz, mas sim quem segue no lugar de trás.
Por isso, enquanto na Europa estas versões tendem a ficar praticamente reservadas aos segmentos mais altos, na China chegam também a modelos médios e até compactos. É nesse contexto que surgem os novos Mercedes-Benz GLC L, BMW i3 L e Audi A6L, apresentados no Salão de Pequim 2026.
BMW i3 L
Na proposta da marca bávara, o BMW i3 “esticado” passa a ter mais 10,3 cm de distância entre-eixos do que a variante europeia: sobe de 2897 mm para 2999 mm. Ainda assim, há mais dois pontos a sublinhar, começando pelos puxadores das portas, que nesta versão deixam de ser embutidos na carroçaria.
A razão é simples: cumprir a nova regulamentação chinesa que, na prática, impede soluções totalmente integradas desse tipo.
Tal como já tinha acontecido com a versão chinesa do novo iX3, a outra diferença maior não é visível e está no software utilizado, que passa a ser, na sua larga maioria, de origem chinesa.
De resto, as alterações são mínimas. A primeira variante a ser comercializada na China será o BMW i3 50 xDrive, que conserva exatamente as especificações das versões fabricadas na Europa: um motor em cada eixo, 345 kW (469 cv) de potência, bateria de 108 kWh e uma das maiores autonomias do segmento, até 900 km (WLTP).
Mercedes-Benz GLC L
O aumento da distância entre-eixos não é exclusivo das berlinas. Os SUV também recebem o mesmo tratamento, e o novo Mercedes-Benz GLC é um bom exemplo disso. A nova geração 100% elétrica já conta com uma variante longa para o mercado chinês: a distância entre-eixos cresce 5,5 cm, ao passo que o comprimento total aumenta 10,4 cm.
Em tudo o resto, não há mudanças. O novo Mercedes-Benz GLC recorre à nova plataforma MB.EA da marca da estrela, com arquitetura elétrica de 800 V. Na versão por agora revelada, designada GLC 400 4MATIC, promete até 707 km de autonomia (WLTP) e nós já a pudemos testar:
Audi A6L
De Ingolstadt, a Audi levou igualmente a Pequim o novo A6L. Assente na plataforma PPC (Plataforma Premium de Combustão), a berlina alemã aumentou o comprimento total de 4999 mm para 5142 mm (mais 143 mm) - quase tão comprido como um A8 “curto” - e viu a distância entre-eixos crescer 139 mm.
Ainda assim, tal como acontece com o BMW i3 destinado a este mercado, as diferenças face ao nosso A6 não se resumem às medidas. Na frente, a berlina adota uma grelha maior, e os faróis passam a estar ligados por um friso e pelo símbolo da Audi retroiluminados.
Ao mesmo tempo, as motorizações disponíveis na China também diferem. Por lá, o modelo é comercializado apenas com opções a gasolina: 2.0 TFSI e 3.0 V6 TFSI, com potências entre 201 cv e 362 cv. Já na Europa, a gama inclui ainda motorizações a gasóleo e híbridas com carregamento externo.
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