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Voo do C-390 Millennium para Portugal: Embraer esclarece o motivo
Após várias especulações, a Embraer esclareceu que o voo recentemente realizado pelo C-390 Millennium destinado à Força Aérea da Coreia do Sul (ROKAF) não esteve relacionado com qualquer avaria técnica durante a transferência. Segundo a empresa brasileira, tratou-se, isso sim, de uma fase já prevista no calendário de ensaios, alterações e personalização da aeronave.
O esclarecimento surge depois de terem circulado relatos a indicar que o avião teria interrompido o voo de entrega e regressado ao Brasil após chegar à Europa.
De acordo com a comunicação enviada pela Embraer, a deslocação do C-390 Millennium para Portugal teve como finalidade executar ensaios necessários para cumprir requisitos contratuais, cuja realização não era possível no Brasil. Concluída essa etapa, a aeronave voltou ao país sul-americano para prosseguir os trabalhos de personalização solicitados pelo cliente sul-coreano.
Entrega à ROKAF e requisitos contratuais com a DAPA
A nota torna-se especialmente relevante porque esta aeronave integra o programa de incorporação do C-390 Millennium pela Coreia do Sul, que escolheu o avião brasileiro para responder às necessidades de transporte táctico e logístico da ROKAF.
Neste contexto, a Embraer sublinhou que o regresso ao Brasil não deve ser entendido como uma interrupção do processo de entrega, mas sim como parte normal da sequência de adaptação do aparelho antes da transferência formal.
Na mesma linha, a empresa indicou que a entrega ocorrerá “num futuro próximo”, em conformidade com os compromissos contratuais assumidos com a Administração do Programa de Aquisições de Defesa (DAPA) e com a Força Aérea da Coreia do Sul.
Um programa que vinha a cumprir prazos
Como noticiámos anteriormente na Zona Militar, a selecção do C-390 Millennium pela Coreia do Sul foi formalizada em Dezembro de 2023, quando a DAPA anunciou o avião brasileiro como vencedor do programa Large Transport Aircraft II, por USD 544,4 milhões para a aquisição de três aeronaves, afastando o C-130J Super Hercules da Lockheed Martin. Esta decisão marcou a entrada da Embraer no estratégico mercado de defesa asiático.
Desde então, o programa foi consolidando a sua base industrial através de acordos com empresas coreanas e, em Outubro de 2025, com a assinatura de um Memorando de Entendimento entre a Embraer e a DAPA no âmbito da feira ADEX, que definiu bases para uma colaboração industrial de longo prazo.
Por fim, em Fevereiro de 2026, durante o Singapore Airshow, a Embraer apresentou formalmente o primeiro exemplar coreano, confirmando que tinha alcançado a fase final de montagem. Em Março, a aeronave completou com sucesso o seu voo inaugural em Gavião Peixoto, São Paulo, entrando depois numa fase de ensaios e de integração de sistemas específicos para a ROKAF. Tudo indicava que a entrega estava bem encaminhada para antes do final do ano.
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