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Danos no carro após cheias e inundações: o que verificar

Carro elétrico azul Flood-Safe estacionado em ambiente interior moderno, com design aerodinâmico e luzes LED.

Em Portugal, no período de inverno, várias zonas do país ficam mais expostas ao risco de cheias e inundações. Quando estes episódios acontecem, os efeitos são sentidos tanto em casas e infraestruturas públicas como, de forma muito direta, nos automóveis.

Mesmo um contacto de curta duração com a água pode originar estragos relevantes - e, em muitos casos, difíceis de detetar numa primeira inspeção. Neste artigo explicamos, de forma prática, quais são os danos mais frequentes que podem surgir num veículo após uma inundação e o que, na maioria dos cenários, ainda pode ser recuperado.

Motor

O motor é, quase sempre, um dos elementos mais afetados, sobretudo se o carro entrar na água com o motor a trabalhar. Um motor foi concebido para aspirar ar (e não água) e, se o líquido for puxado pela admissão, o resultado pode ser a destruição total do conjunto.

Isto acontece por causa do fenómeno conhecido como calço hidráulico: um líquido incompressível, como a água, entra na câmara de combustão e impede o movimento do pistão. Essa interrupção brusca pode empenar e deformar componentes metálicos internos, como as bielas, podendo mesmo «agarrar» o motor e deixar como única solução a sua substituição.

Mesmo que o seu carro tenha sido apanhado por uma cheia ou inundação com o motor desligado, não o tente ligar antes de confirmar que não entrou água no interior do motor.

Dica de segurança: se encontrar uma área parcialmente inundada, a opção mais segura é não atravessar. A altura da água e a força da corrente podem enganar e, em certas situações, ser suficientes para arrastar um veículo. Se tiver a certeza de que é apenas uma acumulação pouco profunda, existem formas seguras de passar, mas sempre com cautela. Saiba como:

Sistemas eletrónicos e unidades de controlo

Atualmente, a eletrónica gere praticamente todas as funções do automóvel, desde a gestão do motor aos sistemas de segurança. Se o veículo for surpreendido por uma cheia, a água, a lama e os detritos podem infiltrar-se nos módulos e nas unidades de controlo, provocando avarias imediatas ou falhas que só se manifestam dias mais tarde.

Mesmo quando o carro parece seco por fora, a humidade que fica retida pode comprometer a fiabilidade a médio prazo. Por isso, os danos em sistemas eletrónicos são, muitas vezes, classificados como graves, exigindo diagnósticos detalhados e, nalguns casos, a substituição integral de componentes.

Transmissão e eixos

A água também consegue entrar em componentes fechados, como a caixa de velocidades e os diferenciais. Ao misturar-se com o óleo lubrificante, forma-se uma emulsão que reduz a proteção das engrenagens e pode acelerar o desgaste se os fluidos não forem trocados após a inundação.

Sempre que o veículo tenha circulado, ou permanecido parado, em água acima do nível dos eixos, é essencial substituir estes fluidos. Ignorar este procedimento pode resultar em desgaste prematuro das engrenagens e, mais tarde, em reparações dispendiosas.

Sistema de escape

Ao atravessar uma zona alagada, é possível que a água entre no sistema de escape e fique retida no seu interior. Se essa água não for eliminada, a humidade pode dar origem a corrosão interna com o passar do tempo.

Apesar de, em regra, os danos no escape serem menos críticos do que os que atingem o motor ou a eletrónica, não devem ser desvalorizados. Barulhos fora do normal, perda de desempenho ou cheiros estranhos são sinais de alerta que justificam uma verificação.

O que pode ser salvo?

Nem tudo o que é exposto a uma inundação fica perdido sem possibilidade de recuperação. Há sistemas que podem ser restaurados, especialmente quando a intervenção é rápida e feita com cuidado.

Os sistemas de travagem e suspensão estão, por natureza, mais expostos à água e, por isso, nem sempre sofrem danos permanentes. Em grande parte dos casos, uma limpeza cuidada e uma secagem correta bastam para repor o funcionamento. Ainda assim, é indispensável confirmar o estado de discos, pastilhas, amortecedores e articulações, pois a água e a sujidade acumulada podem acelerar o desgaste ou reduzir temporariamente a eficácia destes sistemas - fundamentais para a segurança.

Além disso, a água pode retirar a lubrificação dos rolamentos e contaminar o fluido de travões, afetando momentaneamente o desempenho; uma inspeção minuciosa e a substituição dos elementos necessários ajudam a garantir que tudo volta a funcionar como deve ser.

Também é recomendável verificar se ficou água retida em cavidades da carroçaria (como no interior das portas ou no chassis), já que isso pode provocar ferrugem de dentro para fora.

No interior do veículo, bancos, alcatifas, revestimentos e pequenos componentes elétricos discretos - muitas vezes instalados por baixo do piso - podem, em muitos casos, ser recuperados após a inundação. O processo passa por desmontagem, limpeza profunda e secagem total, assegurando a eliminação da humidade e evitando problemas futuros, como maus odores, fungos ou avarias elétricas.

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