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32.º Congresso do CDS em Alcobaça: autonomia face ao PSD e Nuno Melo garante “marca CDS”

Homem a discursar em púlpito numa sala com público e bandeiras de Portugal e Uruguai ao fundo.

Apelos à autonomia do CDS face ao PSD no 32.º Congresso em Alcobaça

O 32.º Congresso do CDS, que decorre este fim de semana em Alcobaça, abriu desde logo com pedidos de maior independência estratégica em relação ao PSD, parceiro de coligação. A dar início aos trabalhos, o presidente do Congresso e líder do CDS Madeira, José Manuel Rodrigues, defendeu: "Falta-nos ter um caminho próprio independentemente de quem segue ao nosso lado“.

Membro do governo regional madeirense - depois de, no passado, ter estado na oposição ao PSD na região -, José Manuel Rodrigues sustentou que só com mais “autonomia estratégia” o CDS poderá reforçar-se.

Ainda no arranque, insistiu que o partido só terá futuro se souber marcar a diferença: "Só conquistaremos esse futuro se afirmarmos as nossas diferenças em relação aos outros", incluindo o PSD. Reconheceu, por outro lado, que o Congresso ocorre num “momento feliz” para o CDS, por estar no Governo da República e também nos executivos regionais da Madeira e dos Açores. Porém, acrescentou que “esta presença do CDS nos três governos é mais fruto da conjuntura política que conduziu ao fim das maiorias absolutas e do fim do bipartidarismos do que da força do CDS".

Críticas à diluição e recados aos ausentes

José Manuel Rodrigues classificou o CDS como “garante da estabilidade e contribui para a governabilidade de Portugal”, mas considerou que a capacidade de influência do partido no exercício do poder “já foi muito superior” à que tem actualmente. Defendeu ainda que o CDS “tem de ser mais marcante na sociedade portuguesa”.

Apesar de reafirmar a confiança nas coligações em que o partido participa, fez questão de rejeitar qualquer “fusão ou diluição noutro partido” - uma crítica levantada tanto pela moção da Juventude Popular como pelo candidato Nuno Correia da Silva.

Reforçando a identidade partidária, afirmou: "O CDS tem um espaço próprio, tem uma ideologia, uma doutrina, tem valores“, e sustentou que é preciso que o partido “volte a trazer os melhores para a vida partidária ativa“. Deixou igualmente um reparo a quem, “por via do CDS chegaram a lugares de topo“ e não marcou presença em Alcobaça: ”Deviam estar aqui agradecidos ao CDS."

Nuno Melo garante “marca CDS”

Já o presidente do CDS-PP, Nuno Melo, chegou ao 32.º Congresso convicto de que “2026 é um ano melhor do que 2024”, tanto para um país que “cresce” e é “referenciado dentro e fora”, como para um partido que, em simultâneo, integra o Governo da República e os governos das duas regiões autónomas.

À entrada para a reunião magna, e em declarações ao jornalista, Nuno Melo desvalorizou as críticas que lhe têm sido dirigidas. "Vejo mesmo vantagem em que um congresso tenha diferentes pensamentos, ideias e opções estratégicas. É sinal de grande vitalidade do partido. Respeito todos", afirmou. Da sua parte, disse que tenciona prosseguir o “caminho” iniciado quando assumiu a liderança, em 2022, e que, segundo o próprio, “tem provado em resultados a sua certeza e o seu acerto”.

O líder centrista rejeitou em absoluto a ideia de que o CDS esteja “diluído” no PSD, apontando como a "marca do CDS" se evidencia no trabalho da AD: nas políticas de Defesa, na área dos jovens e na educação, e também na comemoração do 25 de novembro (que, recordou, foi inclusivamente anunciada por si no 31.º Congresso, em 2024). Essa “marca”, acrescentou, nota-se igualmente no Parlamento, onde “dois deputados apenas se notam mais do que grupos parlamentares muito maiores”.

"O CDS está aí. Não vive é a combater o parceiro numa coligação que se chama AD. O que seria profundamente anormal, seria numa coligação termos o CDS a combater o parceiro", declarou. Para Nuno Melo, “os adversários são os socialismos e os populismos”, e o seu “ímpeto no combate” está dirigido contra quem pretende “que a AD não tenha sucesso e que o Governo caia”.

Trabalhos com atraso e homenagem a militantes

Os trabalhos do Congresso do CDS começaram com mais de uma hora de atraso. Antes das primeiras intervenções, foi prestada homenagem aos militantes falecidos, entre os quais os antigos deputados Nogueira de Brito, Teresa Caeiro e Pedro Feist.

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