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UE e China: taxas de importação até 38,1% nos veículos elétricos produzidos na China

Carro elétrico vermelho estacionado num espaço fechado moderno com paredes brancas e vidro.

A relação entre a União Europeia (UE) e a China entrou numa fase mais tensa, depois de terem sido aprovadas taxas de importação significativamente mais altas para os veículos elétricos fabricados em território chinês.

Esta medida não atinge apenas os construtores chineses: também tem impacto em marcas europeias, uma vez que há vários elétricos de fabricantes europeus produzidos na China - veja a lista mais abaixo.

Para perceber o que está em jogo, o que pode acontecer a seguir e de que forma a China e as marcas envolvidas poderão reagir, vale a pena acompanhar o Auto Rádio desta semana, um podcast da Razão Automóvel com o apoio do Piscapisca.pt.

Neste episódio, para além do Guilherme Costa e do Fernando Gomes, o convidado é Pedro Silva, diretor e fundador da revista Auto Drive, para uma conversa sobre o tema que tem estado no centro da indústria automóvel nas últimas semanas.

Investigação da Comissão Europeia

O aumento das taxas de importação sobre veículos elétricos produzidos na China resulta da investigação que a Comissão Europeia (CE) iniciou no ano passado.

Este processo - que só ficará concluído em novembro do próximo mês - procura apurar se os elétricos importados da China beneficiam, ou não, de subvenções do governo chinês, tanto na fase de desenvolvimento como na de produção. E os sinais recolhidos apontam para que sim.

Para a CE, estas ajudas públicas criam uma vantagem competitiva relevante face aos elétricos fabricados na Europa, constituindo “uma ameaça de prejuízo previsível e iminente para a indústria da UE”, como foi referido em comunicado.

É por isso que Bruxelas decidiu avançar com novas taxas de importação, que podem ir até 38,1%, e que entram em vigor já a 4 de julho. Ainda assim, importa sublinhar que se trata de taxas provisórias: as taxas definitivas só serão anunciadas depois de a investigação terminar, em novembro. Também é importante lembrar que, se a UE e a China alcançarem algum tipo de entendimento até 4 de julho, estas taxas podem simplesmente «ficar na gaveta».

Como se percebe no Auto Rádio desta semana, nenhum dos lados tem interesse numa escalada para uma guerra comercial entre os dois blocos - até porque, no fim, quem mais tende a perder é o consumidor: com taxas de importação mais elevadas, é expectável que os automóveis fiquem mais caros.

Que marcas e modelos vão ser afetados?

Há ainda um pormenor relevante nas novas taxas aplicadas aos elétricos fabricados na China: não são iguais para todos os construtores. Isto deve-se ao facto de a CE ter definido percentagens mais baixas ou mais altas consoante o grau de cooperação dos fabricantes abrangidos por esta investigação.

Daí que as taxas oscilem entre os 17,4% atribuídos à BYD e os 38,1% atribuídos à SAIC, grupo que detém as marcas MG e Maxus.

Convém reforçar, uma vez mais, que os construtores afetados não são apenas chineses. Também fabricantes europeus e norte-americanos (Tesla) entram nesta equação, já que vários produzem modelos elétricos na China e depois exportam-nos para a Europa.

Em baixo, fica a lista com as marcas abrangidas e os respetivos modelos.

A lista de marcas e modelos é longa - e faltam alguns, como os associados a veículos pesados -, mas, como é referido no Auto Rádio, já estão em andamento estratégias para contornar as novas taxas de importação da UE.

O mais provável é que essas soluções passem por alterar o local de produção de determinados modelos, algo que já foi anunciado, por exemplo, para o Volvo EX30 ou para o novo Mini Cooper elétrico.

Ao mesmo tempo, alguns fabricantes chineses já comunicaram planos para instalar fábricas no continente europeu. No caso da Leapmotor, o cenário muda a partir de setembro, graças à empresa conjunta criada com a Stellantis, que levará também a produção para a Europa.

Encontro marcado no Auto Rádio na próxima semana

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