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China apela a cessar-fogo no Médio Oriente e à reabertura do estreito de Ormuz após encontro Xi Jinping e Donald Trump

Xi Jinping e Donald Trump apertam as mãos durante reunião com bandeiras da China e EUA ao fundo.

Apelo chinês e situação no estreito de Ormuz

A China pediu, esta sexta-feira, um cessar-fogo total no Médio Oriente e defendeu que o estreito de Ormuz seja reaberto “o mais rapidamente possível”, numa declaração feita à margem da cimeira entre Xi Jinping e Donald Trump.

Desde o arranque da guerra com os Estados Unidos e Israel, a 28 de fevereiro, o Irão tem condicionado e bloqueado grande parte do tráfego marítimo no estreito, por onde costuma circular cerca de um quinto das exportações globais de petróleo e de gás natural liquefeito.

Do lado norte-americano, Washington mantém um bloqueio naval aos portos iranianos, apesar do cessar-fogo frágil que está em vigor desde 8 de abril.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês afirmou, em comunicado: “As vias marítimas devem ser reabertas rapidamente, como exige a comunidade internacional. Um cessar-fogo global e duradouro deve ser instaurado o mais rapidamente possível”.

A mesma nota acrescentou: “Esta guerra, que nunca deveria ter ocorrido, não tem qualquer razão para continuar”.

Reunião Xi Jinping–Donald Trump em Pequim

Xi recebeu hoje Trump nos jardins de Zhongnanhai, o complexo onde residem e trabalham os principais dirigentes chineses, situado junto à Cidade Proibida.

Depois de um almoço de trabalho, o líder da Casa Branca deverá regressar a Washington no início da tarde, concluindo dois dias de visita de Estado marcados por tensões bilaterais e também por um quadro global conturbado.

Na quinta-feira, durante o primeiro encontro, Xi Jinping e Donald Trump discutiram igualmente a situação no Médio Oriente.

Trump disse ao canal norte-americano Fox News que Xi lhe assegurou que Pequim não enviaria equipamento militar ao Irão e que estava disponível para ajudar a reabrir o estreito de Ormuz.

A China, que é o principal parceiro estratégico e económico do Irão, compra a maior parte do petróleo iraniano e é afetada de forma direta pela quase paralisação do estreito de Ormuz.

Ainda na quinta-feira, em plena cimeira, o Irão anunciou que tinha autorizado a passagem de vários navios chineses.

Entendimentos anunciados e dossiês em discussão

Pequim afirmou que os dois presidentes chegaram “uma série de novos consensos” no principal dia da visita de Estado do chefe da Casa Branca à capital chinesa, na quinta-feira.

Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros, entre os entendimentos está a construção de uma “relação de estabilidade estratégica construtiva China-EUA”, descrita como “nova orientação das relações bilaterais” “para os próximos três anos ou mais”.

A diplomacia chinesa referiu ainda que ambos concordaram em “como abordar adequadamente as preocupações mútuas” e em reforçar “a comunicação e a coordenação em assuntos internacionais e regionais”.

Trump acrescentou que Xi se comprometeu com a compra de 200 aviões Boeing, um total abaixo das encomendas de 500 aparelhos 737 MAX e de cerca de uma centena de modelos de longo curso (787 Dreamliner e 777) que vinham sendo mencionadas na imprensa nos últimos meses.

O Presidente norte-americano indicou também que Pequim demonstrou interesse em comprar petróleo e produtos agrícolas dos EUA, sem apresentar valores.

Entre os temas que dominaram as conversações estiveram igualmente Taiwan, comércio, acesso a terras raras e semicondutores, inteligência artificial e propriedade intelectual.

Xi alertou para o risco de “conflito” entre Pequim e Washington em torno de Taiwan; Trump respondeu nas redes sociais que o Presidente chinês “referiu elegantemente os Estados Unidos como talvez uma nação em declínio”, precisando que estava a falar do período da administração Biden.

De acordo com a diplomacia chinesa, os dois líderes concordaram em designar a relação bilateral como uma “relação de estabilidade estratégica construtiva”. Xi declarou: “Devemos ser parceiros, não rivais”, comprometendo-se a abrir “cada vez mais a China às empresas estrangeiras”.

Trump deslocou-se a Pequim com uma comitiva de grandes empresários, com a Casa Branca a esperar regressar com acordos em áreas como a agricultura e com investimentos chineses nos Estados Unidos.

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